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Archive for 25 de junho de 2012

Cabocla

Alzira, moça bonita, de olhos verdes penetrantes, cabelos negros e sorriso radiante, foi um anjo de guarda que apareceu em minha vida e de minhas irmãs, quando pequenas.

Acompanhava-nos em viagens, ajudando minha mãe a cuidar de nós com tanto carinho.

Lembro-me de Alzira cantando canções antigas, enquanto escovava nossos cabelos com tanto esmero e paciência.

Todos os domingos, depois de nos arrumar, verificava se estávamos prontas e bonitas para irmos à missa das dez horas com nossos pais.

Alzira, moça prendada, que cozinhava alimentos cheirosos e gostosos, encantou o coração de Chiquinho, o leiteiro que morava na mesma fazenda que ela, a do avô de minhas primas.

Ele, que tinha um coração italiano apaixonado, desde o primeiro dia que a viu nunca mais conseguiu viver sem ter ao lado sua Alzira.

Toda manhã Chiquinho levava leite em casa e, mal entrando pela porta do fundo, quando não a via, ia logo tirando seu chapéu e perguntando, Cadê minha cabocla?

Se ela não o ouvia por estar longe, alguém corria chamá-la e, vindo rápido, lhe sorria como o sol em dia pleno de festa no campo, Meu amor, quer uma xícara de café?

Enquanto ele a bebia, embriagava-se nos olhos de Alzira, trocando sorrisos, silêncios e pequenos carinhos.

Depois ele beijava sua testa, colocava seu chapéu e se ia e Alzira suspirava.

Todo dia era assim, um cafezinho, uma troca de olhares e um suspiro, daquele amor que não se vê mais.

Este pensamento me veio depois de remexer em minha caixa de lembranças, onde encontrei uma foto de mamãe e Alzira com minha irmã Rosa no colo, sentadas em um banco de madeira, no meio de árvores frondosas, por certo em um daqueles passeios gostosos de domingo.

Seu sorriso ali eternizado é lindo, é forte, ao mesmo tempo que terno, repleto de doçura e luz.

Onde andará essa cabocla e seu amor…

Será que hoje já se encontram a visitar minha mãe, fazendo piquenique em alguma estrela?

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