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Archive for fevereiro \25\UTC 2011

Eterna II

  

 

Me abraça, mamãe,
me aconchega em teu peito
e deixa que eu escute
o pulsar da tua vida
que não bate mais
mas que corre
em minhas veias
em minhas buscas
 
Sorri para mim, mamãe
deixa que eu sinta teu riso
com meus dedos
meus olhos
percorrendo teu rosto no papel
assim, mamãe
me sentirei envolvida em tua luz
embora em pranto
 
Me faz dormir, mamãe
para que minha alma
encontre com a tua
e possa matar toda esta saudade
que eu não aguento mais
 

 

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Não me faças lembrar

que tiveste outras

antes de mim

 

Peço-te, acolhe-me

como se eu fosse a primeira

e a única

a invadir tuas noites

insones

convidando-te a dançar

 

Brinca comigo

de colar em meu corpo

estrelas brilhantes

que eu colarei em teus cabelos

os beijos que sempre quis te dar

 

Não me faças lembrar

que enquanto sonhava contigo

tu elegias outra para guardar

com carinho e calor

a tua vida

 

Não me faças lembrar

que depois do dia vem a noite

a noite que sangra

porque depois do amor

vem o adeus

mãos vazias num tempo

de carinhos esquecidos

 

Não me faças mais uma

apenas brinca comigo

como brincam aqueles que se amam

pela primeira vez

 

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Por Um Fio

 

Comprei flores para enfeitar a casa, conversei com pessoas estranhas.

Na pele, o fio quente da luz do sol.

Sentia-me passeando como em dia de domingo, com o meu mais doce sorriso.

 

Quando começou a garoar, temi que tu não viesse, embora tudo pronto.

 

Chove torrencialmente, a mesa posta e vazia, o telefone mudo.

As flores murcharam.

As pessoas são estranhas.

Na pele, o fio frio da faca.

 

 

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Meu Anjo,

Li seu pedido e não sei o que fazer.

Geralmente acontece o inverso, mas fico contente em saber que você também conta comigo.

Tentei cuidar de sua asa, mas parece que não foi o suficiente, agora a perdeu.

Não sei como ou onde procurá-la, pois nem asas tenho.

Também não sei onde fica essa vila de pessoas felizes que você tanto diz, senão lá me infiltraria, me impregnaria com sons e risos e os levaria à você, numa caixa linda de nuvem, com fita da cor de seus olhos só para contrastar.

Por certo, enquanto estivesse distraído em desamarrá-la, eu faria um carinho em seus cabelos e cantaria baixinho, até que você fechasse os olhos devagarzinho… e assim sonhasse, um pouco que fosse, para que a falta de sua asa não causasse tantas aflições…

Depois você acordaria lentamente e enquanto eu fizesse bolinhas de sabão e as soltasse pelo campo, pelo vento, pelo silêncio, você haveria de fazer algum verso, eternizando esse momento de suavidade e leveza, de simplicidade e realeza.

Não se importe em permanecer silencioso porque, você sabe, as palavras às vezes adormecem diante do que um perfume, um toque, um sabor, um olhar possam passar…

Eu poderia emprestar as asas de outro anjo para procurar a sua, ferida e perdida, mas também não sei voar.

Por isso, meu anjo, não sei como atender seu pedido, escrito nesta estrela que seguro em minhas mãos.

Mas caminharei o quanto for necessário para encontrar sua asa e também a essa vila, nem que para isso eu fira fundo meus pés.

Como já disse, não tenho asas, apenas sonhos.

 

 

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Thomas Alva Edison nasceu em 11 de fevereiro de 1847, em Milan – Ohio.

O maior inventor de todos os tempos, intitulado O Feiticeiro de Menlo Park.

 

Entre tantas contribuições que trouxe ao progresso da humanidade, como o 1º cinematógrafo, o fonógrafo, o gramofone, o cinescópio, o ditafone, o microfone, só para citar alguns, foi um dos responsáveis pela transição da era do vapor para a era da eletricidade.

 

Sempre associamos de imediato seu nome à lâmpada elétrica incandescente.

Quantos desafios ousadamente enfrentou, tanto no campo das pesquisas incansáveis, como no de altos investimentos para poder concretizar seus inventos.

 

É nessa altura do texto que faço uma pausa, imaginando se  Thomas Edison se espantaria com a escuridão em que vivemos.

Será que valeu a pena todos os seus esforços para, em pleno século XXI, estarmos vivendo no breu da ignorância, com medo da sinistra sombra da violência e das drogas, na negritude da corrupção, no vazio profundo da fome e das doenças, na negação obscura da ajuda, no negror tenebroso da omissão…

 

Depois de quase um século e meio, Thomas Edison veria nossas casas todas iluminadas, a despeito da escuridão das ruas e seus habitantes tenebrosos.

Veria a eletricidade correndo pelos fios de alta tensão, como o sangue corre em nossas veias, a despeito do envenenamento injetado pelos picos de drogas letais.

 

O que sentiria Thomas Edison ao ver vândalos atirando pedras nas lâmpadas de uma praça, após um jogo mal sucedido de futebol.

O que pensaria ao ver marginais atirando em holofotes dentro de túneis e viadutos, para que na escuridão possam ficar mais à vontade enquanto traficam e estupram.

 

Na idade da pedra os homens eram devorados pelos felinos, encurralados na escuridão de suas cavernas, sem chance de defesa.

Hoje os felinos continuam enxergando no escuro, para atacarem os menos avisados transeuntes, sem chance de defesa.

 

O que diria Thomas Edison ao constatar que as gerações sem ensino e sem educação e sem lar permanecem na escuridão da ignorância, que resumem uma conversa através de um vasto vocabulário de han-hans”, comunicando suas mães (apenas comunicando) que a gente vamos sair e que conseguiram bebidas de grátis nas baladas.

