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Archive for the ‘Geral’ Category

 

 

Dia desses assisti ao filme O Doador de Memórias, baseado no livro de Lois Lowry, com o maravilhoso ator Jeff Bridges, sob a direção de Phillip Noyce.

A sinopse diz que trata-se de um mundo feliz (apenas na aparência) onde, através de um conselho de anciãos, um rapaz que completa 18 anos é escolhido para tornar-se o receptor das memórias de um passado real ocorrido na comunidade em que vivem.

Só o ancião mais sábio, que um dia também foi escolhido por outro, tem condições, como doador, de passar, através de algumas técnicas, as memórias passadas, completamente desconhecidas pelos habitantes atuais.

É quando o rapaz, tomando conhecimento das memórias, entra em conflito com o seu até então aprendizado padrão, confrontando-o com a realidade omissa em que vê acontecer ao seu redor.

Não vou contar o impasse do filme, mas sim, o que me levou a uma profunda reflexão e à necessidade em vê-lo por mais de uma vez.

As cenas são, até certo ponto, em preto e branco e o doador de memórias explica que, em um determinado momento no passado, o conselho assim deliberou, como única alternativa para extirpar de vez a inveja, o orgulho, o ódio, a ambição, a prepotência que predominavam entre as pessoas; tirando a cor de tudo e  criando esse mundo padrão, preto e branco, insípido, de mesmices, onde as pessoas têm sentimentos mascarados, superficialmente educadas umas com as outras, mas completamente desprovidas de emoção e verdade.

Assaltou-me à mente e isso assustou-me bastante (ainda me assusto!) a ideia de que, será essa a solução para recomeçarmos a vida social, política e profissional?

Será que haverá necessidade de se eliminar de vez as “cores” (a vida) das coisas (e emoções) para se zerar as mazelas do mundo?

E como todo “mundo perfeito”, também eliminar de forma fria e prática, bebês indesejados e velhos indefesos?

Será que, em uma inversão de papéis, já não moramos nesse mundo mascarado, onde os corruptos, os violentos, os sem caráter descoloriram nossas vidas, tirando-nos a alegria de viver, de planejar, de descobrir nossos caminhos, vontades, emoções?

Como disse, não quero entrar em mais detalhes,  mas há que se ver esse filme com cuidado, pois são muitas as situações expostas que nós podemos comparar com esta realidade difícil, antes inimaginável, em que estamos vivendo.

Mas, como no filme, há uma palavra chave que cura e curará as feridas abertas, causadas pelo próprio ser humano.

É nela que reside uma profunda reflexão.

 

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luz

 

A data comemorativa da Páscoa passou.

Tenho um pouco de receio dessas grandes datas.

Natal, Dia Internacional contra o Racismo, Abolição da Escravatura, Dia da Independência, Dia Internacional da Poesia e até do Dia dos Pais e do Dia das Mães, entre outras.

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Para a maioria dura apenas vinte e quatro horas.

Para o comércio, algumas semanas a mais.

Para os atos cívicos ou litúrgicos, algumas horas; o suficiente para que se execute um hino, um ritual, uma apresentação.

A Páscoa, por exemplo, dura apenas enquanto o chocolate derrete na boca? E depois?

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Depois, um vazio.

Os votos voam como fumaças inexpressivas pelo ar; se vão para longe, se perdem no espaço, somem de vista.

E sempre me pergunto Por quê, se nosso coração está aqui tão perto?! Por que não fazer dele um cofre depositário de nossos verdadeiros votos e emoções?

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Fala-se em renovação, em recomeço, em ressurreição, mas… e o propósito, será que firmou-se como âncora em nossa consciência ou voou como palavras ao vento?

Ouvi alguém dizer, em uma aparente e eufórica alegria que, de tantos amigos que tinha nas redes sociais, levaria o dia inteiro mandando mensagens e mensagens.

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Não sei se sou muito antiga, mas isso também me assusta.

Muitos chocolates, muitos amigos, muita euforia, risos e alegrias exagerados que só afloram nesses pequenos momentos.

Enfim, quantidade e não qualidade.

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A qualidade exige integridade em não se dizer o que não se sente ou o que não se tem condições de realizar por pura falta de conhecimento.

A qualidade exige força de vontade, discrição, observação, bom senso.

A qualidade exige humildade, compaixão, atenção.

