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Archive for janeiro \28\UTC 2013

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Até Quando?

 

 

 

 

 

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Toutchat

Aonde estás

minha alma de anjo?

Pudera afogar esta saudade

em beijos

carícias

aconchego

Partiste para onde

se sempre perto de mim

te sinto…

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Lembranças III

 

Há fotos que não precisam ser

conservadas

através do tempo

As guardadas na memória

que contam nossa razão

de viver

 

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Esperei por você a três dias e três noites da data conforme combinamos.

No primeiro dia choveu pela manhã e os carros que passavam rente à calçada respingaram alguma água da poça no meu casaco, aquele que comprei somente para ir encontrá-lo.

Mas não liguei porque estava tão feliz… um pouco ansiosa,  é verdade.

À noite vi na curva daquela rua que não sei por que me parece tão familiar, aquele ônibus antigo, de um verde que não se vê mais.

Parando no ponto, senhoras com chapéus um tanto exagerados desceram e também senhores de bengalas com cabos de prata e anéis de doutor a exibirem nos anulares.

Como sabemos você não veio, senão não estaria escrevendo neste instante, correndo o risco de minha carta não encontrá-lo caso você tivesse resolvido vir ao meu encontro.

 

No segundo dia o céu estava muito limpo e não sei por que me senti mais leve; na verdade senti sua aproximação, como se lá na esquina você já estivesse.

Pedi para um garoto comprar um lanche, receando deixar a parada de ônibus justo no momento em que você pudesse chegar.

Meio penalizado, o garoto me fez companhia enquanto eu comia, contando-me uma história que não entendi muito bem, do irmão que se alistou na marinha sem sequer saber nadar.

À noite abriguei-me debaixo da cobertura do ponto e como movimento não houvesse, pude até deitar-me no banco, esticando minhas pernas um pouco cansadas.

A barra do meu casaco já havia secado, embora tenha ficado suja.

 

No terceiro dia o sol chegou cedo, os trabalhadores também.

Alguns, já me reconhecendo, cumprimentaram-me.

Quando outro ônibus verde e antigo virou a esquina, dei um salto do banco, um jeito nos cabelos, um batom nos lábios e lembrei-me de colocar no rosto o mais doce sorriso que sabia dar.

Desta vez não desceram senhoras, senhoritas ou senhores.

Muitas crianças fazendo algazarra, desenhando gestos rápidos no ar.

Esperei até o último passageiro e nada de você.

Será que me enganei na data, no mês?

Será que aconteceu algo a você que não sei?

Será que no meio da viagem você desceu erroneamente em outra cidade?

Ou será que você desistiu…

As interrogações eram tantas que, para que não me atrapalhassem os passos, foi necessário guardá-las nos bolsos de fora e de dentro do casaco.

As que sobraram guardei-as na bolsa e em meu coração só couberam as reticências.

À noite pensei em dar uma corrida até uma cabine telefônica para ligar para sua casa, mas além de correr novo risco de você chegar e não me encontrar era quase certo que ninguém atenderia.

 

No quarto dia desisti.

Já não me sobravam energias, nem alegrias e nem esperanças.

Mas mesmo assim passei pelo correio para, quem sabe, pegar algum telegrama.

Nada.

Cheguei em casa e, de cansada, deitei no sofá e adormeci de roupa e tudo, e tudo significa de sapatos também, como dormem os mortos.

Depois de despertar meio assustada, tomei um banho demorado como quem lava mais uma vez a alma e resolvi escrever para você, querido meu.

 

Nesta altura dos acontecimentos, já não sei mais se gostaria de ter notícias.

Amanhã levarei meu casaco na lavanderia e quem sabe, por acaso, dê uma passada no ponto de ônibus.

Quem sabe no correio também.

Quem sabe.

Quem sabe eu vá embora, assim como fez você, mas não para tentar encontrá-lo e sim, para continuar a viver, visto que o que me resta é apenas a vida.

Mando-lhe um beijo que já não é mais saudoso; apenas um beijo, querido, que acho que também não posso mais chamá-lo de querido meu.

