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Archive for agosto \30\America/Sao_Paulo 2010

Olhar

 

 

O vento faz brisa

O fogo faz brasa

 

O espelho faz reflexo

A água faz imagem

 

O pé faz caminho

A mão faz carinho

 

Os olhos…

Vou fechá-los

Senão vais adivinhar

O que eles querem fazer

 

 

 

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Hei de cantar o amor

a cada encontro

não me importa se

nos sonhos

nas fotos

nas cartas

que também são de amor

 

Hei de cantar o teu canto

no recanto de minha alma

assim tão branca

tão calma

como me apresento

aos olhos teus

 

Hei de cantar meus passos

minha voz

no mesmo tom que procuro

tua harmonia

 

Hei de cantar

 

 

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Sinto-me

tua

como se em teu gesto

mais sereno

ou mais severo

eu morasse

 

 

Sinto-me

pequena

entre teus planos

tuas buscas

e mesmo assim

sinto-me tua

 

 

Sinto-me

tua e só

porque em meio

a tantos projetos

e anseios

não consegues sequer saber

que existo

 

 

 

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Pega-me entre as mãos

como se eu fosse uma flor

já vivendo sua tarde

 

Sente meu perfume suave

como é suave a brisa

lá nos bambuzais

 

Coloca-me num vaso

e enquanto alimenta-me

com a água pura e fresca

 do rio que corre lá no pomar

diz-me uma palavra doce

para me confortar

 

Afinal não é todo dia

que uma flor tardia

tem consciência

da sua permanência

 

Estende por debaixo do vaso

aquela toalha rendada

pelas mãos de minha mãe

para que me faça companhia

 

E quando saíres da sala

pisa manso

devagar

para que eu não suspeite

que partes

e nunca possa mais te olhar

 

 

  

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Aceitação

 

Não posso chorar

tua partida

porque sequer chegaste

 

Como um anjo

surges em meus sonhos

como a lua branca

alças teu voo

para outro mundo

 

E em outros olhos

brincas de criança

de adulto

de homem

brincas como brincam os anjos

e os animais

 

Brincas com as flores

os raios de sol

as ondas do mar

 

Vendo-te a brincar assim

engulo o pranto

apenas um soluço seco

desenho um sorriso inexistente

e vou abraçar-te

 

Afinal, hoje tens apenas

seis anos

 

 

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Quando senti que era para mim que corrias, me surpreendi; não te reconheci de imediato.

E, no entanto, como um pássaro ou como um anjo, abrias teus bracinhos e corrias tanto ao mesmo tempo que sorrias, que cheguei a temer por um tropeço.

Fiquei procurando em minhas lembranças teu rosto, criança, enquanto o estreitava em meu peito e sentia o calor e o frescor da tua vida.

E ainda ouvindo teu riso misturado à tua alegria de caminhar, me vi atenta a teus traços, a tuas mãozinhas entre as minhas…

Foi quando beijaste minha face demoradamente, como que cheio de saudade, quando um pouco te afastaste, foi só então que reconheci em teus olhos aquele que um dia me abraçou e do qual jamais consegui desvencilhar-me, mesmo porque nunca quis.

E assim adormeceste novamente em minha vida e por toda esta  vida continuarei velando teu sono secular, até que te permitas um dia crescer em mim e tornar-se aquele de outros tempos tão distantes e hoje ausentes, para que eu possa contar da minha saudade, da minha espera, do meu amor eternizado nas ampulhetas e em cada ressonar de tua alma.

Por ora, criança, fico a olhar teus cabelos de neve emoldurando tua expressão, tua face serena, tua boca que balbucia, quase que inaudível, palavras doces e perdidas em algum raio de esperança…

Entregue assim a  meus braços, pareces um anjo em seu repouso divino. Apenas sei que ainda és mortal porque vi em teus olhos, antes que adormecesse novamente, aquela melancolia que trazes aquietada em teu coração; aquela que não convém aos anjos, mas aos poetas.

 

 

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Quando eu partir

quero me por serena

como nunca me viste

 

Adornada por meus cabelos de inverno

quero te dar meu último

e mais suave sorriso

 

Tuas mãos por certo me farão

um carinho nas faces

enquanto me perscrutas

com  a doçura dos olhos

e as pontas dos dedos

 

Nessa quietude

hei de reconhecer tuas mãos

as mensageiras de teus pensamentos

de tuas palavras

de teus acenos

 

Mas somente quando eu partir

aprisionada que estou

por elos invisíveis

que me permitem te ver

ainda que só à distância

 

Quando eu partir

que seja assim

quando eu partir

 

 

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Sinto saudade da casa da minha infância, a casa onde guardei meus sonhos e magias, tantas travessuras, muitas alegrias, algumas tristezas profundas…

 

Mas neste momento sinto saudade daquela sala grande, tão clara, tão limpa e que à tarde, como a de hoje, sempre estava vazia, quieta, como se ali estivesse uma criança a dormir.

E isso era surpreendente, pela quantidade de pessoas que transitavam pela casa.

 

Lembro-me que por muitas vezes entrei nessa sala nesse momento mágico!

Era como se eu estivesse entrando num lugar sagrado.

Ficava quietinha, olhando os quadros, os móveis, os objetos, andando na ponta dos pés, para não quebrar esse encanto…

 

Mas o que mais me maravilhava era a luz que entrava através daquelas imensas janelas, aquela luz que ia dançando em tudo que ali existia, lentamente, parecendo dar vida, dar força a cada peça!

Assim ficava acompanhando todo o envolvimento da luz até que meus olhos  atingissem uma imagem de Nossa Senhora de Fátima que, banhada pela luz, parecia sorrir para mim.

 

E eu sorria para ela, porque tudo era incrível, tudo era luz!

 

Sinto saudade desse momento mágico que se repetiu algumas  vezes e que agora se repete na minha lembrança, no pulsar de meu coração.

 

Jamais o esquecerei, mesmo quando a realidade teimar em me tragar por inteira.

 

 

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Outra Face

 

  

Tenho diante de mim vários espelhos

Recostada onde estou

vejo em cada um deles

partes de mim

mas um só reflete meus olhos

 

Procuro neles

o sentido dessa indiferença

de brilho ausente

de gesto interrompido

de ternura antiga

 

O que procuro perdeu-se

atrás de algum dos espelhos

de algum prego solto

que rola pelo chão

em busca de outra face

 

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 Segura minhas mãos

meu pai, como fazias

quando me aparavas as unhas

enquanto cantavas

 

Assim e com certeza

não me sentirei tão sozinha

tão perdida

no meio de tanta ansiedade

e alguns desencontros

 

Segura minhas mãos

meu pai, como fazias

quando me ajudavas a atravessar as ruas

enquanto conversavas

a me mostrar o mundo

as pessoas

as aves do céu

 

Ainda me lembro de tuas histórias

de teus olhos brilhando

e de minha alma quieta

em paz, te ouvindo

porque eu sabia

sempre sabia

que todo o tempo,

até que eu dormisse,

minhas mãos segurarias

 

Segura minhas mãos

meu pai, como fazias

para eu sonhar com aquele tempo

em que, cantando,

me carregavas nos braços

para me fazer dormir

  

A ti, meu pai,

a continuidade de tua vida

em minha vida

de alguns de teus sonhos

em minhas mãos

 

A ti, meu pai

meu carinho eterno

 

 

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