A qualidade exige harmonia, serenidade, mesmo que em meio a um turbilhão.

A qualidade exige interesse, cuidado, carinho, amor.

A qualidade exige sabedoria.

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Mas é muito mais fácil colecionar uma quantidade de alguma coisa, não dá trabalho algum, não exige nada; apenas, talvez, saber contar até mil ou um milhão, tanto faz.

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É muito importante e prazeroso ter amigos, mas amigos de alma!

Recebi uma mensagem de um querido amigo que, sufocado pela leviandade das aparências, pedia um basta às palavras inúteis e um sim à reflexão sobre atitudes nobres; realmente uma mensagem de apelo que brotou da sua profunda forma de viver verdadeiros valores.

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Claro que há o outro lado da moeda, sabemos disso.

Como no dia em que uma pessoa muito experiente me perguntou se eu já havia desejado um sorridente Bom Dia para uma pessoa desconhecida na rua.

Eu quis sentir qual era essa sensação que ele tanto enfatizou e assim o fiz.

Fui mal interpretada e agredida verbalmente.

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Há pedras em todo caminho, por todo o caminho, mas não se pode desistir de um caminho divinamente traçado por causa de pedras, simplesmente.

Há pessoas que preferem atirar pedras; acham engraçado e sentem prazer e poder em assustar e ameaçar o outro.

Mas há aquelas que preferem observar as borboletas que fazem de seus casulos, seus corações; aquelas que preferem guardar em suas retinas seu despertar, seu primeiro impulso para a luz, suas cores, sua leveza, seu encantamento, seu voo de paz, e depois poder transformar essa sensação única em gestos que, se traduzidos, significam Renovar.

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A cada ação, a cada sorriso.

Em todos os momentos da vida.

 

 

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Filho Meu

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Teus olhos insistentes nos meus me fazem chorar de emoção, pequena criança.

Enquanto brincas com as pontas de meus cabelos, enquanto acaricias meu rosto, enquanto tentas colocar teus pequenos e macios dedos dentro de meus olhos, sinto-te todo e cada vez mais em mim.

O calor de teu corpinho afaga minha alma, faz de mim a mãe que não pude ser, embora, diante de tanta ternura, sinto-te filho meu.

Às vezes ficas tão sério como se estivesse a encontrar no fundo de meus olhos algum momento secreto que guardo em mim e dele só sabe meu anjo guardião, para, no momento seguinte, voltares a brincar com os olhos meus.

Teu riso doce inunda esta sala e minha vida, como raios de sol invadem a manhã!

É por isso que te amo, pequeno, porque me roubas o ar vendo o movimento de teus pezinhos, como que querendo, de um salto, sair andando pela minha felicidade.

E hoje, minha criança linda, é teu aniversário e se eu pudesse, colheria estrelas como se colhe flores, para te fazer um ramalhete de luzes e amor, somente para prolongar o riso teu em minha alma…

Como presente, posso te dar o mais profundo carinho, o mais doce sorriso, a mais melodiosa palavra.

Posso também suavemente escovar teus cabelos em cachos de seda, enquanto sorris para os pássaros que, cantantes, enfeitam tua manhã.

Beijo-te os olhos, as mãos, os pezinhos, a teus pés, levando-te a passear nos jardins deste dia, para que sintas o riso das rosas e os acenos das margaridas à tua passagem.

Saímos, então, os dois, a rodopiar entre os canteiros, erguendo-te ao alto e pedindo a Deus que nos abençoe pela luz, pela vida e pelo amor que faz de nossos dias o sentido verdadeiro de ser.

É quando agarras nas rendas de minha blusa que juro-te permanecer a teu lado por todos os dias possíveis de minha existência.

E como sei que nunca vais crescer, a ti então posso pegar pelas mãos, conduzindo-te ao canteiro silencioso e profundo onde, no princípio dos tempos, minha rosa foi plantada, tratada e cultivada e onde hoje cresce, lentamente, mas cresce.

Sei que a conheces mais que eu, mas quero, eu, mostrá-la a ti, meu pequenino.

A rosa que me conta segredos, que me fala de amor e respeito, coisas que agora raramente encontramos no mundo de fora.

Mas hoje é teu aniversário e vendo-o assim a bater palminhas, a sorrir, a pular em meus braços, esqueço de tudo, de toda a maldade, estupidez e mazelas dos homens, simplesmente porque não quero que chores, não quero que teu dia se perca no escuro, embora eu saiba que tu sabes de tudo que ocorre fora deste jardim.

