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Archive for abril \26\UTC 2015

Mãe

hortensia2

 

 

 

Mãe querida

Me abraça neste silêncio

que me impregna e emudece

 

Beija meus olhos

penteia meus cabelos

e conta-me uma história

para que eu pare de chorar

de saudades de você

 .

.

.

 

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lenço

 

Um dia desses vi um homem tirar um lenço de tecido do bolso.

Ontem, vi novamente.

Como da primeira vez, fiquei surpresa, admirada e senti uma satisfação interior.

Para mim, essa atitude simboliza uma educação requintada.

Não que o contrário signifique uma má educação, longe disso; tenho como exemplo meus irmãos que nunca usaram lenço de tecido e meus sobrinhos que não usam e que tiveram e têm uma ótima educação.

É que essa atitude vem imbuída de outros valores que estão sendo deixados de lado e, digamos assim, fazendo com que a vida perca sua qualidade.

Há tantos outros símbolos de uma boa educação, mas tomei do lenço de tecido como ponto de observação.

 

Vivemos em tempos modernos, práticos; usa-se e, usado, joga-se fora.

Tenho muito medo de descartes, além da tristeza que sinto porque tudo é jogado fora de forma displicente, tudo sem exceção, inclusive a vida.

É raro se ouvir um “por favor”, um “obrigado”, um “você primeiro”.

Não se vê um gesto harmonioso, uma generosidade, carinho então… o que dizer da falta dele, quando o ser vai se tornando duro como rocha, frio como gelo, calculista, manipulador, oportunista?

E a brutalidade e insensatez vêm à tona, a tal ponto e com tal poder, que se auto permitem dispor e acabar com a vida de seu semelhante, por atitudes impulsivas que, se a brandura não tivesse sido descartada, tudo poderia ter sido resolvido de forma diferente, com certeza a favor da vida.

Há, sim, descartes que precisam ser feitos, mas aí os identifico como casos pensados, pesados, analisados e definidos como prejudiciais ao corpo e ao espírito.

Desvencilhar-se deles é doloroso, deixam marcas, causam dores, mas são necessários, inadiáveis.

Há várias situações de descarte que eu poderia citar, mas estou me entristecendo à medida que escrevo; não quero me aprofundar mais.

 

Prefiro falar da imagem que gravei do homem com seu lenço nas mãos.

Ontem vi que o usou para deter lágrimas que teimavam em correr de seus olhos.

De emoção.

De tarefa cumprida, de encontro consigo mesmo neste seu momento de evolução.

 

Mais tarde, quando já estava a sós comigo mesma, criou-se em minha mente uma imagem, a da mulher desse homem lavando esses lenços com carinho e com cuidado, sabendo que eles ali, usados, ainda detinham emoções ou mesmo o suor do rosto desse homem tão requintado.

Esta cena acalmou meu coração.

Esqueci-me dos descartes (que trazem tanta escuridão e medo ao meu coração) para lembrar-me de que sou uma criatura privilegiada por conviver com algumas pessoas incríveis e de muita luz!

Como, por exemplo, o homem do lenço de tecido.

 

Este texto é uma singela homenagem de agradecimento que faço a  Antonio Francisco Sobrinho, com o qual tenho tido a honra de compartilhar momentos tão sublimes e marcantes.

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livro antigo

 

 

Encontrei

na ponta do guardanapo

além de teu perfume

a marca de tua boca

a sorrir-me chocolate

 

Procurei no aroma daquela tarde

alaranjada de outono

o brilho de teus olhos

o de reconhecimento

o de desejo

 

Resvalando o guardanapo em meu rosto

pressenti o toque

de tuas mãos em um carinho

que ainda não me fizestes

mas que paira suspenso no ar 

à espera apenas de tua vontade

apenas isto

 

Foi quando senti teu abraço

como um laço

a abrigar-me das coisas

que de mim não fazem parte

 

Beijei tua boca de chocolate

e naquele guardanapo

também deixei minha marca

como um sussurro

um segredo

 

Guardei-o entre as páginas

de um livro de mágicas

teu nome

meu nome

uma data

 

Desde então lá estamos

ora conversando

ora adormecidos

 

 

 

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