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Archive for abril \30\UTC 2011

Amo-te

Quero segredar-te o mais íntimo

de minha alma

para o teu olhar

para tuas palavras macias

 

Quero transbordar-me

em tua boca

em um único beijo

minha plenitude

minha eternidade

 

Quero tocar-te fundo

e sempre

com sede de reconhecimento

e de reencontro

 

Quero roubar um gemido da tua pele

um prazer do teu olfato

uma marca do teu riso

um sussurro da tua dor

 

Quero sentir teu corpo dissolvendo-se

em todo o calor do meu corpo

e em meus braços,

em lágrimas

e alívio

 

Mas como te amo

somente por isso

prefiro-te liberto

como uma ave em rumo pleno

como um oceano a correr rios

como uma aurora saciada de luz e calor

 

Ainda que fora do alcance de minhas mãos

 

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“O povo é quem mais ordena e fará a ordem das coisas e da vida, como esse cheiro de um cravo vermelho que plantado está em mim, como se fosse minha terra, essa terra que também é minha”.

Álvaro Alves de Faria

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Como estou prevendo uma possível viagem ao encontro da Natureza, deixo aqui esta mensagem com alguns dias de antecedência.

 

Consultando enciclopédias, encontrei algumas informações sobre a Páscoa.

Sei que algumas pessoas as conhecem, mas nunca é demais.

Comemoração antiga, onde na Idade Média o povo pagão germânico cultuava a deusa da Primavera, cujo nome, Ostara, significava páscoa; na mitologia grega conhecida como Deméter e na romana, Ceres.

 

Páscoa, do hebraico Pessach, significa passagem.

Para os pagãos, passagem do inverno para a primavera.

Para os judeus, da escravatura do Egito para a libertação na Terra prometida.

Para os católicos, da vida terrena para a vida espiritual de Jesus.

Permitam-me acrescentar que, para os poetas, da dor e da desilusão para o ressurgimento constante dos sonhos da alma.

 

A simbologia do coelho representa a fertilidade e dos ovos coloridos e brilhantes, a luz solar.

Do cordeiro, o espírito renascido.

 

O que mais posso dizer sobre a Páscoa… tantas lembranças… família sempre reunida…

Tinha horror em ir à igreja beijar Jesus morto. Chorava e não dormia noites seguidas, diante da visão de tanto sofrimento.

Vem-me à mente, enquanto escrevo, que talvez este tenha sido um bom motivo pelo qual tanto relutei, na minha adolescência, em ver uma pessoa morta.

 

Mas gostava mesmo era de participar da procissão, onde minha irmã Rosa e eu, vestidas de anjos, sentávamos em um patamar em cima de um jipe, ladeando Nossa Senhora.

Meus oito anos não me permitiam ter a noção daquele denso ritual e, por isso, quando eu avistava minha mãe na sacada do banco francês e italiano, na rua principal da minha cidade, cutucava minha irmã e então acenávamos para ela, chamando-a efusivamente, Mamãe! Mamãe!,  jogando beijinhos e sorrisos.

Completamente fora do contexto da Procissão do Encontro entre Jesus já morto e sua Mãe dolorosa.

As freiras faziam cara feia, o motorista do jipe dissimulava um sorriso e o padre vinha nos aquietar, dizendo ser a última vez que participávamos da procissão.

Mas como meu pai era muito católico e pertencia à Ordem Terceira de São Francisco, todo ano garantia esse lugar para nós duas, seus  anjinhos (do pau oco, dizia Margarida, a mais nova).

 

Lembro-me também dos nossos domingos de páscoa, nosso vovô Cintra cercado por seus filhos, netos e tantos outros compadres e amigos de meus pais…

 

Hoje em dia, supermercados e casas do ramo estão repletos de chocolates e ovos de páscoa já no início de março.

Depois de tudo vendido, Olha a promoção, dona! Compre dois e leve três! E agora, qual vai ser o próximo feriado, alguém indaga entre uma ansiosa escolha e outra; depois da data consumada, tudo termina como se nada houvera.

 

Tudo cai no esquecimento, como com outras datas ditas importantes.

Esquecimento não, porque há pessoas que nem sabem o que significa aquela ou esta data; apenas passam por elas, como passam pela vida apenas.

