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Archive for agosto \12\America/Sao_Paulo 2010

 

 

 

Sinto saudade da casa da minha infância, a casa onde guardei meus sonhos e magias, tantas travessuras, muitas alegrias, algumas tristezas profundas…

 

Mas neste momento sinto saudade daquela sala grande, tão clara, tão limpa e que à tarde, como a de hoje, sempre estava vazia, quieta, como se ali estivesse uma criança a dormir.

E isso era surpreendente, pela quantidade de pessoas que transitavam pela casa.

 

Lembro-me que por muitas vezes entrei nessa sala nesse momento mágico!

Era como se eu estivesse entrando num lugar sagrado.

Ficava quietinha, olhando os quadros, os móveis, os objetos, andando na ponta dos pés, para não quebrar esse encanto…

 

Mas o que mais me maravilhava era a luz que entrava através daquelas imensas janelas, aquela luz que ia dançando em tudo que ali existia, lentamente, parecendo dar vida, dar força a cada peça!

Assim ficava acompanhando todo o envolvimento da luz até que meus olhos  atingissem uma imagem de Nossa Senhora de Fátima que, banhada pela luz, parecia sorrir para mim.

 

E eu sorria para ela, porque tudo era incrível, tudo era luz!

 

Sinto saudade desse momento mágico que se repetiu algumas  vezes e que agora se repete na minha lembrança, no pulsar de meu coração.

 

Jamais o esquecerei, mesmo quando a realidade teimar em me tragar por inteira.

 

 

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Outra Face

 

  

Tenho diante de mim vários espelhos

Recostada onde estou

vejo em cada um deles

partes de mim

mas um só reflete meus olhos

 

Procuro neles

o sentido dessa indiferença

de brilho ausente

de gesto interrompido

de ternura antiga

 

O que procuro perdeu-se

atrás de algum dos espelhos

de algum prego solto

que rola pelo chão

em busca de outra face

 

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 Segura minhas mãos

meu pai, como fazias

quando me aparavas as unhas

enquanto cantavas

 

Assim e com certeza

não me sentirei tão sozinha

tão perdida

no meio de tanta ansiedade

e alguns desencontros

 

Segura minhas mãos

meu pai, como fazias

quando me ajudavas a atravessar as ruas

enquanto conversavas

a me mostrar o mundo

as pessoas

as aves do céu

 

Ainda me lembro de tuas histórias

de teus olhos brilhando

e de minha alma quieta

em paz, te ouvindo

porque eu sabia

sempre sabia

que todo o tempo,

até que eu dormisse,

minhas mãos segurarias

 

Segura minhas mãos

meu pai, como fazias

para eu sonhar com aquele tempo

em que, cantando,

me carregavas nos braços

para me fazer dormir

  

A ti, meu pai,

a continuidade de tua vida

em minha vida

de alguns de teus sonhos

em minhas mãos

 

A ti, meu pai

meu carinho eterno

 

 

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De repente interrompi meu caminhar para apreciar a cena.

Vejo esse ballet incrível acontecer diante de meus olhos.

Movimentos flexíveis, harmoniosos, ordenados, como se ali estivesse um maestro invisível a coordenar toda aquela magia.

 No início, lento como a brisa, como se fosse um clássico repleto de detalhes.

Ainda como num clássico, mas tendendo a Tchaikovisky, os movimentos foram evoluindo com maior rapidez, tanta agilidade, até que, como uma grande ventania, começaram a se abraçar, a se beijar, a fazer ruídos como risadas!

Não resisti, pulei para aquele palco, arremessei-me entre eles, abracei-os.

Também os beijei, brinquei de aviãozinho entre eles, roçando em cada um  como uma serpente comprida e ligeira.

E com os braços estendidos como asas comecei a cantar, a correr, a sorrir,  a voar entre eles, com eles!

Somente quem já brincou por entre lençóis, toalhas e roupas dependuradas em varais a secarem ao sol, sabe o que senti naquele momento, quando fiz parte daquele ballet louco e feliz!

Livre e leve como uma borboleta em plena primavera.

 Mas não chegamos ao 2º ato.

A ventania foi tanta, tamanha e tão rápida, prenunciando um temporal, que tive que tirar rapidamente os bailarinos dos varais e convidá-los a pernoitarem dentro de casa, até que o sol saísse no dia seguinte, para que, no dia seguinte, continuássemos a voar livres e leves, como borboletas raras.

Como as borboletas azuis que (espantem!) ainda voam por aqui. 

 

 

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Vontade

 

 

Depois que bates a porta

do cofre

é que vais ver

se a chave está na gaveta?

 

Estais a brincar comigo?

e se lá não estiver

quem é que vai resgatar

minha lucidez?

 

Ris por quê?

queres me ver como louca

a dizer que amo a tudo

saindo ao vento

pisando o rio

nadando a chuva?

 

Queres ver-me longe

de tua vida?

e por que não me disseste

basta que me roubes

os sonhos 

basta.

 

 

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