Quando ficas repentinamente quieto, olhando a chama da vela da comemoração de teus anos, nesse segundo que passa em teus olhos, meu coração estremece porque te sinto conciso, preocupado e grave; mas, em seguida, voltas a ser o meu menino.

E quando a noite chega, deito-te dentro de mim, cantando para te ninar uma canção que fale dos rios, dos bosques, dos anjos e dos homens de bem que ainda habitam este planeta e que não são cativos da escuridão.

Te amo tanto, filho meu, que mesmo quando adormeces, sinto-te a caminhar entre as nuvens e as flores dos meus sonhos, pulsando em minhas veias, a cada batida de meu coração.

Durma, meu pequeno; amanhã e em todos os dias de nossa existência comemoraremos, sempre e a todo instante, o teu aniversário.

Vendo-te deitadinho na manjedoura de meu presépio, aflora em minha pele a certeza de que, mais que nunca, somos Um.

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Feliz Natal!

 

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Saramago

 

Lendo matérias referentes às fatalidades acontecidas nos últimos dias e tendo em mãos o livro que foi publicado após a morte de José Saramago (organizado e selecionado por Fernando Gómez Aguilera), deparo-me com o capítulo sobre Ética.

Falta-me o chão, o ar, e um vazio imenso me faz sentir saudade de meu lar que não sei exatamente onde fica, mas que sei não ser esta cidade, este país, este planeta…

E à medida em que vou absorvendo tuas palavras, Mestre Saramago, menos entendo o por quê de teres sido tão criticado, pois se foste ateu, o que isso importa vendo (e lendo em teus livros e em fatos vividos) o quanto foste humano e quantos crentes de tantas religiões hoje são desumanos com a própria raça, abrindo os portais mais sórdidos e mais escuros de seus impulsos inferiores.

Hoje, dia em que se comemora a data de teu nascimento, deixo trechos desse capítulo, Ética, para um momento de reflexão e de constatação de que, ser humano não implica em fazer parte de um ou outro segmento religioso e sim, praticar o que sua consciência lhe diz, mesmo que para tanto se reme contra a correnteza da maioria, que prefere utilizar a máscara padronizada à face limpa de disfarces.

“Se decidíssemos aplicar uma velha frase de sabedoria popular, provavelmente resolveríamos todas as questões deste mundo: “Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”, que pode ser dito de maneira mais positiva:”Faz aos outros o que quiseres que te façam a ti”.

Creio que todas as éticas do mundo, todos os tratados de moral e códigos de comportamento se contêm nestas frases.

Nem a arte nem a literatura têm que nos dar lições de moral. Nós é que temos que nos salvar e isso só é possível com uma postura cidadã ética, embora possa soar antigo e anacrônico.

Percebi, nestes últimos anos, que ando procurando uma formulação da ética; quero exprimir, através dos meus livros, um sentimento ético da existência e quero exprimi-lo literariamente.

Cada vez me interessa menos falar de literatura e cada vez mais de questões como a ética – pessoal ou coletiva.

Não sei [se haverá algo depois desta travessia do deserto], mas há uma condição essencial: o respeito ao outro. Nisso está contido tudo, porque impede de fazer mal.

O que faz falta é uma insurreição ética. Não uma insurreição das armas, mas ética, que deixe bem claro que isto não pode continuar.

Não se pode viver como estamos vivendo, condenando três quartas partes da humanidade à miséria, à fome, à doença, com um desprezo total pela dignidade humana.

Tudo isso para quê? Para servir à ambição de uns poucos.

Só falo de evidências, de coisas que estão à vista de todos. E sei que tenho razão.

Em nome da ética, e muito mais da ética revolucionária, se fizeram coisas pouco éticas.

Certa vez eu disse que estamos precisando de uma insurreição ética, mas vamos matizar um pouco.

Creio que tudo isso seria menos conflituoso se pensássemos numa espécie de sentido ético da existência. Sem revolução.

Ter para cada um de nós um sentido ético da existência, no silêncio da nossa consciência. Claro, a consciência não é nada silenciosa, ao contrário: a consciência fala.

A ética de que falo é uma pequena coisa laica, para uso na relação com os outros. Passa por essa coisa tão simples quanto o respeito, só isso.

