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Archive for 24 de maio de 2010

Revés

Onde estavas quando

como um golpe

a noite chegou

Quando o punhal rasgou-me as plantas dos pés

tornando-me uma inútil caminhante 

Onde estavas quando meus dedos foram roídos

e não pude mais escrever cartas de amor

Quando minha boca foi costurada com agulhas envenenadas

e então não soube mais dar um beijo

mesmo que de adeus 

Onde estavas quando meus olhos foram cegados

com imagens dantescas

e por necessidade suprema

desesperadora

precisei involuir involuntariamente

para que eu me sentisse um feto

com esperanças de futuro 

Onde estavas quando meu corpo foi violentado e

como tempestade

foi arrastado

varrido de qualquer sonho possível

para o nada absoluto

Onde estavas quando meu barco foi a pique

mergulhando no submundo do oceano

Hoje as marés trazem destroços de velas

de cordas

de sonhos sufocados

de gritos inúteis

O leme mergulhou na escuridão

junto à âncora

a conviver com o inviável

Não sei onde estavas

mas agora não importa mais

 

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