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Archive for setembro \27\UTC 2012

Lendo a matéria da Veja desta semana, não pude deixar de lembrar da França dos idos 1624, quando o Cardeal e Duque de Richelieu, Armand Jean Du Plessis, exercia poderes plenos na Igreja e no Estado, simultaneamente como cardeal e primeiro ministro de Luís XIII.

Manipulava as normas da igreja de acordo com os interesses políticos e assim se projetou como o arquiteto do absolutismo na França e da liderança francesa na Europa.

Sua administração foi assinalada por inúmeros feitos, citando como exemplo sua política de tributação entre as classes mais baixas, criando um estado de revolta endêmica em diversas províncias.

Destruiu o poder político e a capacidade militar dos huguenotes e deu continuidade à política absolutista de Henrique IV.

Mais tarde alia-se a protestantes alemães contra os católicos que governavam a Espanha, tudo em nome da tranquilidade e segurança da França.

E por aí vai.

Mas, nítido na mente, fatos ocorridos há quatro séculos atrás.

 

E por assim ser, senti um assombro imenso e dolorido ao constatar o retrocesso que está ocorrendo em nosso país.

Retrocesso de idéias, de avanço democrático, de respeito ao indivíduo e à Constituição.

Essa indistinção entre religião e política carrega o estigma de manobra oportunista para obtenção de votos e nada mais.

Não há objetivo, não há metas, não há sentido plausível; apresenta sim, o quadro lastimável de candidatos sem rumo, mas que querem exercer o poder a qualquer custo, não se importando com o destino real da população; não há nada além que palavras vazias, promessas inúteis, sorrisos amarelos.

Diante dos fatos que se apresentam, sou invadida por dois sentimentos extremos: um, de repulsa ao ver a manipulação descarada desses homens que, infelicidade, cheiram a corrupção e destruição do exercício à cidadania.

Outro, dessas pessoas tão crédulas, confusas e perdidas, zumbis de igrejas sem vontade própria, deixando-se levar… para onde? para nada e tudo em nome de Deus.

Temente ao possível retorno da era Richelieu neste Brasil que já não reconheço mais ( a pátria que tanto amo não é esta), dediquei-me à leitura de um e-mail que recebi de meu amigo, historiador, sociólogo e escritor Antonio Carlos Tonca Falseti justamente sobre esse assunto.

Transcrevo aqui um trecho para reflexão, como um grito sufocado de socorro, de alerta e de tomada de consciência.

Ainda há tempo, ainda.

 

“Na verdade, a política que devia estar na realidade para resolver problemas, perdeu terreno para o sobrenatural.

Os políticos não conseguem sozinhos chegar ao paraíso da sociedade mais justa. Por isso prometem através dos pastores, o céu da ilusão.

Na política populista, o céu é o limite e quem pode abrir a porta do céu é a antiga chave de Pedro.

A igreja católica perdeu a chave e uma dezena de outras igrejas copiou.E quem tem o segredo de Pedro são todos os pastores midiáticos do nosso Brasil.

Pobre política que ficou escrava da fé e de um povo sem fé na política, que só falta agora prometer o céu para ganhar a eleição.

De fato, estamos em um inferno político e pelo jeito sem saída, se continuarmos praticando a democracia dessa maneira.

Os políticos estão excomungados.”

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Saudade III

Não demores tanto

Morro-me um pouco a cada instante

                                                                                                 

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Poética

A poesia é triste

porque vem da alma

e a alma é triste

porque encerrada no corpo

como pássaro preso no tempo

canta mas não pode voar

até que o aceno o liberte

e assim, finalmente,

possa revoar emoções

 

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Sonho

consciência

do inconsciente

 

Barco à deriva

margens ocasionais

névoa iluminada

 

Pássaros ocultos

mata fechada

flores silvestres

 

Correnteza

subconsciente

queda vertical, destroços

 

Salto na cama

lúcida e assustada

procuro novo barco

 

Para prosseguir sonhando

 

 

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