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Archive for junho \18\UTC 2013

Jose-Saramago_061810_300.

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Quando a vida está difícil e está.

Quando os sonhos vão se diluindo no ar como bolhas de sabão e estão.

Quando não encontro serenidade em mim e me sinto desorientada entre meu mundo e o no qual vivo e estou.

Quando a tristeza toma conta das faces como uma nuvem à frente do sol e está.

Quando o querer que tudo se finde para começar novamente e será.

Quando me olho no espelho e não mais me vejo, debruço-me sobre teus livros, buscando um sentido para tudo, naquelas tuas palavras que tanto clamaram justiça e humanização deste animal dito racional que todos somos e não somos.

Cai-me às mãos esta obra preciosa que deixaste para tocar meu coração em momentos precisos, como agora.

E de um só fôlego leio O Conto da Ilha Desconhecida.

Só assim consigo me reencontrar, perdida que já estava do outro lado, cambaleando no escuro desta realidade que me assusta, a toda hora, em cada respirar como se último fosse.

Somente tu é capaz de novamente me dar vida, brotar em meu ser a lírica da existência.

Justamente no dia em que foste embora em busca de novas primaveras, em paisagens onde ser é apenas uma condição de luz.

A ti, Mestre Saramago, meu amor eterno.

 

 

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De Amor

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Marta chama-o de Paulo, mas não sabe seu nome.

Sabe apenas do seu olhar.

Se vêm todas as semanas, às segundas-feiras pela manhã.

Marta sorri para Paulo.

Paulo sorri para Marta.

 

Paulo mal escutou a voz de Marta.

Marta já reconhece a voz de Paulo, forte, aveludada, quente.

A primeira vez que Paulo a olhou profundamente, Marta sentiu seu coração disparar, como a saltar pela boca, ao mesmo tempo que uma alegria intensa tomava conta dela, da cabeça aos pés.

 

Nesta semana quando se viram de tão perto, Marta desejou-lhe Bom Dia!

Paulo, depois de olhá-la nos olhos por eternos segundos, sutilmente piscou para ela.

Marta sentiu então seu rosto corar e seu sorriso iluminar a alegria no rosto de Paulo.

 

Marta ou Paulo, qual dos dois que, não resistindo, primeiro falará de amor?

 

 

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Gosto de escancarar as janelas para admirar a vista que tenho deste décimo terceiro andar.

Faço meu passeio matinal neste meu terraço, cumprimentando as plantas, as flores do meu micro jardim e também as ararinhas que fizeram seu ninho no vão do telhado.

Depois meus olhos se perdem lá naquela parte da Serra do Mar, na torre que, incessante, pisca no alto daquele pico, o do Jaraguá.

Não vislumbro o Campo de Marte, mas vejo pequenos aviões em curvas descendentes para lá pousarem e repousarem.

Ultimamente tenho ouvido o barulho de helicópteros persistentes e ensurdecedores, com seus imensos holofotes, cruzando os ares que por boa coisa não deve ser, mas isso já é outra história.

Ao entardecer estendo minha rede amarela no terraço, levo comigo um bom livro e o coração aberto a novas emoções.

Há vezes em que apenas fico a cantar… canções que meu pai gostava, que minha mãe cantava e as que têm significados importantes e profundos para mim.

Às vezes paro porque choro.

À noite, já altas horas, coloco uma cadeira no terraço, como vi cadeiras nas calçadas depois do jantar em cidades do interior, e fico observando as estrelas.

Não perco de vista meus pais, meu avozinho, meu irmão João, meu amigo Odair e outras pessoas tão queridas que hoje são estrelas.

Quando é noite de lua cheia, aí então me perco nessa luz que me fascina, que me arrebata e transporta para um mundo mágico, para o qual tão poucos hoje em dia conseguem se entregar.

Bem mais tarde, acompanhada de duendes carinhosos e fadas sorridentes, fecho as portas e as janelas aparentes, portais que se abrem para o mundo exterior, para abrir as de minha alma.

Deito-me entre cobertas macias e fecho os olhos, agradecendo a vida.

Em um lento e profundo bocejo, murmuro algumas palavras desconexas, pequenos sons; é que já me encontro em outra dimensão.

E continuo a sonhar.

 

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