Portanto, se mais tarde, pelas circunstâncias, a revolução finalmente fosse necessária, então a faríamos.

Mas deixemos a revolução para mais tarde e comecemos pelas pequenas coisas que podemos fazer sem revolução.

Essas coisas pequenas podem ter consequências fortes e intensas como as revoluções, que não duram.

A ética é a mulher mais bonita do universo, o mundo necessita de uma forma diferente de entender as relações humanas e isso é o que chamo de insurreição ética.

Você tem que se perguntar: o que estou fazendo no mundo?

A idéia do respeito ao outro como parte da própria consciência poderia mudar algo no mundo.

Claro que muitas pessoas riem ao ouvirem falar de ética.

Mas creio que há que voltar a ela e não à ética repressiva.

Não tem nada a ver com a moral utilitária, prática, a moral como instrumento  de dominação. Não. É algo mais sério que isso: o respeito ao outro.

E isso é uma postura ética. Fora daí não creio que tenhamos nenhuma salvação.

Tivemos liberdade para torturar, para matar, para assassinar, e tivemos liberdade para lutar, para seguir em frente, para tentar manter a dignidade. É aterrador o uso que se pode fazer de uma palavra.

O importante é que haja presença de um senso de responsabilidade cívica, de dignidade pessoal, de respeito coletivo; se se mantém, se se constrói, se não se aceita cair na resignação, na apatia, na indiferença, isso pode ser uma simples semente para que algo mude.Mas eu estou muito consciente de que isso, por sua vez, não significa muito.

Há um problema ético grave que não parece estar a caminho de ser resolvido: depois da Segunda Guerra Mundial discutia-se na Europa sobre progresso tecnológico e progresso moral, se podiam avançar a par um do outro.

Não foi assim, pelo contrário, o progresso tecnológico disparou a alturas inconcebíveis e o chamado progresso moral deixou de ser, pura e simplesmente, progresso e entrou em regressão”.

Gostaria, Mestre, de trazê-lo, mesmo que por pensamento, a tempos de delicadezas, mas só posso assim fazê-lo guardando-o em mim; o mundo está irreconhecível (ou será esta a sua face verdadeira?)

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Depois de uma longa ausência, volto para iniciar o ano com um fato tocante, na tentativa de abrir este novo ciclo com algo positivo, altruísta, de puro sentimento; é também uma forma terna e profunda de comemorar os cinco anos de existência do meu blog, embora atrasado, que ocorreu na data em que se comemora o Dia de Reis.

Como de um modo geral não vejo nenhuma mudança mais acentuada que seja digna de comentário, então parto para atitudes individuais que, se propagadas, penso e pretendo tocar o coração daqueles que ainda se importam com seus semelhantes, realizando renovações através de suas virtudes, sensibilidade, solidariedade, essência. 

 É o que fez minha amiga Daniela Panebianco nos primeiros dias deste ano que me leva a escrever e a refletir sobre o assunto.

 Mas o que fez Daniela de tão excepcional? poderão estar se perguntando.

Pois é, Daniela é médica veterinária que trabalha diariamente em um órgão da prefeitura (CCZ), fazendo cirurgias em animaizinhos doentes e/ou castrações.

Dia desses chegou até ela uma cachorrinha poodle que seus colegas encontraram em um cemitério, abandonada por alguém ou por algum canil, toda machucada, cega de um olho, problemas de pele e de pelo, completamente mal tratada; enfim, esquivo-me de outros detalhes dolorosos, para amenizar a vergonha que sinto em pertencer à raça dita humana.

A situação da cachorrinha a sensibilizou a tal ponto que adotou-a quase que de imediato; sentiu naquele animalzinho toda a necessidade de um amparo mais de perto, além do carinho tão premente para que essa criaturinha pudesse sentir que nem todo ser humano é bruto, explorador, desumano, corrupto, estúpido e ganancioso, no pior sentido da palavra.

Deu a ela o nome de Nelly e ela já sabe que tem esse nome porque responde com um olhar, reconhecendo a voz de sua dona.

Deu a ela o que de mais terno tem no coração: muito amor, muitos cuidados, toda a atenção que Nelly talvez nunca tenha recebido em toda a sua vida de alguém.

Deu uma casa, conforto, alimento, medicamentos e um companheirinho, Johnny, para brincar.

