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Archive for junho \28\UTC 2010

Lua Cheia

  

No terraço

o perfume profundo

e negro

da noite

me atrai

 

 

Como ímã

fascina os sentidos

rasgando desejos

sensações

murmúrios

 

 

Lua cheia, lua cheia

tocando-a

com as pontas dos dedos

nas pontas dos pés

indago

 

 

Se neste instante

tu estiveres

embriagando-se

desta mesma lua

então estarás comigo?

 

 

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Saudade

 

a música…

o poema inacabado

teus olhos me observam

sabem de coisas que tu mesmo não sabes

indagam-me a razão do pranto doído

que rola quieto

 

Tentam arrancar de minha boca uma palavra

um som

um murmúrio

 

Silencio

 

Fito também os olhos teus

A música…ouves?

hoje é dia de saudade

  

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É Preciso

 

 

Ser olhado com carinho

é preciso

 

 

Se retido nas mãos

com cuidado

 

 

Se guardado no coração

com ternura

 

 

Se pela primeira vez

poderá ser a última

 

 

Se tocado novamente

diferente será

mesmo que num segundo depois

 

 

Com significado profundo

acentuado

apresentar-se-á

 

 

Se recordado

que se envolva

com cuidado

 

 

Só assim

reencontrado

apresentará seu perfume

 

 

É preciso doçura

com os momentos da vida

é preciso, é preciso

 

 

Os que maltratam o tempo

e seus habitantes

não passarão impunes

 

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Alva Flor

Pequena e alva flor que, assoprando-a, espalha-se em minúsculas pétalas a voarem para o sol, como risos, numa silenciosa alegria interior.

Quando pequena, dizia que eram feitas de minúsculos paraquedas a levarem sementes, luz e vida pelo ar.

Em meu jardim há vários botões e todos os dias um se abre.

Dei a ela o teu nome.

Caule esguio e alto, trazendo no cume sua fragilidade.

Para que não a fira ao mínimo gesto é necessário delicadeza, cuidado, carinho.

Senti-la em meu rosto é como receber uma carícia de tua barba por fazer ou um beijo suave e terno, como o sol outonal de um domingo de manhã.

Às vezes é preciso que se suspenda a respiração para que não a contamine com o hálito da imperfeição dos imperfeitos.

Mas aqui no meu jardim ela não corre perigo algum, tal como você em minha vida.

  

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Dói-me a alma, meus olhos fecham-se, perco a voz e tranco-me em minha tristeza.

Um pouco mais órfã, um pouco mais só.

 

Ah! quanta falta sentirei de ti.

Quantas noites insones me fizeste companhia.

Quantas coisas me contaste e tantas outras criaste em minha imaginação, partindo de tuas sutilezas e também da tua ironia.

Quanto acrescentaste em minha vida, quanto!, enquanto tomava  da tua literatura, do teu estilo por tantas vezes criticado de passar teu sentimento como algo lógico, frio.

Quantas conversas travei junto a meu irmão caçula, discutindo tua linha de pensamento, tua forma de ver e sentir as coisas, as pessoas, o tempo.

 

Abraço este teu livro neste instante, como se o fizesse a ti, como se fosse de ti meus braços, além destas lágrimas que teimam em não parar de rolar, porque o amor que tenho por ti é tão antigo, é tão forte, é tão vital.

Quem me fará sonhar, quem me desafiará o raciocínio, quem me fará rir como criança, quem me enternecerá o coração…

 

Ouço tua voz firme, traduzindo pensamentos rápidos, mas ao mesmo tempo branda e tranquila, própria de quem é sábio, de quem vive todos os momentos oferecidos pelos ventos e pelas calmarias.

Lembro-me de teus olhos pequenos mas alcançando grandes distâncias, voos infinitos, como a se preparar para a tua transformação de estar em ser.

Eternamente.

 

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Permanência

 

Chegaste em mim em plena primavera

embora fosse outono

 

Me entreguei ao teu calor ensolarado

embora chovesse

 

Me ensinaste a sorrir tão suave

embora conciso

 

Me colheste uma rosa, a mais bela do jardim

embora com espinhos

 

Nem por isso perguntei, em momento algum

o que vieste fazer em minha vida

porque és eterno

 

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Bandeiras nas janelas.
Prédios enfeitados com balões e bandeirolas de festa junina em verde e amarelo.
Calçadas e ruas pintadas.
Entristeço-me.
Acho que essa é a única ocasião em que a maioria dos cidadãos entra em contato mais estreito com a bandeira de sua pátria.
Pergunto ao rapaz se não vai escrever “Ordem e Progresso” na faixa branca. Não, diz ele, todo mundo sabe que é a bandeira do Brasil, moça!
É, sem os dizeres talvez retrate melhor o país.

 

 Outro rapaz desenha e pinta, no meio da rua, as caricaturas dos jogadores mais famosos.
Pergunto se ele conhece alguma técnica, desenha tão bem!
Não, não conheço, diz ele; é um dom a serviço dos outros.
Me animei.
Pergunto se ensina, se faz alguma atividade voluntária.
Só na copa, moça, ou em decisões finais de campeonatos.
Entristeço-me.
Ando muito sensível, entristeço-me à toa.

 

 Vejo o cuidado com que pintam a rua, a gentileza com que pedem aos motoristas para que desviem seus carros das pinturas…
Fico feliz, moça, fico eufórica em estar cooperando, diz uma garota.
Entristeço-me ainda mais. 
Há tanto o que fazer, modificar…

 

Fico imaginando toda essa energia pairando no ar, onde tudo o que querem realiza-se, basta que queiram.
A vontade é a senhora das realizações, não é assim?
Fico imaginando todos eles reunidos, ajudando a pintar uma escola, a jogar o lixo nas latas ao invés de sujar as ruas, a doar um agasalho, um prato de sopa, um pedaço de pão.
Fico imaginando-os gentis no trânsito, em casa com seus familiares, tratando com educação os porteiros e moradores de seus prédios, desejando um bom dia a seus colegas de trabalho, em qualquer ambiente que seja, no dia a dia.
Fico imaginando… já sei, já sei! Estou sonhando, ou melhor, delirando; melhor ainda, estou em grave estado febril.
 Perdoem-me esta alucinação momentânea.

 

Vou tomar um comprimido na farmácia e depois achar uma loja para comprar uma vuvuzela bem potente, para fazer muito barulho.
Quem sabe assim esqueço-me do potencial que habita cada ser humano e que está sendo jogado no lixo, a cada dia, a cada instante, por ele mesmo, quando se fecha, se tranca e vive só para si.
E quando se comunica com o exterior, geralmente o faz da forma mais agressiva ou irônica ou prepotente.

 

Paro no meio fio da calçada para descansar um pouco, constatando mais uma vez do quanto podemos e pouco fazemos… Dá licença, moça, preciso pintar aí; será que você me faz o favor de mudar de lugar?
A educação, a confraternização da copa… ou seja, a mesma do Natal, a mesma do final de ano: gentileza com data marcada.

 

A cidadania está para bater um penalti mas já sabemos o resultado.

 

Alguém de sabedoria secular disse uma vez que o resultado do que fazemos nos espera mais adiante.

                                                                     

  

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