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Archive for abril \30\UTC 2012

Perdão


Perdoe-me amor

por invadir tua vida

sem me anunciar

sem sequer perguntar

se por aquela porta que aberta estava

eu poderia entrar

 

Se me recebeste em tua vida

por pura falta de jeito

em me dizer

que aquela sala iluminada

aquele vaso de flores

não eram para me esperar

 

Perdoe-me amor

se me acostumei amanhecer

olhando teus olhos

cravados em minha alma

e as hortênsias que crescem em silêncio

tão lindas no meu jardim

 

Se quiseres

posso partir de ti

onde um dia cheguei

para que vivas

em paz

 

 

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Sentimento

 

 

Julgo o dia pelo sentimento

não pela aparência

 


 

 

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Momentos

 

  

 

Costumo ouvir minha alma somente

quando amanheço

quando entardeço

quando anoiteço

 

 

 

 

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Adeus II

 

No dia em que foste embora

chorei tres noites e tres dias

depois

nunca mais chorei

 

No dia em que abri minha caixa de lembranças

reli todas as cartas e bilhetes

depois

nunca mais os li

 

Transmutaram-se em cinzas,

amor e cartas,

como pássaros perdidos no deserto da saudade

já sem asas e vôos possíveis

 

Como um dia também serei

cinzas aos pés de uma árvore

ou navegante em um mar sem fim

ainda não decidi

 

No dia em que foste embora

enterrei as unhas no meu corpo

depois

nunca mais amei

 

 

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Aquele homem triste e cabisbaixo estava sempre caminhando na contramão.

Quando a maioria das pessoas apagava a luz para dormir, ele levantava-se.

Antes de caminhar, sentava-se em um banco do jardim e sempre encontrava um tempo para admirar a lua que já se desenhava no manto noturno.

Quando não surgia, entregava-se à carícia das estrelas.

 

Quando todos se levantavam, esse homem triste fechava sua janela e seus olhos e dormia quase que de imediato.

De certa forma esse estar só provocava-lhe cálido conforto.

 

Embora sentisse que o pensamento que o pegava de sobressalto era incoerente com a disciplina que havia aprendido com seus pais, estar ausente de tantas trivialidades, banalidades mesmo, trazia-lhe certo fortalecimento interior, provando-lhe a vida que o curso do tempo não dependia de promessas monótonas que, de tão repetitivas, tornavam-se insignificantes.

 

Talvez, por isso, sentisse tanto desânimo e tristeza na maioria das pessoas.

Também sentia uma vergonha acentuada na sombra de seus olhos, por ser obrigado a situações que não escolhera.

Talvez, por isso, quisesse ficar em silêncio consigo mesmo.

 

Quantos não sentiam o frescor da noite acariciando seus pensamentos, por mais doloridos que fossem…

Quantos conseguiam perceber que ser amado por tantos às vezes torna-se tão pesado quanto arrastar pedras.

Quantos não sentiam a si mesmos…

Quantos de tantos, indagava-se.

 

Quando esse homem triste dormia, o que perdia de mais importante que a presença da natureza em sua vida? Nada, mesmo que os outros estivessem trabalhando, produzindo.

Isso ele também fazia no decorrer da noite, além de encontrar-se com as surpresas da madrugada no seu caminhar.

 

Estar na contramão traz sempre descobertas, desafios, reflexões, palavras que muitos não são capazes de dizer; é conseguir enxergar e não apenas ver.

Estar na contramão é muito bom; só assim posso ser íntegro comigo mesmo, pensava ele, aconchegando-se às cobertas, antes de cerrar as janelas e os olhos.

E dormir sonos sem sonhos.

Apenas dormir.

 

Só não entendia o porquê de, no meio dessa contagiante satisfação interior, ainda se sentir triste…

 

 

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Infidelidade

 

Sempre que o sapo sapeia

sem pressa

no lago

a sapa sapateia

sozinha

entre as pedras

procurando sentir

o esconderijo

secreto do sapo

 

Mas, em vão

a sapa volta

aos saltos

lembrando-se dos

sapinhos sonâmbulos

que podem cair

de sopapo

de alguma vitória régia

solta do lago

 

Lá pelas tantas

o sapo sabido

retorna

encontra os sapinhos

sonolentos e silenciosos

e um bilhete

em cima da mesa:

agora é minha vez

de sapear por aí

cuide de seus sapecas filhinhos

so long,

sapa solitária


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Gostaria de deixar alguma mensagem sobre a Páscoa antes de viajar.

Refleti durante mais este dia que passou pelo tempo e me senti estranha porque, diante de tantas barbáries que vem ocorrendo e às quais ficamos expostos e completamente inseguros, não sei se tenho alguma palavra boa para deixar aqui.

Aliás, eu as tenho sim, mas acho que não fazem mais sentido para a realidade que se vive hoje.

Não posso apenas escrever lindas frases, repletas de esperanças, somente por causa da data.

Cansei de brincar de Polyana.

Reparei que dia a dia estou tornando-me cada vez mais calada.

O que dizer?

Para quem dizer?

Por que dizer?

Só sei falar de amor, mas o que me invade são longas noites, noites escuras, intermináveis, eternas e já não sei onde guardei as velas que se acendem somente dentro de mim, para poder iluminar estes momentos de tantas incertezas, tantas inversões de valores.

Só sei falar de amor, da natureza, do silêncio das bibliotecas, da música cálida ao piano, do beijo roubado, do mel de um certo olhar, do cair da chuva como lágrimas…

E há pessoas que riem, não usam palavras explícitas, mas me olham como se eu fosse um objeto de antiquário.

Confesso que esse pensamento até me causa orgulho, por não ser igual a essa falsa atualidade, essa fútil modernidade.

Mas, o que dizer?

Se falar de amor já é motivo suficiente para risos, imagine comentar sobre a Páscoa, sobre Jesus– meu Avatar– em renovação da vida…

A verdade é que, em meio a toda essa turbulência que estamos vivendo em nosso país e no planeta, onde leis dormem profundamente em papéis esquecidos no fundo de gavetas, onde estupro de menor já não é mais crime, onde se trafica drogas e mulheres, onde menores andam armados e maiores engomados e patenteados fingem não ver, vivemos um vale tudo, uma roleta russa…

Alguém há de pensar que estes não são pensamentos adequados para a semana de Páscoa.

E por que esses mesmos pensamentos de Páscoa, Natal, final de ano, aniversários etc. não se estendem para os demais dias do ano?

Afinal, comemoramos o quê? datas ou fatos?

Precisaríamos vivenciar profundamente o sentido da Páscoa, pelo próprio significado da palavra; talvez assim conseguíssemos vislumbrar o recomeço de nossas vidas, a renovação dos sentimentos, palavras e atos.

Mas como sei falar apenas de amor, não consigo pensar em alguma mensagem; a verdade anda requintadamente vestida de crueldade.

Calo-me e recolho-me na minha insignificância, esperando passar alguns dias calmos junto e diante da natureza, em comunhão com minha paz interior.


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