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Archive for dezembro \19\UTC 2015

Filho Meu

mãe e bebe1

 

Teus olhos insistentes nos meus me fazem chorar de emoção, pequena criança.

Enquanto brincas com as pontas de meus cabelos, enquanto acaricias meu rosto, enquanto tentas colocar teus pequenos e macios dedos dentro de meus olhos, sinto-te todo e cada vez mais em mim.

O calor de teu corpinho afaga minha alma, faz de mim a mãe que não pude ser, embora, diante de tanta ternura, sinto-te filho meu.

Às vezes ficas tão sério como se estivesse a encontrar no fundo de meus olhos algum momento secreto que guardo em mim e dele só sabe meu anjo guardião, para, no momento seguinte, voltares a brincar com os olhos meus.

Teu riso doce inunda esta sala e minha vida, como raios de sol invadem a manhã!

É por isso que te amo, pequeno, porque me roubas o ar vendo o movimento de teus pezinhos, como que querendo, de um salto, sair andando pela minha felicidade.

E hoje, minha criança linda, é teu aniversário e se eu pudesse, colheria estrelas como se colhe flores, para te fazer um ramalhete de luzes e amor, somente para prolongar o riso teu em minha alma…

Como presente, posso te dar o mais profundo carinho, o mais doce sorriso, a mais melodiosa palavra.

Posso também suavemente escovar teus cabelos em cachos de seda, enquanto sorris para os pássaros que, cantantes, enfeitam tua manhã.

Beijo-te os olhos, as mãos, os pezinhos, a teus pés, levando-te a passear nos jardins deste dia, para que sintas o riso das rosas e os acenos das margaridas à tua passagem.

Saímos, então, os dois, a rodopiar entre os canteiros, erguendo-te ao alto e pedindo a Deus que nos abençoe pela luz, pela vida e pelo amor que faz de nossos dias o sentido verdadeiro de ser.

É quando agarras nas rendas de minha blusa que juro-te permanecer a teu lado por todos os dias possíveis de minha existência.

E como sei que nunca vais crescer, a ti então posso pegar pelas mãos, conduzindo-te ao canteiro silencioso e profundo onde, no princípio dos tempos, minha rosa foi plantada, tratada e cultivada e onde hoje cresce, lentamente, mas cresce.

Sei que a conheces mais que eu, mas quero, eu, mostrá-la a ti, meu pequenino.

A rosa que me conta segredos, que me fala de amor e respeito, coisas que agora raramente encontramos no mundo de fora.

Mas hoje é teu aniversário e vendo-o assim a bater palminhas, a sorrir, a pular em meus braços, esqueço de tudo, de toda a maldade, estupidez e mazelas dos homens, simplesmente porque não quero que chores, não quero que teu dia se perca no escuro, embora eu saiba que tu sabes de tudo que ocorre fora deste jardim.

Quando ficas repentinamente quieto, olhando a chama da vela da comemoração de teus anos, nesse segundo que passa em teus olhos, meu coração estremece porque te sinto conciso, preocupado e grave; mas, em seguida, voltas a ser o meu menino.

E quando a noite chega, deito-te dentro de mim, cantando para te ninar uma canção que fale dos rios, dos bosques, dos anjos e dos homens de bem que ainda habitam este planeta e que não são cativos da escuridão.

Te amo tanto, filho meu, que mesmo quando adormeces, sinto-te a caminhar entre as nuvens e as flores dos meus sonhos, pulsando em minhas veias, a cada batida de meu coração.

Durma, meu pequeno; amanhã e em todos os dias de nossa existência comemoraremos, sempre e a todo instante, o teu aniversário.

Vendo-te deitadinho na manjedoura de meu presépio, aflora em minha pele a certeza de que, mais que nunca, somos Um.

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Feliz Natal!

 

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