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Posts Tagged ‘A Maior Flor do Mundo’

Tenho em mãos um livro que, acredito, poucas pessoas conhecem.

Da Companhia das Letrinhas, com ilustrações muito criativas, repletas de detalhes de gosto bastante requintado, A Maior Flor do Mundo é um livro destinado ao público infantil, escrito por José Saramago.

 

E porque está em sua estante de livros, pode alguém perguntar.

Porque em minha alma, respondo eu, mora uma criança de sentimentos naturais e que nunca irá crescer, além de ser perdidamente apaixonada pelas histórias de meninos e meninas que, por sua vez, moram no mais íntimo de cada poeta, cada escritor, cada romancista.

 

E ali está o retrato da alma deste escritor que me cativou, que continua desafiando meus pensamentos, que me apaziguou o viver em momentos de extrema aflição, que companhia me fez em noites insones e que me ensinou ver o mundo por um prisma muito especial.

 

Este dramaturgo que a muitos estremeceu diante do compromisso que tinha consigo mesmo, lealdade esta que muitas vezes não ia de encontro com o pensar de muitos e, por isso, não souberam respeitá-lo devidamente.

Este romancista polêmico que jogava um carvão em brasa sobre o gelo da hipocrisia e que, de tão incandescente, rompia com qualquer máscara revestida de uma moral que existe, até hoje, só nos tratados de bem viver contemplados em leis esquecidas pelos gestos e palavras daqueles que se dizem senhores do bem e da verdade.

 

Um escritor severo consigo mesmo, pleno que era da responsabilidade que existe no poder da palavra.

Um escritor que unia os extremos do universo, ódio e amor, completando assim o círculo da evolução dos sentimentos no homem.

 

Mas neste livro Saramago mostra-se despido de qualquer tipo de argumentação; expõe a face cristalina de sua alma, aquela parte de si que é pura essência, que permanece; que sonha, que imagina e que voa, entregando a quem queira estar com o menino que trazia em si e para si, do menino que talvez tenha conseguido apresentar para tão poucos…

Aquele garoto que, cansado de remar contra tantas tempestades, exausto adormeceu ao relento, agasalhado por uma pétala dA Maior Flor do Mundo.

 

É assim que dormes em mim, menino.

Sei que hoje comemoram teu aniversário e que talvez fosse prudente acordá-lo para assistires às comemorações, mas… dormes em mim, tal e qual o garoto que foi levado para casa, rodeado de todo o respeito pelo feito que atingiu.

Um respeito que ficaram te devendo ao longo desta travessia terrena que findou, mas que nem por isso alterou tua rota em busca de algo maior que tua própria vida.

 

Lendo e relendo este pequeno livro grande, procuro entre linhas a magia, o encanto que só quem não cresceu é capaz de vislumbrar.

 

Um dia disseste e aqui transcrevo, porque sinto-o a cada leitura que faço:

“O outro é um complemento que nos faz a nós maiores, mais inteiros, mais autênticos.  Essa é a minha própria vivência.”

A minha também, meu poeta, a minha também.

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