 

 

 

 Até a volta

 

 

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Involução

 

enquanto houver ostentação

enquanto houver inveja

enquanto houver violência

enquanto houver egoísmo

enquanto houver calúnia

enquanto houver vaidade

enquanto houver mesquinharia

enquanto houver escuridão

nunca haverá poesia nas palavras

nunca haverá lugar para o Amor

nesta Terra

 

 

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Não há muito que falar porque, na verdade, não consigo raciocinar.

E eu que pensei (quanta ingenuidade!) que não aconteceria nada igual ou pior ao ocorrido a Isabela Nardoni.

E aqui está um quadro horrível, repulsivo, retratando mais uma vez os  vários segmentos da sociedade e da constituição familiar falidos.

Não vou entrar em detalhes, esse assunto já se esgotou e nada é feito.

 

É preciso que se peça proteção a Deus para sair de casa, para voltar para casa, para ficar em casa.

Não há como confiar na proteção do homem, no cuidado, atenção e carinho que ele deveria dedicar à sua própria raça, porque isso simplesmente não mais existe.

 

Gostaria de deixar registrada uma palavra de alento aos familiares dessas crianças que acreditavam que, aprendendo, conseguiriam um lugar ao sol, quem sabe retribuir a seus pais toda a dedicação em um futuro não muito distante.

O que dizer a esses pais que se esforçavam para que seus filhos tivessem um preparo melhor, achando um tempo em suas vidas corridas e sofridas para deixá-los na escola e para que seus filhos, um dia, não lhes dissessem que há várias autoridades neste país que mal aprenderam a escrever seus nomes e lá estão como majestades.

 

A pergunta que não me abandona desde o momento que tomei conhecimento dessa tragédia, desse massacre no colégio do Rio: aonde esse rapaz conseguiu tanta munição e armas? Aonde aprendeu a atirar com tanto requinte de perversidade e precisão?

E o que dizer então à família desse rapaz… e aqui fica, em uma derradeira tentativa, um convite à reflexão ao tipo de educação familiar que vem sendo direcionado aos filhos.

 

Não sei o que dizer a eles, nada teria sentido, nada abrandaria seus corações, nada apagaria esse quadro de horror da mente das crianças que sobreviveram.

Deixo aqui, mentalmente, meu abraço afetuoso a cada uma dessas famílias, desejando que neste gesto chegue a eles todo o meu amor e pesar.

 

Isabela querida, pedi muito em minhas preces para que você pudesse  receber esses outros anjinhos; só você sabe a extensão dessa dor.

 

 

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E o leopardo que a havia ferido de morte passeava soberanamente pelo jardim, como se nada houvera.

Deixava suas pegadas de sangue em cada margarida que pisava e matando sua sede tingiu as águas da fonte, como se ali depositasse todo o terror de sua irracionalidade.

Quando se deitou à sombra de uma árvore, a mesma em que costumavam descansar,  ainda arfava e sua pele suada estava quente e reluzindo ao sol e em seus olhos profundos a faísca do ocorrido ainda persistia, brilhante, intensa  e ameaçadora como suas presas.

Lambeu suas patas como se apagada pudesse ser a evidência daquela brincadeira mortal, ainda sentindo entre as garras o perfume tão conhecido dos passeios matinais.

No alvo leito, aquela que um dia o salvara de outros felinos quando ainda um pequeno filhote, daqueles felinos maiores e mais fortes e mais perigosos, agonizava em silêncio.

Sabia que trazia na alma e no corpo as marcas da luta que travara com ele, das garras que impiedosamente dilaceraram seu coração, seu riso, sua possibilidade de caminhar e encontrar-se com o resto de sua vida; marcas que nem o tempo apagaria mais.

Antes que seus olhos se tornassem apenas dois pedaços de vidro, tomou as mãos de seu amor entre as suas, fazendo-o jurar que não maltrataria aquele animal; ele nunca teria consciência do que havia feito, apenas sentiria sua falta no início mas, com o passar das horas, a esqueceria e nada mais.

Num último suspiro fez também um juramento silencioso que levaria consigo por toda a eternidade.

E o leopardo, satisfeito e  refestelado na grama do jardim, abriu sua enorme boca, bocejando preguiçosamente. 

Depois dormiu.

 

 

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Solidão II

 

 

 

 

daqui te vejo

  daqui te amo

 daqui te chamo

 e aqui me engano

 

  

 

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