Nelly é uma criaturinha meiga, suave, quieta, aconchegante.

Ainda é uma cachorrinha que caminha de olhos baixos, devagar, ainda não sabe lamber como forma de carinho, ainda não sabe brincar com bola, correr e latir: o sofrimento ainda lhe pesa nos dias. Talvez esteja assustada com tanta coisa boa que vem recebendo das pessoas ao seu redor.

Mas quando sai na rua demonstra gostar de passear, andando rápido e a tudo farejando com seu apurado olfato; gosta também de comer e de dormir em sua caminha fofa ou nos braços de alguém que lhe faça cafuné.

No final da semana passada Nelly foi para o sítio, ficou solta entre plantas e árvores, passarinhos e tartarugas; arriscou-se até a explorar o território ao redor da casa.

Sentiu o sol e também ouviu a chuva, dormiu em um tapete macio e não acordou assustada porque já descobriu que é amada; sabe que pode dormir porque, quando acordar, o sonho não vai acabar.

 

Fiquei muito honrada quando fui convidada para ser sua madrinha, porque é uma grande oportunidade que tenho de entregar a ela o que de melhor guardo em mim.

Às vezes olho para ela repousada em meus braços e sinto um aperto enorme no peito, imaginando as barbaridades pelas quais possa ter passado, mas tento mudar o pensamento, passando energias saudáveis e todo um carinho que sei Nelly ser merecedora de muito mais.

 

Comentei com Daniela em escrever sobre a Nelly, ao que ela me disse ser tão comum o que ela fez, ” isso acontece todos os dias, há milhares de animaizinhos sem condições nenhuma e abandonados que estão vagando pelas ruas ou sendo recolhidos para adoção”!

Não posso concordar com algumas de suas palavras; se essa atitude fosse comum, não haveria tantos animaizinhos abandonados, mal tratados, explorados pelos canis para reprodução em massa e depois jogados à revelia, como se fossem pacotes ou objetos que não servem mais.

A verdade é que Daniela tem um coração tão bom, uma alma tão sensível, que acha essa uma atitude corriqueira, talvez sem dimensionar totalmente a grandiosidade de sua ação.

Por isso e por tudo que tenho presenciado, eu a admiro e muito, cada vez mais.

 

Se Nelly pudesse falar, com certeza diria “obrigada, Daniela”!

Mas eu posso e digo em seu e em meu nome: obrigada, Daniela, por mais este aprendizado e esta demonstração de Amor.

 

Isto posto, desejo Feliz Ano Novo a todos aqueles que ainda sonham com um mundo melhor.

 

 

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cão e gato

Aprendemos a falar de amor para quê?

Somente para enaltecer a beleza da Natureza, o amor incondicional dos animais ou do ímã que existe entre os seres terrestres e espaciais?

 

Cabe a nós que ainda sonhamos, a nós que trazemos no peito um coração incansável que canta, dança, pula e brinca como criança; cabe a nós amenizar a dor e o desamor que assola não só o nosso ou outros povos, mas toda a humanidade.

 

É um fardo pesado sim, muitos não aguentam, desistem à margem da tentativa!

Mas é um fardo que nos faz crescer, amadurecer, porque nos ensina lições preciosas, inesquecíveis.

 

Somente no final do ano a maioria dos humanos deixa aflorar seu potencial (os animais irracionais fazem isso durante todos os dias de suas vidas…. e nós é que somos inteligentes); todos sorriem, se beijam e se abraçam, se presenteiam e se desejam uma felicidade que, na verdade, não conhecem.

Fitas coloridas, árvores enfeitadas, mensagens radiantes… amorzinho, amiguinho, irmãzinha e outras “inhas” para demonstrar a gratidão acumulada durante todo um ano e que agora explode como fogos de artifício.

 

Cabe a nós que ainda sonhamos, a tentativa de “virar” a maioria das pessoas no avesso e assim, ajudá-las a externar suas luzes e descobrirem através de atos, e tão somente de atos, que não há necessidade desse represamento de emoções.

Cabe a nós mostrar que podemos tudo e sem brincar de Polyana, com o pé sempre no chão e o coração nas estrelas.

 

Afinal, quantas vezes já sorrimos quando, por dentro, chorávamos?

Quantas vezes edificamos no momento exato em que, por algum motivo, estávamos sendo destruídos?

