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Archive for outubro \29\UTC 2012

32

32 Mortos neste final de semana.

 

 

 

 

Para quem preciso pedir permissão

 

 

para poder sair desta prisão

 

 

domiciliar que se transformou

 

minha casa?

 

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Quando o governo foi ao paraíso, o povo, que o dotou de asas celestiais através de seus votos, foi banido para as profundezas do inferno.

 

Com o que se apresenta no momento, ainda é possível se resgatar a moralidade, a ética, a saúde física, intelectual, cultural e política neste e deste país?

 

Fico penalizada quando consigo vislumbrar nosso futuro, só quando consigo e geralmente não consigo.

Mas como náufragos agarrados a uma única tábua de salvação, podemos tentar (mais uma vez?) dar um passo em direção à esperança.

 

Enquanto a democracia existir, devemos exercê-la sem nos amarrarmos às migalhas ou a tapa bocas como a bolsa família, bolsa escola, vale gás e, que bela novidade!, o Brasil Carinhoso (fico  tão comovida…).

A meu ver, aliciar as classes sociais menos favorecidas é um ato indecente, mesquinho, imoral e pobre demais para um governo que se diz O governo, que de ético e digno fica a desejar a todos nós.

 

Será que ainda nos sobra coragem para rompermos esse laço que existe somente em nossas mentes e não mais (há muito tempo, mesmo) nos atos desses pobres poderosos que nos abandonam à revelia da sorte?

Digo pobres porque o retorno há de vir; a impunidade é apenas um artifício podre de que se valem os corruptos.

 

Sejamos conscientes, olhando ao redor com olhos de enxergar (e não apenas de ver) para sentirmos profundamente a miséria tomando um vulto já incontrolável, acompanhada da total deseducação e da violência irrefreada.

 

Temos uma pequena chance de não permanecermos estudante e estudantA na vida e sim, cidadãos dignos, íntegros e humanos, no sentido mais elevado da palavra.

 

 Diga não aos corruptos.

 

 

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para Álvaro Alves de Faria

 

 

 

 

Quando te olhei pela primeira vez, sabia-te pastor.

 

Pedi permissão para me aproximar e com um aceno convidaste-me a ouvir histórias dos ventos que apascentam tuas ovelhas.

 

Ofereceste-me abrigo sob o luar, junto ao instante da noite e vislumbrei tua luz nas fagulhas e no fogo a crepitar e no límpido céu estelar.

 

Tuas ovelhas, mansas, serenas se aconchegaram a teus pés, fechando lentamente seus olhos molhados de amor.

 

Então tocavas doçura na tua flauta encantada para que, a sono profundo, tuas ovelhas continuassem a sonhar.

Com relvas tenras, com flores risonhas, com sombras de árvores maternas e água fresca a jorrar de tuas palavras.

 

Era quando sentias um pouco da imensa solidão dos poetas.

Mas ao vê-las quietas e ressonantes, sorrias para o tempo e para tuas mãos que sempre souberam decifrar tua alma diante da silenciosa eternidade.

 

Com o correr do tempo na pele, aprendi a balir com tuas ovelhas e hoje minha voz mistura-se a delas, suave, imperceptível, constante.

 

Quando te olhei, sabia-te pastor e humano.

Sabia-te encantador de ovelhas.

Como da primeira vez.

 

 

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Estou indo ao encontro da Natureza, respirar ar puro, ouvir pássaros.

Poder, no final da tarde, sentar-me na escadinha do quiosque e assistir a mais um por do sol.

Com o coração pulsando amor e saudade.

 

Saudade da infância, dos aniversários alegres, dos infindos dias das crianças tão esperados e tão mágicos…

 

Lembrei-me então de uma passagem perto dessa data que minha irmã Rosa jura, de dedos cruzados nos lábios, que fui eu quem causou o episódio que logo mais vou contar, e eu, por minha vez, juro de pés juntos que foi ela a dar a cartada decisiva.

E assim estamos a jurar por todo o sempre.

Quantos anos tínhamos? Talvez 8, 10 anos.

 

Certo dia, no intervalo da aula, quando descíamos para o recreio da manhã, uma amiguinha nossa (que já não me lembro o nome), querendo contar vantagem para cima de nós… O quintal da minha casa é enorme!

A Rosa respondeu de imediato, O nosso vai até quase o outro lado do quarteirão!!

