Feeds:
Posts
Comentários

Archive for 11 de outubro de 2010

Solidão

 

 

Luto.

Fechado, absoluto.

Também morro, mas de tristeza.

Meu amor foi envenenado.

Primeiro foi enfeitiçado, depois envenenado.

E atirado contra mim.

Por isso desencantou-se com meu silêncio, com o brilho dos meus olhos.

Ignorou meu sorriso.

Fingiu não ouvir meu canto.

Jogou minhas palavras na lixeira, imprestáveis que passaram a ser.

Limpou as mãos em um lenço branco de cambraia, que um dia sorrateiramente havia furtado só para sentir meu perfume, para que não houvesse resquícios de algum carinho inacabado ou de uma singela lembrança, atirando-o ao vento.

Fascinado, correu ao encontro dessa feiticeira de anjos.

Aquela, que agora o faz caminhar pelas ruas da vida, a mostrar-lhe os jardins, os pássaros, os rios, os sonhos e os gestos sensíveis ao toque, embora nada disso faça sentido à ela.

Entregou-lhe a alma com a mesma calma que se colhe e se dá uma flor a quem se ama.

Partiu da minha vida.

Como se nunca tivesse feito parte de um só pensamento meu.

Talvez nem se recorde mais do meu nome, muito menos do meu eterno amor jurado há séculos entre um beijo e uma lágrima.

Por questão de sobrevivência, luto para encontrar um meio que me permita pelo menos respirar; afinal não é a primeira vez que me deparo com uma feiticeira a roubar-me a quietude.

Como os vegetais, necessito de luz e ar, porque passei a ser um, submerso na escuridão desta tristeza.

Tanta escuridão e meu amor nem sabe que morro a cada ausência sepultada no silêncio.

Luto.

 

 

 

Read Full Post »