Quantas vezes caminhamos para incentivar, quando na verdade pensávamos em parar, ficar, se acomodar?

 

Somos todos iguais, passamos pelas mesmas alegrias, dores e necessidades; aquele que diz sofrer mais é porque já atingiu a fase da cegueira e só pensa em si ou faz de si uma vítima.

A única diferença é que uns conseguem sonhar, outros não.

Os que sonham nunca tiram os pés da atualidade (verdade) e nem os olhos do céu; e assim se fortalecem e entendem seu papel na história do Universo.

Faça de você uma ideia maior.

 

Por esta razão desejo, sim, um Natal de Luz e muita Paz, mas não apenas uma passagem de ano alegre, com músicas altas e bons presságios; não quero desejar apenas palavras que possam  se perder no decorrer do tempo.

Desejo sim, que os anos do resto de nossas vidas passem por nossas emoções profundas e ações marcantes.

 

Para isso aprendemos a falar de amor.

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Jose Saramago

 

 

Já fiz essa colocação em outras ocasiões, mas como sempre fico surpresa com o fato a repetir-se todos os anos, aqui estou eu novamente, na data de teu aniversário, a procurar nas estantes uma obra para eu reler.

Teu aniversário José Saramago, Mestre querido, que debalde tento seguir mais de perto suas lições, mas ainda sou limitada, pequena, aprendiz…

Tenho relido ultimamente o Ensaio sobre a Cegueira que para mim retrata os absurdos desta dura realidade em que estamos vivendo.

É mais um sinal de alerta, diria até que uma premonição desta época aterradora pela qual a humanidade se auto-flagela, olvidando seus valores morais, sociais, humanitários.

Há trechos em que me assusto, de tão igual a miséria, o descaso, o desalento, a escuridão.

Para me refazer (como se possível fosse) leio de um só fôlego O Conto da Ilha Desconhecida, onde também há poder, discórdias e outras mesquinharias, mas existe algo diferente chamado objetividade de busca, profunda, interior.

Sinto que as duas obras fundem-se em vários trechos, como este que me chamou a atenção, “… é necessário sair da ilha para ver a ilha, … não nos vemos se não sairmos de nós,…”, com um pensamento da primeira obra que citei que diz, “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

O Conto da Ilha Desconhecida, como nos situa o texto, transcorre na época medieval, em um país fictício e, como tal, há de se dizer que não é possível comparações com a época em que vivemos; mas, com mais vagar, é possível entender o quanto estamos retrocedendo em termos de valores e de como é bem possível que já estejamos esbarrando nesse período de brutalidades, posses, poder, obscurantismo.

Mestre Saramago, paro por aqui; minha intenção inicial era a de apenas lembrar-me da data de teu aniversário, mas, me perdoe, com estas obras nas mãos me é impossível não pensar (e me arrepiar) nas sombras que hoje se apossam do inconsciente coletivo, nos cegando da verdade.

Vejo nos traços do teu rosto quanto a vida te deu e também te tirou e quanto de ti existe em meu pensar, em minha busca para desvendar o que existe de real em mim, qual o meu caminho diante de tudo, de todos e de mim mesma.

Como disseste e tão bem citado por Arthur Nestrovski, “Dentro de nós (como no livro da Ilha) há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”, tal e qual o último pensamento expresso nO Conto da Ilha Desconhecida, “Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma.”

Será que essa é a única saída para tudo, Mestre? uma saída individual, uma busca solitária, quase sem esperanças? Se não sonhamos, não vivemos… mas, como sonhar em meio a tantos pesadelos?

Não sei como sobreviver à dor de tão desolado desamor entre as criaturas, mas… aqui estou eu novamente, Mestre, a falar da tristeza do mundo, no dia de teu renascimento em mim…

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Pompéia

 

 

 

A vida às vezes apresenta algumas ironias que não há como não percebê-las.

Nada como um dia após o outro e, por assim ser, pensar a fundo e com muita cautela é o que se torna mais urgente atualmente.

 

Me explico: dia desses, aprontando-me para sair, liguei o rádio para ouvir alguma canção, querendo alegrar meu espírito para o encontro de logo mais.

Como sou apaixonada por música (e por isso sei a letra de muitas) comecei a cantarolar com o compositor; a música tem uma cadência gostosa, mas eu já não podia nem cantar e nem marcar o ritmo com os pés,  porque eu estava na etapa de pintar os olhos (as mulheres, em particular, sabem o que isso significa).