E o pior, não fazem a mínima idéia de quem continua sendo  Thomas Alva Edison na história da humanidade.

 

Não há mais perseverança e ousadia para enfrentar desafios; hoje, quando o homem não consegue ter o que quer, é mais fácil depredar tudo; é desta forma que ele resolve sua incapacidade ou sua apatia ou sua falta de coragem para atingir metas através do seu esforço, da sua luz.

 

Ou será que tudo o que estou pensando não tem nada a ver com o invento da lâmpada?

Acho melhor eu continuar lendo o texto para não enlouquecer, antes que eu comece a me perguntar para quê existir.

Tomara que Thomas Edison não tenha acompanhado meu raciocínio.

Não hoje, dia em que se comemora seu aniversário.

 

 

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Acorda com vozes sussurrantes.

Finge estar dormindo.

A cama a acolhe como um colo de mãe.

Sente-se aquecida, confortável, serena.

 

Conversam em outro idioma, essas criaturas de branco.

Falam sobre ela.

E ela sorri interiormente, já usou desse recurso para se expressar diante da não-comunicação, da impossibilidade de falar às claras.

E justo na língua que domina um pouco.

 

Querem observá-la mais.

Querem avaliá-la melhor.

Querem retê-la por mais dois dias.

 

O sussurro a entorpece.

As vozes se esvaem de sua mente, voam para longe, cada vez mais longe, até nada mais ouvir.

Mas, mesmo sonolenta, sabe que continua a sorrir.

Depois de três longos dias sem ver a luz do sol, sabe que está novamente no quarto.

Que pode ver a mesma paisagem.

Mentalmente visualiza no topo daquela rocha monstruosa, o esboço de uma coluna vertebral gigantesca, como se ela fosse a sustentação do mundo.

 

Essa montanha petrificada não possui o Cristo Redentor, mas ela sente o dedo divino apontando-lhe novo caminho.

De cuidados e muito carinho para com essa criança que ainda é.

 

 

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Estava a ler Santo Agostinho, filósofo polêmico, quando ouviu um Psiu!

Olhou de imediato para a porta, mas não viu sequer alguém.

Voltou à leitura, mas novamente outro Psiu!

Perscrutou a janela. Nada.

Levantou-se e encaminhou-se até a porta; talvez alguém a brincar de esconde com ela.

Nada.

Nem uma brisa sequer que pudesse indicar a presença de alguém.

 

Voltou à leitura e… novamente Psiu!

Agora pôde sentir da onde viera aquela sussurrante voz.

À medida que fechava o livro, sentia sua nuca arrepiar-se toda, arcando-se como uma gata assustada e com os pelos em pé.

 

E sua desconfiança cocretizou-se.

Santo Agostinho, o da capa do livro, todo paramentado de bispo, a ler outro livro, olhava-a com um tanto de irritação, Você ainda não aprendeu a segurar direito um livro? Mas que mal há no que estou fazendo… retrucou. Você está apertando meu nariz e, faltando-me o ar, não consigo ler esta encíclica e muito menos ficar quieto, imóvel, na capa deste livro! Perdoe-me, senhor bispo … (como devo chamá-lo?) não sabia estar molestando-o… Da outra vez, respondeu com um pouco mais de calma, preste mais atenção, está certo? (na Catedral chamavam-me de V. Emª mas gosto só do meu nome)

 

Agostinho, Agostinho… sabe que V. Emª colocou meu pai em sérios conflitos existenciais?

Em cada página de “Confissões” ele gemia baixinho, como se todos seus conceitos se despojassem de suas vestimentas seculares, para flutuarem diante de seus olhos revestidos de nova luz, de entendimentos profundos, de nova visão.

E quando a colocação era forte demais para ele, ia buscar entendimento junto a seu sogro, e assim ficavam filosofando sobre sua filosofia, Agostinho, até altas horas.

Mas tudo isso não te dá o direito, disse ele irritado novamente, de amassar-me o nariz e também minhas vestimentas!

 

Achou um pouco de exagero da parte dele e, por educação, ofereceu-se para passar sua túnica e seu nariz (que não estava machucado), pois afinal também era de papel.

Não é que Santo Agostinho aceitou?

Depois ela virou-se de costas para que ele vestisse seus paramentos ainda mornos pelo calor do ferro.

 

Enquanto estava aguardando, ela pensava que as pessoas do clero eram muito paparicadas, por isso manhosas, cheias de manias e grandezas; foi quando ele bondosamente indicou-lhe outra leitura “Descartes and Augustine” de Stephen Menn e, como em um passe de mágica, saltou para a capa do livro, continuando a leitura da encíclica, como se nada houvera.

Ela ficou olhando aquela imagem serena, de olhos baixos como a meditar; e assim ficou por um tempo que não sei, sentindo um torpor a invadi-la.

 

Quando despertou desse envolvimento, imediatamente rejeitou aquela situação inusitada que vinha à sua mente como se fora um sonho, nada mais.

Olhou atentamente para a capa do livro, como a verificar se tudo estava no seu devido lugar.

 

Diante da incredulidade dela que não soube mensurar o privilégio que tivera, Santo Agostinho, que também enfrentou sérios conflitos existenciais no que diz respeito ao mundano e ao divino, sentiu-se na obrigação de tomar uma atitude.

Certificando-se, pelo rabo do olho, que ela continuava a fitá-lo, desviou o olhar de seu livro e piscou para ela, como em cumplicidade.

 

E antes que ela atingisse o auge do delírio de sua febre de quase 39ºC, disse-lhe Cogito, ergo sum!

 

 

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