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Archive for 16 de fevereiro de 2011

 

Meu Anjo,

Li seu pedido e não sei o que fazer.

Geralmente acontece o inverso, mas fico contente em saber que você também conta comigo.

Tentei cuidar de sua asa, mas parece que não foi o suficiente, agora a perdeu.

Não sei como ou onde procurá-la, pois nem asas tenho.

Também não sei onde fica essa vila de pessoas felizes que você tanto diz, senão lá me infiltraria, me impregnaria com sons e risos e os levaria à você, numa caixa linda de nuvem, com fita da cor de seus olhos só para contrastar.

Por certo, enquanto estivesse distraído em desamarrá-la, eu faria um carinho em seus cabelos e cantaria baixinho, até que você fechasse os olhos devagarzinho… e assim sonhasse, um pouco que fosse, para que a falta de sua asa não causasse tantas aflições…

Depois você acordaria lentamente e enquanto eu fizesse bolinhas de sabão e as soltasse pelo campo, pelo vento, pelo silêncio, você haveria de fazer algum verso, eternizando esse momento de suavidade e leveza, de simplicidade e realeza.

Não se importe em permanecer silencioso porque, você sabe, as palavras às vezes adormecem diante do que um perfume, um toque, um sabor, um olhar possam passar…

Eu poderia emprestar as asas de outro anjo para procurar a sua, ferida e perdida, mas também não sei voar.

Por isso, meu anjo, não sei como atender seu pedido, escrito nesta estrela que seguro em minhas mãos.

Mas caminharei o quanto for necessário para encontrar sua asa e também a essa vila, nem que para isso eu fira fundo meus pés.

Como já disse, não tenho asas, apenas sonhos.

 

 

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