Então passei a fazê-lo com mais cuidado, ao mesmo tempo que também prestava mais atenção à letra que já havia cantado muitas e muitas vezes.

 

E, de repente parei, arregalei os olhos para mim no espelho e por um segundo fiquei atônita.

Essa música foi composta à época da ditadura – falei para meus botões; Se encaixa como uma luva para a situação atual – responderam-me eles; E justo esse compositor que homenageei há pouco tempo, pela importância que teve em minha vida nos idos anos 70/80! – acrescentei.

Eu e meus botões, desconsolados, sentamos na ponta da cama e… de repente comecei a rir, rir, rir sem conseguir me controlar, como se eu tivesse me tornado insana em um passe de mágica.

Bem feito! – desejei ao compositor – Sucumba agora em suas próprias palavras!

E continuei a rir, tanto que borrei o rímel e a sombra dos olhos, o traçado das sobrancelhas, o batom escorregando descontrolado para fora de minha boca…

 

Depois que lavei bem o rosto vi que me enganara, não estava rindo e sim, chorando.

De vergonha, de decepção, arrasada por constatar que a corja do planalto continuará chafurdando e reprimindo, torturando e sufocando cada um de nós dentro de nós mesmos, sem a menor possibilidade de esperanças, muito menos de sonhos (as pessoas estão se isolando cada vez mais, criando seus próprios mundos onde ainda lhes é permitido sonhar).

 

Quase desistindo de sair, lembrei-me de um personagem da mitologia grega, Hefestos, filho de Zeus e Hera, um deus fisicamente defeituoso, baixo e orelhudo, mestre do fogo que se manifesta das entranhas da Terra.

Como sua aparência era grotesca para um deus, só lhe restou montar uma oficina na boca de um vulcão, no caso o Etna, para fabricar armas, escudos, armaduras. Um verdadeiro instigador à guerra, entre seus pares. E assim, sua imagem passou a ser sua própria semelhança.

 

Trocando o Etna pelo Vesúvio à época de 79 d.C., podemos dizer que Hefestos (vamos chamá-lo assim, mesmo porque me nego terminantemente a escrever seu nome) instiga tanto o fogo com suas armas (corrupção, engodo, mentira, desrespeito, prepotência, etc, etc e etc) que acaba provocando a erupção do vulcão que sepultará por completo, com sua chuva de cinzas ácidas, a cidade (leia-se país) e sua população.

 

Trocando Itália por Brasil, eu e meus botões confirmamos, portanto, que continuaremos, todos nós, morando na futura Nova Pompéia.

Hefestos e seus asseclas estão felizes, pagando para ver se o povo reage desta vez. Então verão!- quase que gritando, falaram meus botões.

 

E já que falei em asseclas, pares, companheiros, coniventes e outros que tais, abaixo deixo um trecho da música que eu estava ouvindo e que desencadeou todo este sentimento de inutilidade.

Desde então, continuo tentando me vestir, mas não consigo porque ainda estou rindo, chorando de tanto rir.

Acho que desta vez enlouqueci.

 

 

Homenagem ao Malandro

(Chico Buarque)

 

 Agora já não é normal

O que dá de malandro regular profissional

Malandro com aparato de malandro oficial

Malandro candidato a malandro federal

Malandro com retrato na coluna social

Malandro com contrato, com gravata e capital,

Que nunca se dá mal

 

Mas o malandro prá valer, não espalha

Aposentou a navalha

Tem mulher e filho e coisa e tal

Dizem as más línguas que ele até trabalha

….

  

Valeu, Chico Buarque; retratou direitinho!!!

 

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Imortal

Aprendi com a Primavera a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira

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Sou uma pessoa privilegiada, em todos os sentidos.

Criada no interior, sei o que é brincar em um vasto quintal repleto de frutas, plantas e flores, com muito sol e também com chuva (que era quando afloravam as mais deliciosas traquinagens).

Criada convivendo com meus três professores prediletos (mamãe, papai e vovô) que nos auxiliavam quando das dúvidas ou curiosidades.

Quantas coleções ilustradas tivemos! Até hoje me lembro d’O Mundo da Criança e suas histórias fantásticas, Reinações de Narizinho, O Mundo Animal e, mais tarde, a coleção feita por meu irmão João, A História da Arte.

