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Archive for agosto \25\UTC 2016

Borboletas[4]

 

 

 

Permite, meu Deus

que eu repouse meu ser

um pouco cansado, um pouco triste

um pouco assustado em Teus braços

por um instante que seja

para que eu possa acreditar

que ainda existe abrigo

 .

Que eu possa adormecer

sentindo Tuas mãos

acariciando meus cabelos

para que eu possa acreditar

que ainda existe ternura

 .

Que eu possa sentir

o Teu beijo em minha face

o Teu olhar tão doce nos meus

para que eu possa acreditar

que ainda existe gratidão

 .

Deus de meu coração

se Tu quiseres (e se eu merecer)

canta para mim

uma canção de criança

para que eu possa acreditar

que ainda existe amor

 

 

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Visita

luz-azul1

 

Sinto-o presente.

Me faz companhia sempre, mas sinto-o mais próximo nos momentos de mansuetude.

.

Conta-me do silêncio da noite, das janelas iluminadas, pulsantes, como um grande presépio terreno, uma festa universal.

Aponta os carros que escorrem lentamente pelas ruas como águas serenas que escorrem entre os dedos, num transitar tão calmo, tão diferente do que acontece nas horas do dia.

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Mostra-me as árvores que dançam à brisa da noite como se fossem imensas cabeleiras verdes, algumas cobertas de flores, como guirlandas que enfeitavam cabeças de moças felizes no passado.

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E, por fim, faz-me deitar na rede para falar das coisas do céu.

Das estrelas que piscam para nós como cúmplices das escolhas que fazemos, da lua já baixa, amarela e imensa como se fosse um queijo saboroso pendurado por fios invisíveis, de seda, tecidos por fadas lunares, que vai sendo devorado lentamente por Baco, junto a uma taça de vinho..

Das constelações que nos levam a passear em seus mantos de encantamentos e dos planetas que ainda não conhecemos e de todos os nossos amores que hoje são estrelas também.

.

Fala-me da noite límpida, de um azul profundo e sem uma nuvem sequer e confidencia-me ao ouvido, que os anjos descem à Terra por volta das três horas da madrugada, como se cuidando, mais atentos, de cada um de seus pares encarnados.

Fala-me de suas presenças entre nós que às vezes percebemos como um sopro, como uma brisa suave, um movimento sutil no ar.

.

É quando toma minhas mãos entre as suas e as beija, levando-as às suas faces em um movimento solene, pedindo-me, com voz muito branda e melodiosa, que tateie seu rosto para eu sentir sua profunda presença ao meu lado.

Seus cabelos são sedosos, finos e suaves; sua testa lisa e pequena, seus olhos adornados de cílios grandes e vastos, seus lábios que sorriem, seu perfume… ah! seu perfume…

.

Que sonho sublime, de puro amor!

Só fiquei um pouco confusa quando acordei e me vi deitada na rede, em meu terraço, com muito frio, em plena madrugada.

 

 

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Outono

 

 

 

Vesti o outono

meio frio, meio vento

e minha Alma se aquietou

.

Enfeitei meus cabelos

com folhas amarelas, secas

e minha Alma se agitou

.

Calcei caminhos úmidos

de orvalho e saudade

e minha Alma baixinho chorou

.

Depois dormimos

as duas

sem vontade de abrigo

porque abrigo não existe mais

.

Ao alvorecer vestimos

as duas

o sol nascente nos passos

nos olhos, nos gestos

.

Minha Alma cantava

eu, em silêncio a ouvia

para que o outono fosse embora

libertando meu riso

 

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rosa rosa vermelha

 

 

Toda noite converso com minha Rosa.

Como Agostinho o fazia e era santo.

Eu, então, devo fazê-lo sempre, pois de santa só tenho o nome, dado por meu pai que também era devoto de Agostinho.

Às vezes sinto minha Rosa resplandecente! De outras, quieta, me olhando, me ouvindo, com aquele sorriso de compaixão que somente uma Rosa sabe sentir.

Mas, mesmo assim, silenciosa, não deixa nunca de espargir seu perfume, como que me incensando das impurezas que criei, para que eu possa dormir em Paz.

Conto para minha Rosa como foi meu dia (como se ela não soubesse!) e cada um dos fatos consequentes de meus atos.

E coloco-os na balança.

O que foi bom mas que eu poderia ter feito melhor.

O que fiz e que não deveria ter feito.

O que não fiz mas que poderia ter feito.

O que foi ruim e que não devo deixar se concretizar novamente.

No embalsamamento, os egípcios retiravam os órgãos vitais do desencarnado e os guardavam em quatro urnas que eram depositadas, posteriormente, dentro do sarcófago.

Assim é que minha Rosa me alerta para esse simbolismo que, como os egípcios, levarei comigo somente as quatro reflexões que Agostinho fazia a cada final de seu dia.

Ou seja, a capacidade de discernir o dever e o poder; não o poder que exacerba a humanidade, mas o de ter clareza para se transmutar o tempo que for necessário, a cada oportunidade.

Por isso, converso sempre com minha Rosa.

Ela me fortalece, Ela me anima, Ela me ensina e mostra a importância das pedras no caminho, tanto e quanto um raio de sol.

Boa noite e obrigada, minha Rosa, pela pouca paz que já encontrei.

Ah! como é linda minha Rosa!

 

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