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Archive for junho \30\UTC 2016

Escolhas

cruz-santiago

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Há uma lucidez invisível no ar

Passos procuram caminhos diversos

Indicadores apontam luas e sóis diferentes

(sois diferente?)

Moradas das chamas de amor

Não um pelo outro

mas pelo mundo

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Leste, Oeste

Norte, Sul

Pai, Mãe

Poder e Consciência

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No centro da Rosa dos Ventos

a Rosa, a lucidez

A consciência invisível

O sopro no ar

O sopro da Vida

 

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Meu Querido Pai

As lembranças são muitas e muitas são de seus aniversários.

Fogueira, rojões, quentão, famílias reunidas, vizinhança, amigos.

O beijo de minha mãe, sua adorada, o cumprimento de todos em abraços tão demorados e queridos.

Mas sempre vi, meu pai, em determinado instante, uma melancolia em seu olhar; talvez pela lembrança de seus pais e irmãos e suas festas de aniversário junto a eles… mas, logo em seguida, seus olhos voltavam a brilhar de felicidade.

Hoje sou eu quem está a lembrar do senhor desde madrugada, quando me levantei e fui até a janela da sala olhá-lo brilhando no espaço, junto aos outros queridos que hoje também são estrelas do meu céu.

O tempo fechado, nublado, escuro, não me impediu de vê-lo brilhando, com aquele brilho que só vi em seu olhar, meu pai, até este momento de minha vida.

E sei que lá o senhor está, até completar todo o seu ciclo.

Quando levantei-me pela manhã, peguei seu álbum de poemas para escolher um (que missão difícil!), homenageando-o neste dia que continua sendo especial para mim, neste dia em que sinto-o tão próximo, a me sorrir, a me abraçar, a me abençoar.

Então escolhi este poema, que também me traz tão doces e felizes recordações; pena, meu pai, que eu não tenha neste momento uma foto do seu quintal, mas aqui estão as flores da trepadeira que o senhor cuidou com tanto amor.

 

flor do papai

 

Visão do Meu Quintal

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Vejo e contemplo o meu quintal querido

Num conjunto de cores variadas

Pendendo frutos, flores e ramadas

Em um mistério de arte e de beleza

Vejo nisso de Deus a Sua grandeza

Que nos invade a mente e o coração

Sentindo em tudo um traço de união

Entre Deus e toda a Natureza!

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Com bela ramagem vejo a Trepadeira

Que esbelta e faceira

Dá sombra e abrigo ao querido amigo

Que dela cuidou

Quando na estiagem a chuva parou

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Além, vejo o Canavial no seu ciciar,

Ao doce soprar da brisa fagueira

Logo as Bananeiras, cachos a despontar

Viçosas e bacanas, que dá gosto de olhar.

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A Jabuticabeira (é conto de fadas!)

Toda carregada de fruto e flores

Onde as borboletas volteiam contentes

Em vôos silentes ou em revoadas!

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E fico a contemplar…

E vejo o céu e vejo o sol e vejo o ar

Passando por entre tudo que me cerca

Sem que eu possa falar

O que me vai na alma extasiada

Que em um pensamento mergulhada

Ouve a voz da consciência a badalar:

Tudo isso é Deus! Deus é o Autor!

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E eu, no meu nada…

Humilde e pequenino

Aguardo o meu destino.

 

 

João Rodrigues Nepomuceno

1.973

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