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Archive for setembro \17\UTC 2015

pequeno príncipe

 

Um filme em três dimensões.

Me encantei entre as estrelas, entre as delicadezas com as quais sonhei toda a minha vida e, das quais, algumas consegui que não adormecessem em mim.

Verei, pelo menos mais uma vez, para apreciar o desenho em si, a técnica de movimentos e cores, a leveza das vestes e, também mais uma vez, a profundidade dos sentimentos.

Hoje, bem… hoje entreguei-me à magia.

E vi quantos sentimentos profundos e simples ainda habitam minha alma; sentimentos que para tantas pessoas já caíram em desuso ou descrédito, no abismo imenso que se abriu entre os valores que ainda servem a alguns, de pilares de sustentação.

– “O que é cativar? pergunta o principezinho. É uma coisa muito esquecida, disse a raposa – significa criar laços”.

Hoje não quero falar de gente grande; quero falar de crianças como eu que, embora com mais idade , ainda sabem falar de ternura, de sonho, de encantamento, de brilho nos olhos quando se recebe uma doce palavra ou um simples mas poderoso carinho, um beijo gostoso ou um abraço mais demorado!

Meu coração saiu feliz e leve do cinema, confirmando-me que vale a pena lutar pelo que tenho de mais verdadeiro em mim, embora muitas vezes minhas atitudes e palavras gerem rizinhos disfarçados e zombeteiros.

Mas hoje nada disso me importa.

No caminho de volta para casa, lembrei-me de meu pai.

Há 39 anos comprei esse livro de presente para ele.

Quando o desembrulhou e o folheou vendo os desenhos infantis, olhou-me surpreso e espantado.

Mas, do alto de sua discrição e ponderação, disse-me brandamente, Minha filha, você acha que este livro é leitura para seu pai?

Como eu já esperava uma reação parecida, apenas lhe respondi, Leia, papai, depois comentaremos se é apropriado ou não.

E voltei para São Paulo, com a certeza de que ele leria o livro com cuidado, embalado em sua rede que costumava armar debaixo daquele caramanchão, naquele canto do quintal maravilhoso de nossa casa. (Papai demorou dois meses e meio para ler (e entender) O Pequeno Príncipe. Sei disso porque hoje eu o tenho comigo, onde, na última página, ele colocou a data em que terminou sua leitura.)

Quando lá retornei e quando já havíamos conversado sobre trivialidades, perguntei-lhe sobre o livro (senti que ele queria ter tocado no assunto bem antes, mas talvez não soubesse como abordá-lo).

Seus olhos brilharam imediatamente e então entendi que o meu intento havia se realizado; atingi em cheio o coração de poeta de meu pai, daquele pai que poderia ter sido rígido, austero, como todos os homens de sua época assim  criados, mas que tinha coração de mel, como o meu.

“Só se vê com o coração – disse a raposa ao principezinho.”

Olho neste instante para o céu.

Como faço todas as noites de minha vida, não importando como o tempo se apresente.

Vejo as estrelas que são meus amores, mas vejo também meus amores que se tornaram estrelas.

E meu coração sussurra baixinho para o sorriso que elas provocam em meu rosto… “o essencial é invisível!”

E a história desta pequenina e doce criatura se encerra com a conclusão que ele tirou, depois de suas andanças e descobertas, “E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tinha tanta importância.”

Um filme em três dimensões.

Como se eu precisasse disso para sonhar!

 

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