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Archive for novembro \26\UTC 2014

Dúvida

Equador 1

 

 

 

O Equador é uma linha imaginária

desenhada com um compasso

passa por terras e oceanos

cruza seus meridianos

sempre convexos

.

E faz nexo

quando minha imaginação,

em uma só linha e reta,

torna-se a concepção

do Universo

 

E qual dor há nisso?

 

 

 

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Jose Saramago

 

 

Já fiz essa colocação em outras ocasiões, mas como sempre fico surpresa com o fato a repetir-se todos os anos, aqui estou eu novamente, na data de teu aniversário, a procurar nas estantes uma obra para eu reler.

Teu aniversário José Saramago, Mestre querido, que debalde tento seguir mais de perto suas lições, mas ainda sou limitada, pequena, aprendiz…

Tenho relido ultimamente o Ensaio sobre a Cegueira que para mim retrata os absurdos desta dura realidade em que estamos vivendo.

É mais um sinal de alerta, diria até que uma premonição desta época aterradora pela qual a humanidade se auto-flagela, olvidando seus valores morais, sociais, humanitários.

Há trechos em que me assusto, de tão igual a miséria, o descaso, o desalento, a escuridão.

Para me refazer (como se possível fosse) leio de um só fôlego O Conto da Ilha Desconhecida, onde também há poder, discórdias e outras mesquinharias, mas existe algo diferente chamado objetividade de busca, profunda, interior.

Sinto que as duas obras fundem-se em vários trechos, como este que me chamou a atenção, “… é necessário sair da ilha para ver a ilha, … não nos vemos se não sairmos de nós,…”, com um pensamento da primeira obra que citei que diz, “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

O Conto da Ilha Desconhecida, como nos situa o texto, transcorre na época medieval, em um país fictício e, como tal, há de se dizer que não é possível comparações com a época em que vivemos; mas, com mais vagar, é possível entender o quanto estamos retrocedendo em termos de valores e de como é bem possível que já estejamos esbarrando nesse período de brutalidades, posses, poder, obscurantismo.

Mestre Saramago, paro por aqui; minha intenção inicial era a de apenas lembrar-me da data de teu aniversário, mas, me perdoe, com estas obras nas mãos me é impossível não pensar (e me arrepiar) nas sombras que hoje se apossam do inconsciente coletivo, nos cegando da verdade.

Vejo nos traços do teu rosto quanto a vida te deu e também te tirou e quanto de ti existe em meu pensar, em minha busca para desvendar o que existe de real em mim, qual o meu caminho diante de tudo, de todos e de mim mesma.

Como disseste e tão bem citado por Arthur Nestrovski, “Dentro de nós (como no livro da Ilha) há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”, tal e qual o último pensamento expresso nO Conto da Ilha Desconhecida, “Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma.”

Será que essa é a única saída para tudo, Mestre? uma saída individual, uma busca solitária, quase sem esperanças? Se não sonhamos, não vivemos… mas, como sonhar em meio a tantos pesadelos?

Não sei como sobreviver à dor de tão desolado desamor entre as criaturas, mas… aqui estou eu novamente, Mestre, a falar da tristeza do mundo, no dia de teu renascimento em mim…

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Pompéia

 

 

 

A vida às vezes apresenta algumas ironias que não há como não percebê-las.

Nada como um dia após o outro e, por assim ser, pensar a fundo e com muita cautela é o que se torna mais urgente atualmente.

 

Me explico: dia desses, aprontando-me para sair, liguei o rádio para ouvir alguma canção, querendo alegrar meu espírito para o encontro de logo mais.

Como sou apaixonada por música (e por isso sei a letra de muitas) comecei a cantarolar com o compositor; a música tem uma cadência gostosa, mas eu já não podia nem cantar e nem marcar o ritmo com os pés,  porque eu estava na etapa de pintar os olhos (as mulheres, em particular, sabem o que isso significa).

Então passei a fazê-lo com mais cuidado, ao mesmo tempo que também prestava mais atenção à letra que já havia cantado muitas e muitas vezes.

 

E, de repente parei, arregalei os olhos para mim no espelho e por um segundo fiquei atônita.

Essa música foi composta à época da ditadura – falei para meus botões; Se encaixa como uma luva para a situação atual – responderam-me eles; E justo esse compositor que homenageei há pouco tempo, pela importância que teve em minha vida nos idos anos 70/80! – acrescentei.

Eu e meus botões, desconsolados, sentamos na ponta da cama e… de repente comecei a rir, rir, rir sem conseguir me controlar, como se eu tivesse me tornado insana em um passe de mágica.

Bem feito! – desejei ao compositor – Sucumba agora em suas próprias palavras!

E continuei a rir, tanto que borrei o rímel e a sombra dos olhos, o traçado das sobrancelhas, o batom escorregando descontrolado para fora de minha boca…

 

Depois que lavei bem o rosto vi que me enganara, não estava rindo e sim, chorando.

De vergonha, de decepção, arrasada por constatar que a corja do planalto continuará chafurdando e reprimindo, torturando e sufocando cada um de nós dentro de nós mesmos, sem a menor possibilidade de esperanças, muito menos de sonhos (as pessoas estão se isolando cada vez mais, criando seus próprios mundos onde ainda lhes é permitido sonhar).

 

Quase desistindo de sair, lembrei-me de um personagem da mitologia grega, Hefestos, filho de Zeus e Hera, um deus fisicamente defeituoso, baixo e orelhudo, mestre do fogo que se manifesta das entranhas da Terra.

Como sua aparência era grotesca para um deus, só lhe restou montar uma oficina na boca de um vulcão, no caso o Etna, para fabricar armas, escudos, armaduras. Um verdadeiro instigador à guerra, entre seus pares. E assim, sua imagem passou a ser sua própria semelhança.

 

Trocando o Etna pelo Vesúvio à época de 79 d.C., podemos dizer que Hefestos (vamos chamá-lo assim, mesmo porque me nego terminantemente a escrever seu nome) instiga tanto o fogo com suas armas (corrupção, engodo, mentira, desrespeito, prepotência, etc, etc e etc) que acaba provocando a erupção do vulcão que sepultará por completo, com sua chuva de cinzas ácidas, a cidade (leia-se país) e sua população.

 

Trocando Itália por Brasil, eu e meus botões confirmamos, portanto, que continuaremos, todos nós, morando na futura Nova Pompéia.

Hefestos e seus asseclas estão felizes, pagando para ver se o povo reage desta vez. Então verão!- quase que gritando, falaram meus botões.

 

E já que falei em asseclas, pares, companheiros, coniventes e outros que tais, abaixo deixo um trecho da música que eu estava ouvindo e que desencadeou todo este sentimento de inutilidade.

Desde então, continuo tentando me vestir, mas não consigo porque ainda estou rindo, chorando de tanto rir.

Acho que desta vez enlouqueci.

 

 

Homenagem ao Malandro

(Chico Buarque)

 

 Agora já não é normal

O que dá de malandro regular profissional

Malandro com aparato de malandro oficial

Malandro candidato a malandro federal

Malandro com retrato na coluna social

Malandro com contrato, com gravata e capital,

Que nunca se dá mal

 

Mas o malandro prá valer, não espalha

Aposentou a navalha

Tem mulher e filho e coisa e tal

Dizem as más línguas que ele até trabalha

….

  

Valeu, Chico Buarque; retratou direitinho!!!

 

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Imortal

Aprendi com a Primavera a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira

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