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Archive for setembro \29\UTC 2013

Atlantis.

Os jornais já esgotaram o assunto.

Internet e tv’s mostraram opiniões à respeito.

Ouvimos, vimos e lemos à exaustão.

Faço uma força titânica para também não bater nessa tecla que está gasta, suja, quebrada.

Mas como silenciar minha indignidade? como arrancar de meu peito esse sentimento que me invade?

Como não desejar o fim dos tempos se todos os valores escoam ralo abaixo, sem o menor cuidado?

Como viver em paz, se minha consciência grita em meus ouvidos, todo o tempo, essa desfaçatez que cresce em progressão geométrica, tomando um vulto incontrolável?

Como me harmonizar com a atualidade, se tudo o que está fazendo história nesses tempos é justamente o oposto do que trago em mim?

Minha alma chora e eu não sei como fazer para estancar esse pranto dolorido…

 

Tenho feito um estudo intenso e profundo sobre a existência e posterior desaparecimento dos continentes de Lemúria e Atlântida.

Surpreendo-me e também me assusto com a conduta insana dos grandes líderes daquela época; da chance que tiveram em resgatar os ensinamentos de quem os precedeu; da terra fértil que possuíram; das máquinas que criaram (algumas delas atribuídas ao nosso século); das potências intelectuais que demonstraram conhecer; dos poderes de comunicação e transporte mental que desenvolveram e, o mais grave porém de uma coerência terrível, que a América do Sul é o berço dessa etnia ariana…

 

Alguém menos avisado me diria, Não me diga que você acredita mesmo que esses continentes existiram!?!

Ao que penso de imediato, Será que alguém, no futuro,  acreditaria que existiu um continente, ou melhor, um país rico em solo, em clima, com vasta fauna e flora, água em abundância… será que alguém ousaria acreditar que, com todos esses recursos naturais a etnia que ali habitou aniquilou a si mesma em nome da ambição, do podre poder, da ganância, da luxúria, da impunidade, da decadência e da imoralidade?

O quê ou quem abriu a porta desse inferno, permitindo que tudo emergisse?

Foi esse desprezível e surreal pensamento que tive, enquanto ouvia a notícia daquela mulher que mandou o irmão matar o marido, aquela que foi condenada a vinte e dois anos de cadeia, mas que vai responder em liberdade.

Automaticamente tento associar a justiça deste país a um animal: penso na tartaruga, mas ela não corresponde à rapidez com que a justiça vem resolvendo os processos.

Veio-me então à mente o bicho perfeito: a lesma, lennnnnnntaaaaaaa, rastejante e gosmenta, deixando seu rastro de brilho ilusório e de impunidade por todos os lugares onde passa.

 

Os fatos fazem com que eu bata de frente com tudo o que tenho tentado aprender e aplicar à minha vida e confesso que fico extremamente constrangida em admitir que somente um pensamento me invade; o de querer que tudo afunde de uma vez.

 

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pablo neruda

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Perscruto o tempo e parece-me ouvir tua voz que me faz voar entre poemas, buscando teus sentimentos, verso a verso, nos caminhos e descaminhos, na ausência, na saudade, na busca, na solidão.

E triste fico ao sentir a falta de poesia nesta atualidade, onde ela é trocada por nada, nada mesmo, por pompas exacerbadas, atos ilícitos, brutalidades que tornam os seres insensíveis, roubando o sonho de quem tem o direito e a precisão de sonhar.

 

Para ti, Mestre Neruda, nada disto é novidade se relembrarmos de tudo porque passaste, até que, de decepção e dor, te isolaste das coisas mundanas para poder mais um pouco sobreviver, para viver, quem sabe, um último sonho.

Mas nem isso te foi permitido, teus dias de sonhos últimos e de contemplação que ainda buscavas foram ceifados.

De tristeza morreste, é verdade, mas como se não bastasse fizeram-te morrer inúmeras vezes e, na derradeira, pelas mãos que manchadas para sempre estarão das palavras que não tiveram tempo de serem ditas, dos poemas que voaram contigo pelo caminho do invisível.

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Hoje, data em que te obrigaram a tomar outros rumos, permito que minha alma volite entre tuas palavras, tuas emoções e esperanças; a primavera que não teve a seu favor o tempo de existir.

 

Quando olho o mar, procuro entre o movimento das ondas o teu silencioso e distante olhar.

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 18

 Aqui te amo

Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento

A lua fosforece nas águas errantes

Andam dias iguais e perseguir-me.

Às vezes amanheço e minha alma está úmida

Soa, ressoa o mar distante

Isto é um porto

Aqui te amo.

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Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte

Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas

Às vezes vão meus beijos nesses pesados barcos

Que correm pelo mar rumo onde não chegam.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores

E ainda porque te amo, os pinheiros, no vento,

querem cantar teu nome, com suas folhas de cobre.

 

 (Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada)

 

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céu estrelado

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Toda vez que Sara via ou ouvia um adulto gritando, brigando, xingando, se atracando; uma criança chorando, apanhando, berrando de dor ou de raiva; um animal sendo estupidamente escorraçado; um idoso maltratado e abandonado como um pacote inútil e pesado.

A cada situação que lhe fazia o ar faltar, o coração saltar do peito, as mãos a não lhe obedecer quando o que mais queria era postá-las em prece, apenas sua mente conseguia se manifestar e implorar, Deus, coloca Tuas mãos e abranda o coração de quem está causando tanta angustia, aflição, tanta dor, por favor, Deus…toma um dia de minha vida em troca da  serenidade e paz de cada um.

 

Quando Sara ouvia a sirene de uma ambulância, de uma viatura de polícia, de bombeiros ou resgates, parava o que estivesse fazendo no momento e pedia, Deus, proteja a todos os que estão envolvidos nesse procedimento, toma um dia de minha vida para que aconteça o melhor a cada um.

 

E assim Sara foi vivendo seus dias, suas angustias, seus temores, suas insônias, esses momentos que a desequilibravam totalmente, mas que conseguia, em forma de energia, doar um pouco de amor para tantos desamores acontecendo na vida.

 

E depois que implorava ao Deus de seu coração, Sara chorava.

Não sabia se de alívio, de dor, de tristeza em ver e sentir a desvalorização a que o ser humano se submete, numa lenta e auto-destruição.

E depois que Sara implorava (toma um dia de minha vida…), Deus se entristecia a também chorava.

 

Um dia encontraram Sara imóvel em sua cama.

O rosto sereno, os cabelos dormindo naquele travesseiro tão alvo, um sorriso nos lábios… sim, parecia um anjo.

Mas… tão nova! o que pode ter acontecido, alguém indagou; outro alguém balbuciou, perplexo diante de tal fato, Deve ter sido o coração…

 

Nenhum deles pôde ouvir a resposta, mas conto à vocês: Deus fez as contas de quantos dias Sara havia ofertado de sua vida e então resolveu aceitar a proposta por três razões.

Para confirmar a grandiosidade, a nobreza e humanidade do coração de Sara.

Por não mais aguentar ver Sara chorar todos os dias, tantas vezes ao dia.

Por querer aquele anjo a seu lado, livre, ajudando-O a levar paz àqueles perdidos em seus próprios, trôpegos e insustentáveis passos.

  

Que as Saras que restam no mundo não sejam todas apenas estrelas, mas que ainda estejam entre nós.

 

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