 

A menina sentindo que não surtira efeito algum… No meu quintal há vários balanços, um para cada irmão!

Então rebati, Além de balanços (que havia mesmo), no nosso quintal há gangorras para todos nós!!

É isso mesmo!, reforçava a Rosa.

 

Ela não se deu por vencida e irritada… Mas no meio do meu quintal há um enorme escorregador!!!!!

Minha irmã, indignada, não querendo que perdêssemos a “causa”, não vacilou um segundo, Isso não é nada! No nosso quintal há uma roda gigante!!

 

A menina arregalou os olhos e eu fiquei sem fala.

Uma roda gigante igual a essas de parque?

Igualzinha, não é Isabel?

Eu não conseguia falar, apenas balançava a cabeça.

O sinal de volta a aula nos salvou.

Saí correndo, mas com tempo de ver o ar triunfante de minha irmã e o assombro de nossa amiguinha.

 

O tempo passou e chegou o dia das crianças.

Estávamos brincando no quintal quando alguém nos avisou que havia algumas meninas nos chamando no portão.

Era nossa amiguinha acompanhada de um comitê de meninas do colégio.

Ficamos surpresas, mas descemos as escadas para recebê-las.

Oi, Rosa! viemos ver sua roda gigante! podemos andar nela?

Nós duas trocamos um rápido e sutil olhar e, pela primeira vez, vi a Rosa em apuros, sem uma resposta a dar.

Senti que não poderia deixá-la na mão, Ah!… que pena!!! meu pai mandou retirar ontem para consertar e não chegou até agora, disse eu sem gaguejar.

Todas ficaram decepcionadas, arrasadas mesmo e foram embora.

Nem lembraram das gangorras, pensei eu aliviada.

 

Passaram alguns dias e a menina… Rosa, a roda gigante já voltou?

Ela, fingindo a maior naturalidade, Ainda não; acho que meu pai vai devolver, não tem conserto… 

Essa é a versão de minha memória.

Essa é uma das deliciosas recordações que tenho de um dia das crianças, quando éramos felizes e sabíamos.

 

 

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Fecho os olhos, respiro profundamente e vislumbro os teus cômodos mais íntimos.

Aquele onde teus vestidos luxuosos permanecem estáticos.

Aquele onde teus sapatos se calam sem caminhos.

Aquele onde tuas jóias adormeceram em caixas silenciosas de veludo.

Aquele onde um espelho de parede inteira não mais reflete tua imagem.

Aquele onde um batom permanece aberto, como se fora usado a pouco, acenando o inacabado.

Nada se move, silêncio profundo, penumbra.

 

Necessitando de ar, permito-me correr as cortinas do quarto e abrir aquela porta que dá para o jardim, onde pássaros e flores seguem o curso natural da vida.

É quando os cômodos são invadidos primeiro pela brisa e depois pelo sol e essa lufada de vento e luz me faz constatar que realmente é primavera e que estamos na presença uma da outra.

Sei que estás ali, com teu riso farto, tua naturalidade, tua espada de guerreira nas mãos, tuas palavras doces e tua vontade tão grande de viver.

 

Em uma entrevista me fizeste lembrar, o que me sensibilizou, um dos escritores que tanto amo, José Saramago,  quando falaste “não tenho medo de morrer, mas tenho uma peninha… adoro conviver com as pessoas, meus cachorros, meu trabalho, conhecer lugares.”

 

Tão forte tua presença que cheguei a ouvir tua risada e a sentir, mais uma vez, a imensidão da tua luz, a distância que um simples gesto teu pôde alcançar, o pedaço de teu coração que entregavas junto a cada carinho.

 

Então me certifiquei de que teus cômodos mais íntimos não foram os que de imediato vislumbrei, porque não importa o que tenhas deixado pelos cômodos de tua casa e sim, o que guardavas em teu coração e transbordava em tuas emoções: Vida!

Sem medo de críticas, julgamentos, rótulos, sem receio de nada, porque o que expunhas era autêntico, tua alma rara.

 

Cerro as cortinas e antes de deixar esta visão, coloco uma rosa, a que mais gostavas, em teu travesseiro, certa de que a receberás aonde quer que brilhes agora.

Querias apenas ser feliz, Hebe Camargo, e assim o foi.

Linda de ver, Linda de viver!

 

  A vida é tão bonita e eu tenho tanta pena de morrer”

José Saramago

 

 

 

 

 

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