Mais tarde partimos para a leitura dos filósofos, na biblioteca de meu avô e, também buscamos o divino na biblioteca de meu pai, onde nos entretínhamos com a vida dos santos (sem quase nada entender).

Às vezes pedíamos para meu pai que nos contasse histórias “de medo” e depois minha mãe se zangava porque demorávamos para dormir.

Aprendi Francês com 11 anos e Inglês com 13, no colégio que estudei (hoje as crianças mal escrevem em Português…)

Nunca esquecerei da aula com a mestra Maria Lúcia Barbim, em que aprendi a redigir primeiro um bilhete, depois um comunicado seguido de uma carta e, por fim, uma redação (obrigada, mestra!)

 

Cresci ouvindo meu avô ao violino que me parecia mágico, minha mãe em um piano que transbordava amor e meu pai ao violão, em eterna saudade e melancolia (optei por aprender violão).

Cresci vendo meu avô a cantar com as netas e minha mãe nos braços de meu pai, a rodopiar pela sala.

 

Cresci feliz, brincando (e às vezes brigando) com mais quatro irmãos, onde o mais velho mandava no mais novo e, o mais novo era, como se diz, paparicado por todos (até hoje alguns de nós continuam assim, brincando de mandar no outro, sem se dar conta do tempo que passou…)

Divergências até hoje existem (somos normais), mas também o que nos unia àquela época, até hoje perdura: amor.

 

Aprendi valores ímpares, pilares que sustentam minha vida, pelas palavras e exemplos que observei em meus familiares; só para citar alguns, respeito, honestidade, perseverança, amizade, bondade (e, particularmente, aprendi com todos a sonhar!)

 

Cresci em contato com animais (em casa, na casa de amigos, ou no sítio do avô (Lumina) de meus primos) e fico sentindo um vazio e tristeza pelas crianças que só os conhecem através de bonequinhos, figuras de revistas ou pela tv

 

Cresci em um tempo onde lama era uma mistura de água e muita terra, onde somente porcos (os animais) chafurdavam o dia inteiro, não se incomodando com nada ao redor.

 

Cresci em um tempo onde nossa saúde era cuidada com muito carinho; por isso, a abundância (em qualidade) em frutos, alimentos, higiene, água.

 

Cresci em um tempo que se ria por bobagens, um riso frouxo, puro, cristalino, porque se gostava de rir simplesmente.

Ríamos à toa e tanto que uma de nós chegava até a fazer xixi na calcinha! (conto a intimidade, mas não conto quem era!)

 

Aprendi a gostar de bons filmes (éramos cinéfilos, todos!) o que me é permitido até hoje, digamos, saboreá-los, de tanto prazer que ainda me trazem.

 

Cresci em um tempo onde passávamos com muito medo diante da cadeia da cidade, com aqueles homens pendurados naquelas janelinhas gradeadas olhando para o nada (hoje andam entre nós).

 

Aprendi a cultivar amigos que presentes estão em minha vida da mesma forma como estou aberta para eles, a qualquer momento que de mim precisem; são poucos (conto nos dedos de uma só mão), mas são pessoas das quais me orgulho em ser amiga.

 

Aprendi (mas não muito) a ter paciência com os prepotentes, mas aprendi também a “levantar o nariz” para os imprudentes, invasivos e ingratos (afinal tenho muitos defeitos, você nem imagina!)

 

Aprendi a amar, a chorar, a cantar, a escrever, a observar, a buscar (sem às vezes encontrar)

 

Cresci, aprendi, descobri, perdi, ganhei e aqui estou.

Com medo de desaprender tudo o que até agora entendi como sendo o melhor.

 

Foi assim que acordei nesta manhã.

Lembrando-me de todos esses momentos e também do sonho que tive (e que depois entendi o por quê).

Me vi toda paramentada em uma cerimônia oriental (japonesa, talvez) que transcorria com muito respeito, disciplina, cuidado, responsabilidade, concentração, harmonia, alegria.

Passado um tempo entendi que, unica e exclusivamente por culpa de tudo o que tive (é verdade!) hoje sinto-me um peixe fora d’água, que pulou para a margem e morre lentamente de sede, sede de tudo o que tive um dia.

Sim, hoje, quando o povo resolveu continuar dormindo em berço esplêndido.

 

Sou uma pessoa privilegiada, para quê mesmo?!?

 

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