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Archive for 6 de maio de 2011

Um dia, depois da chuva, encontrei você no meu jardim.

A princípio olhamo-nos desconfiados, você com medo de mim, eu com medo de você.

Fiz menção em me aproximar e você recuou.

Eu tinha certeza que a qualquer momento você pularia em mim.

Por isso, entrei correndo para dentro de casa.

Fiquei espiando você da janela, atrás do vidro.

Você, imóvel, só me olhava com aqueles olhos de jabuticaba.

Tomei coragem e voltei para o jardim.

Desta vez você não se afastou.

Abaixei-me e continuamos a nos olhar.

Abaixei-me ainda mais e coloquei minha mão esquerda estendida à sua frente, com a palma para cima, para mostrar-lhe que não trazia nada que pudesse feri-lo.

E você entendeu que eu estava completamente desarmada.

Então você pulou na minha mão e eu pude trazê-lo bem perto do meu rosto.

Mostrando que na outra mão também não havia nada de ameaçador, ousei um carinho.

E você gostou.

Olhei para um lado, olhei para outro.

Ninguém à vista.

Dei-lhe um beijo.

Não foi tão rápido, mas também não muito molhado.

Foi um toque sutil, um toque que traz memória.

Você continuou sapo.

Eu continuei menina.

E hoje somos o que somos.

Até aprendi a coaxar.

 

 

Fiz esta redação escolar aos 14 anos de idade, deixando as freiras do colégio preocupadas, ao mesmo tempo que surpresas.

Relendo-a constato que já àquela época sentia-me desiludida por não encontrar o príncipe dos meus devaneios.

Depois de tanto tempo ele deve ter passado pelo meu caminho, mas não pelos meus olhos porque, com receio de me despertar, seguiu para as suas lutas e conquistas.

Talvez tenha preferido permanecer apenas como um sonho em minha vida.

Se alguém encontrá-lo diga-lhe que continuo completamente desarmada e ainda adormecida, esperando por um beijo doce e demorado.

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