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Archive for fevereiro \28\UTC 2013

 

Fui criada sob as asas do catolicismo, estudei em colégio de freiras até meus 12 anos, além de seguir os exemplos de um pai de muita fé que pertencia à Ordem Terceira de Francisco de Assis, e também sob os cuidados de um avô que só não se ordenou padre porque ficou perdidamente apaixonado quando viu pela primeira vez a foto de minha avó, na ocasião a nova professora, na mesa de seu mentor espiritual.

Mas essa é outra história, linda e de amor, que um dia contarei.

Como dizia, aprendi cedo a dar importância ao desenvolvimento de minha espiritualidade e, embora hoje eu já não abrace o catolicismo como minha religião, tenho minhas crenças claras e conscientes, os alicerces que trazem o equilíbrio para os prováveis maremotos e terremotos da vida.

Foram esses os meus pensamentos quando deparei, chocada como muitos, com a renúncia de Bento XVI.

Alicerces, pilares, estruturas, qualquer que seja o termo, ali, diante de meus olhos, via a instituição da igreja ruindo, implodindo em seus próprios desmandos, num desespero último.

Era necessário que houvesse uma justificativa a dar ao mundo: uma queda onde o papa bateu a cabeça não sei em que país; a idade avançada, sua precariedade física…

Veio-me à mente a imagem da grave enfermidade de João Paulo II e sua perseverança suprema em levar sua missão até o fim, sem abandonar o barco de Pedro.

Este foi o exemplo que deixou, mas entendido por poucos.

Assustei-me com o que via e ouvia, eu e o mundo.

Devagar algumas razões começaram vir à tona, clareando e dando embasamento ao seu ato extremo.

Tenho acompanhado todo o impasse que essa atitude deflagrou e, surpresa, vejo agora em sua fisionomia, além do cansaço e dor, um certo alívio e serenidade.

Fico estarrecida com a supérfluas preocupações que assolam a imprensa e a curiosidade banal de muitas pessoas.

Bento XVI não está preocupado com a cor de batina  que usará, como será chamado, se terá poder na cúpula da igreja, se seu anel será partido, se quando morrer será sepultado ou não na basílica de Pedro.

Isso só deve aumentar sua angústia, porque nada disso o preocupa e sim, o caminhar da humanidade que busca apenas poder e luxúria, ganância e mediocridade, quase sempre em nome de Deus.

Há que se recolher e rezar muito por todos nós.

O quadro que se mostra acentua o caos.

Se a igreja, como instituição mais sólida assim se nos apresenta, podemos imaginar os outros segmentos, ou seja, a sociedade corrompida, a política corrompida, o ser humano em franca corrupção.

O que restou?

Não registrarei aqui nenhuma exemplificação desses três pilares completamente corroídos, estamos cansados de lê-los e sabê-los.

Também tão pouco não vou me estender sobre títulos e chamadas sensacionalistas de revistas desta semana de, no mínimo, extremo desrespeito e mau gosto.

Ouvi um jovem dizer Io non vedo il Papa vicino a noi, giovanni.

Se eu lá estivesse lhe diria, É porque ele está muito preocupado com as raposas e lobos ora espalhados, ora atocaiados pelo mundo, até dentro do Vaticano.

O sacrifício de Bento XVI me constrange, cega que sou para tão profundos entendimentos.

Sua visão do futuro próximo faz com que renuncie, que se retire, isole-se de um mundo totalmente contaminado; não para não se contaminar, mas para, no seu infinito amor, pedir mais uma vez, como Jesus já o fez há três mil anos atrás, Pai perdoai-os, eles (ainda) não sabem o que fazem.

 

 

 

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A chuva turva a visão

molha as hortênsias que brotam tardias

no jardim

 

Assalta-me tua imagem

através dos raios que riscam o tempo

e minha alma

 

Com ternura e tristeza

lembro-me da nossa alegria

do jeito de ser

 

Nós não falávamos

apenas sorríamos um para o outro

lembra-se?

 

De mãos dadas rindo na chuva

tudo bastava

viver era tão cristalino

 

  

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Stop

cigarro

Quando Daniela começou a assistir ao filme, sentiu-se tomada de grande interesse.

Conteúdo verídico.

Ótimos atores.

Interpretações perfeitas.

 

Mas a certa altura começou a sentir-se perturbada.

Em uma breve reflexão pôde concluir que de dez cenas, em nove delas um dos atores principais aparecia fumando.

Quase um atrás do outro.

 

O seu psicológico começou a apoderar-se da sala.

Achou que o ambiente estava ficando poluído e que já não enxergava direito a tela, de tanta fumaça…

É certo que o cerco estava se fechando na história, mas era demais!

 

Ficou tão irritada que, na cena seguinte, apertou a tecla Pause.

Bem na hora em que o ator dava uma enorme tragada no cigarro.

E assim deixou-o preso na tela.

 

Daniela levantou-se do sofá.

Foi ao banheiro e passou álcool aonde o pernilongo a havia picado.

Foi ao quarto e passou um hidratante no rosto e nas mãos.

Foi à cozinha e bebeu um delicioso e gelado copo de água.

E já que estava ali, abriu o armário e pegou guloseimas para comer enquanto via o restante do filme.

Por fim, voltou à sala.

 

Quando apertou a tecla Play, o ator começou a tossir, ficou vermelho como pimentão e começou a debater-se dizendo que estava morrendo asfixiado.

Entre uma tossida e outra tentava dizer a Daniela que ela era uma pessoa terrivelmente má.

Como teve coragem de deixar-me preso na tela, enquanto foi fazer não sei o quê pela casa?, dizia ele furioso.

 

Daniela não deu a mínima e continuou degustando seu queijinho.

Vamos, termina logo com essa lamentação que eu quero ver o desfecho do filme, retrucou ela.

No fundo de si vibrava e repetia baixinho, Bem feito! Bem feito!

 

Não sei como o filme terminou.

Só sei que Daniela trazia no semblante um meio sorriso de satisfação.

E foi dormir contente, sem saber direito a razão.

Vê se da outra vez você se controla, tá? Assim ninguém te aguenta! disse ela ao ator.

E antes que ele respondesse, ela apertou a tecla Stop.

 

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Metaforicamente

Sabes que te amo

eu sei que tu sabes

 

Sabes que quero

tocar-te o riso

sorrir tua alma

sentir teus passos

 

Sabes que enquanto falas

quero beijar tua boca

beber tuas palavras

taça de cristal

 

Sabes que depois

quero adormecer em teus braços

cantar sonhos

sonhar esperanças

 

 

Sabes tudo

a cada instante

 

Que sou Clara e tu Francisco

és sol e eu lua

a tremer de amor e fogo

debaixo deste hábito

desta aparência que me veste

 

 

 

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Mais um palhaço

 

no picadeiro

 

e o povo

 

no globo da morte

 

 

 

 

 

 

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