Mandei o garoto levar seu guarda chuva e deixar lá no ponto do ônibus.

Talvez, caso você venha, possa estar chovendo.

E depois de ler esta carta, na sua vida também.

 

   

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 João, meu irmão

 

Pela minha idade, calculo a que deverias ter.

Hoje completarias 56 anos.

E a despeito de seres meu irmão, é certo que serias um homem inteligente, charmoso (como eras bonito!) e sensível.

Alma de artista.

 

Fico imaginando-o às vezes de barba, de outras sem, debruçado em tua mesa de trabalho a desenhar com tanto cuidado, gestos sutis que se moviam nas pontas de teus lápis ou pincéis, ora como aceno de partida, ora de reencontro, uns de alegrias, outros de melancolia.

 

E quando cansado estivesses, faria uma pausa com teu violão, tua voz doce contando de encontros e desencontros.

“Belezas são coisas acesas por dentro, tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento”, cantavas junto com a Gal.

 

Lembro-me de nossas viagens e conversas sem fim; ríamos de tudo e chorávamos por nada.

E sabíamos calar na hora precisa, para não magoar o outro ou ferir a si mesmo…

 

Com tua dedicação, tua crença nas pessoas, tua sensibilidade, teu modo leve, porém profundo de viver, aprendi tantas lições que reviso vez por outra, para tentar entender melhor tudo o que me cerca, e tudo significa também escolhas que não fiz.

 

O que nos separa neste instante são apenas duas teses que existem somente na concepção do ser humano: Tempo e Espaço.

E por não existirem, assim sabemos, continuamos unidos, caminhando juntos, de mãos dadas com a vida e com o amor.

De tua irmã e amiga,

Isabel

 

 

et: Sente-me neste instante como eu a ti?

 

 

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oferenda

Com uma guirlanda de flores do campo nos cabelos e um cesto repleto de plumerias, mais conhecidas como jasmins-mangas, entrei nas águas do rio até onde me foi possível.

Nesse ponto depositei-o com cuidado e assim começou a navegar junto à correnteza, de início lentamente, depois rápido como se sentisse a urgência de logo chegar.

 

Saí do rio e pela margem fui acompanhando seu trajeto; para tanto era necessário às vezes subir morros, descer, andar rente à margem, sem perdê-lo de vista.

Assim caminhava, reforçando em minha mente a oferenda que ali depositei: a melhor parte de mim.

Como se me fosse permitido ser o quinto rei mago de uma história bastante conhecida por todos, onde dizem que na verdade eram quatro, mas três à manjedoura chegaram.

 

E vendo o cesto a rodopiar nas águas como que acenando para as outras flores e plantas e árvores e céu e aves, tudo que compõe aquele paraíso, ousei fazer um pedido ao Jesus menino:  renovação.

Da ternura, da serenidade, dos sonhos, da sensatez, da amizade, da alegria, da dignidade e da solidariedade entre todos os Homens, não somente os de bem.

 

No trajeto havia uma pequena queda d’água, mas o cesto resistiu e minha oferenda seguiu rio a dentro: um riso ingênuo, um soluço silencioso, algumas alegrias, muita saudade, pequenos planos, agradecimentos às pessoas que de uma forma o outra me ensinaram algo de importante, enfim tudo o que venho guardando nesta pequena caixa de veludo vermelho e sem chave dentro de mim, à esquerda de meu peito e que sempre lá estará a pulsar, não por toda a minha vida e sim, por toda a minha existência.

 

Permiti-me a mais um desejo, já que me sinto tão próxima e amiga desse Menino: uma vontade imensa de poder viver tempos melhores, mesmo que os caminhos se me apresentem ainda  pedregosos e silenciosos.

 

A curva do rio levou minha oferenda e meu pedido à Criança renascida; não pude mais acompanhá-los com os olhos, apenas com a alma.

 

Não pude deixar de lembrar os três anos que este blog completou, este espaço onde conto de meus sentimentos e emoções. Uma oferenda que faço durante o ano todo para aqueles que ainda acreditam no amor.

 

 

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