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Archive for abril \14\UTC 2014

Renovação

 

A noite passada

não é hoje

 

Sabes para onde estás indo

ou apenas voas

para fugir do desconhecido?

 

Considere os pássaros

eles sabem para onde estão indo

ou apenas voam sem rumo?

 

Sentes que não há nada a aprender

a procurar

não há mais nada a viver?

 

Voar tão alto, sem propósito

morrer congelado

onde já não há calor, nem luz

 

Não lute contra tuas asas

aceite teu dom

e faça dele tua mágica de ser

 

Entre um amanhecer e outro

há descobertas

que ainda te farão sair do chão

 

 

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 .

 

Foi então que Raquel resolveu definitivamente fugir.

Digo definitivamente porque já havia ameaçado fazê-lo por diversas vezes, faltando-lhe a atitude final.

Agora não, era para valer.

 

Para que não percebessem de imediato sua ausência, levou apenas uma pequena bolsa onde guardou aquele livro inseparável de poemas, uma fita para amarrar seus cabelos, um óculos de sol, outro de leitura e, uma hortênsia do seu jardim que insistia em fazer-lhe companhia.

 

Fora isso, os sapatos nos pés, as roupas no corpo e um enorme chapéu na cabeça para, caso chovesse, dar abrigo aos passarinhos.

Na mão direita um bloco e uma caneta de tinta violeta: na esquerda, um mapa que, a bem da verdade, de nada ser-lhe-ia útil, porque a ideia era a de não traçar mais rumos algum.

 

Raquel não deixou bilhete a ninguém, mas fez uma anotação bem falsa na agenda que deixou aberta em cima da cama, para enganar a quem lesse, do destino que tomou.

 

Não apagou a luz; já bastava ter vivido no escuro por tanto tempo.

Não levou nada para o trajeto porque pretendia continuar alimentando-se somente de sonhos.

 

Antes de sumir de vista, Raquel virou-se para trás e fez seu primeiro e último gesto grosseiro a tudo e a todos, mesmo sem que a vissem.

Depois virou a esquina e, num salto mortal, pulou para fora do planeta para nunca mais.

 

 

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