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Archive for janeiro \30\UTC 2014

fadinha na lua

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Dorme em minha cama um homem sereno e profundo, silencioso e eterno.

 

De madrugada costuma levantar-se sem fazer um ruído sequer e escancara a janela de sua alma para que as estrelas o vejam e possam então conversar, divinos que são.

 

Uma noite dessas acordei com risinhos como se sussurros fossem e, quando ainda sonolenta quis saber o que acontecia, ele pediu-me para que adormecesse novamente, Estamos apenas recordando nossas travessuras infantis… 

 

Quando meus olhos já se fechavam, se entregando à viagem do sonho,  vi ao lado dele uma estrelinha azul sentada no beiral da janela a roubar-lhe um beijo.

Tomada pelo ciúmes quis  reagir mas então me lembrei de que ele apenas dorme em minha cama e que às vezes, com voz baixa e macia como convém aos anjos, canta para eu dormir.

 

 

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ondas trazem

lembranças

que se tornam espumas

conchas

risos ao longe

barco à deriva

 

 

ondas trazem

aos pés descalços

toque suave, morno

vento sussurrante

estrelas do mar

 

 

ondas trazem

beijo não roubado

carícia esquecida

silêncio absoluto

por do sol

 

 

ondas trazem

murmúrios distantes

constantes

ausentes

presentes

como um alento

 

 

ondas trazem

o que nunca chegará

 

 

 

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Início de um ciclo, na continuidade de tantos outros.

Borbulham lembranças em minha pele; cheiram a mel, a ternura, principalmente a saudade…

 

Brincávamos com tudo o que nos haviam presenteado nossos pais, avô e padrinhos, no quintal de nossa casa.

Era manhã, fazia sol, nossos risos envolviam as flores, as plantas e aquele céu azulzinho, azulzinho, sem uma nuvem sequer.

 

Foi quando mamãe, preparando uma deliciosa sobremesa, pediu para eu pegar algo de que precisava, na quitanda da esquina de casa.

Mamãe sempre fazia isso e eu sempre atendia seu pedido.

Mas naquele dia eu queria ficar junto a meus irmãos, brincando, correndo, simplesmente rindo ao tempo.

Puxa, mamãe! a senhora tem cinco filhos mas só pede para mim!?!

Quem sabe, no caminho, você encontra seu príncipe encantado! respondeu ela, sorrindo.

 

Ah! como minha mãe me conhecia, sabia de meus desejos secretos…

Fui pega de surpresa, incrível!, um pensamento que nunca me havia ocorrido nas tantas vezes que já havia feito aquele trajeto.

Acreditei.

Acreditei e fui.

Quem sabe, viajando na mesma caravana dos reis magos, eu pudesse encontrar um príncipe que, ao contrário dos outros que levavam presentes ao Menino, estivesse trazendo um presente para mim, para encantar meus olhos, meu sorriso e fazer bater mais forte meu coração.

Era Dia de Reis de um ano que mora em mim.

 

 

Como disse em anos anteriores, por vários motivos íntimos escolhi esta data para inaugurar meu blog que hoje completa quatro anos; uma criança que engatinha entre as palavras, na esperança de nelas depositar a simplicidade, a sinceridade e todo o amor de seu coração.

 

 

 

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