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Archive for outubro \31\UTC 2010

31 de Outubro

 

 

Passei um tempo elaborando um texto que pudesse exprimir minha indignação, principalmente com os que se diziam feridos de morte e que agora se mostram tão corruptos e demagogos como os demais; a máscara caiu mais uma vez.

Desisti do texto, não posso perder o tempo que me resta, esse tempo precioso que pretendo gastar com assuntos e pessoas que realmente possam fazer a diferença, que possam acrescentar na evolução do ser humano. 

  

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III

 

Quando te pressinto

quase te toco

 

Quando te sonho

quase te vejo

 

Quando te abraço

quase adormeço

 

Quando te olho

quase me esqueço

 

Quando te amo

enlouqueço

 

 

 

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Recanto

O canto que tem encanto

 

Recorto

O corte cicatrizado, reaberto, tocado a fio

 

Ressurjo

Na esquina do riso cingido de giz

 

Renasço

E passo pelas passagens pegajosas e pueris

 

Recolho

 

 

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Ilha

 

 

Amo-te

e assim amo o que não tenho

 

Sinto-me um barco

à deriva de teus carinhos

porque não sabes

que navego as águas

de tuas angústias

de teus anseios

na tentativa de te levar

a uma ilha

um porto seguro

aonde possas respirar

 

Amo-te

como amo ao simples gesto

a um sorriso

tentando desenhar em teus olhos

uma paisagem serena

que te faça ao menos

adormecer

 

Amo-te

querendo ser alcançada

por tuas mãos

e cansada

deitar minha cabeça confusa

em teu ombro

povoar teus olhos

e poder dizer

Amo-te!

 

 

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 O que sinto por ti

é maior que qualquer mesquinhez alheia

que me possa constranger

 

O que sinto por ti

vem do pretérito

raízes profundas

canteiros mal resolvidos

que com cautela

precisam ser refeitos

 

O que sinto por ti

transcende  tempo e espaço

me habita toda

e não se importa com pequenezas

 

O que sinto por ti

nem tu sabes ao certo

 

Quem respira o que sinto

a cada segundo

sou eu 

 

 

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Outono

 

 

Meu amigo João, conversando comigo ao telefone, certo dia disse-me que havia um outono em minha voz.

Engoli o pranto e num esforço supremo lutei para não vacilar.

Não poderia entristecê-lo ainda mais.

Não poderia entristecer as pessoas que amo, não poderia.

Por esta simples razão tenho passado tempestades de neve sozinha.

A vida tem se mostrado tão cruel com a fragilidade do ser, que não posso pedir que se exponham ao gelo e ao vento comigo.

Sei que alguns se solidarizam, mas nem todos possuem fogueira e água para se manter.

Tento aquecer-me  com  lembranças e saudade.

Tento fincar os pés no chão para que o vendaval das mentiras e dissimulações não me arraste e me arrase por completo.

Tenho tentado, amigo João, tenho tentado.

Meus dedos doem, o frio os queima e é por isso que não tenho mais escrito com tanta frequência.

Você me pede uma carta de próprio punho, para matar a saudade de dias em que fomos felizes, crianças felizes, crescendo ao pé da jabuticabeira ou embaixo do caramanchão, como se fôssemos dois pequenos girassóis a descobrir a luz.

Tenho tentado, amigo, mas minha vista anda ruim, turva; às vezes quando saio a caminhar, onde eu via flores e jardins e pássaros, hoje só vislumbro vultos silenciosos, tristes e cambaleantes.

Meu estômago dói, pois a seiva que me sustentava se esgotou, junto ao último por do sol.

Meu coração não bate mais, apenas rebate a solidão.

Porém em minha mente brotou uma tênue luz porque, pelas suas palavras, amigo, pude perceber que ainda existe em alguma região inexplorada, uma ponte que me pode levar a um lugar enfim.

Se você acha que no tom de minha voz há um outono é sinal que já estou conseguindo sair deste inverno.

Talvez um dia nos encontremos amigo, talvez, e entre uma taça de vinho e um doce sorriso eu possa te contar das montanhas que precisei escalar para aprender conter o pranto e apenas ouvir, sorrir e silenciar.

 

 

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Solidão

 

 

Luto.

Fechado, absoluto.

Também morro, mas de tristeza.

Meu amor foi envenenado.

Primeiro foi enfeitiçado, depois envenenado.

E atirado contra mim.

Por isso desencantou-se com meu silêncio, com o brilho dos meus olhos.

Ignorou meu sorriso.

Fingiu não ouvir meu canto.

Jogou minhas palavras na lixeira, imprestáveis que passaram a ser.

Limpou as mãos em um lenço branco de cambraia, que um dia sorrateiramente havia furtado só para sentir meu perfume, para que não houvesse resquícios de algum carinho inacabado ou de uma singela lembrança, atirando-o ao vento.

Fascinado, correu ao encontro dessa feiticeira de anjos.

Aquela, que agora o faz caminhar pelas ruas da vida, a mostrar-lhe os jardins, os pássaros, os rios, os sonhos e os gestos sensíveis ao toque, embora nada disso faça sentido à ela.

Entregou-lhe a alma com a mesma calma que se colhe e se dá uma flor a quem se ama.

Partiu da minha vida.

Como se nunca tivesse feito parte de um só pensamento meu.

Talvez nem se recorde mais do meu nome, muito menos do meu eterno amor jurado há séculos entre um beijo e uma lágrima.

Por questão de sobrevivência, luto para encontrar um meio que me permita pelo menos respirar; afinal não é a primeira vez que me deparo com uma feiticeira a roubar-me a quietude.

Como os vegetais, necessito de luz e ar, porque passei a ser um, submerso na escuridão desta tristeza.

Tanta escuridão e meu amor nem sabe que morro a cada ausência sepultada no silêncio.

Luto.

 

 

 

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