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luz

 

A data comemorativa da Páscoa passou.

Tenho um pouco de receio dessas grandes datas.

Natal, Dia Internacional contra o Racismo, Abolição da Escravatura, Dia da Independência, Dia Internacional da Poesia e até do Dia dos Pais e do Dia das Mães, entre outras.

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Para a maioria dura apenas vinte e quatro horas.

Para o comércio, algumas semanas a mais.

Para os atos cívicos ou litúrgicos, algumas horas; o suficiente para que se execute um hino, um ritual, uma apresentação.

A Páscoa, por exemplo, dura apenas enquanto o chocolate derrete na boca? E depois?

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Depois, um vazio.

Os votos voam como fumaças inexpressivas pelo ar; se vão para longe, se perdem no espaço, somem de vista.

E sempre me pergunto Por quê, se nosso coração está aqui tão perto?! Por que não fazer dele um cofre depositário de nossos verdadeiros votos e emoções?

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Fala-se em renovação, em recomeço, em ressurreição, mas… e o propósito, será que firmou-se como âncora em nossa consciência ou voou como palavras ao vento?

Ouvi alguém dizer, em uma aparente e eufórica alegria que, de tantos amigos que tinha nas redes sociais, levaria o dia inteiro mandando mensagens e mensagens.

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Não sei se sou muito antiga, mas isso também me assusta.

Muitos chocolates, muitos amigos, muita euforia, risos e alegrias exagerados que só afloram nesses pequenos momentos.

Enfim, quantidade e não qualidade.

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A qualidade exige integridade em não se dizer o que não se sente ou o que não se tem condições de realizar por pura falta de conhecimento.

A qualidade exige força de vontade, discrição, observação, bom senso.

A qualidade exige humildade, compaixão, atenção.

A qualidade exige harmonia, serenidade, mesmo que em meio a um turbilhão.

A qualidade exige interesse, cuidado, carinho, amor.

A qualidade exige sabedoria.

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Mas é muito mais fácil colecionar uma quantidade de alguma coisa, não dá trabalho algum, não exige nada; apenas, talvez, saber contar até mil ou um milhão, tanto faz.

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É muito importante e prazeroso ter amigos, mas amigos de alma!

Recebi uma mensagem de um querido amigo que, sufocado pela leviandade das aparências, pedia um basta às palavras inúteis e um sim à reflexão sobre atitudes nobres; realmente uma mensagem de apelo que brotou da sua profunda forma de viver verdadeiros valores.

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Claro que há o outro lado da moeda, sabemos disso.

Como no dia em que uma pessoa muito experiente me perguntou se eu já havia desejado um sorridente Bom Dia para uma pessoa desconhecida na rua.

Eu quis sentir qual era essa sensação que ele tanto enfatizou e assim o fiz.

Fui mal interpretada e agredida verbalmente.

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Há pedras em todo caminho, por todo o caminho, mas não se pode desistir de um caminho divinamente traçado por causa de pedras, simplesmente.

Há pessoas que preferem atirar pedras; acham engraçado e sentem prazer e poder em assustar e ameaçar o outro.

Mas há aquelas que preferem observar as borboletas que fazem de seus casulos, seus corações; aquelas que preferem guardar em suas retinas seu despertar, seu primeiro impulso para a luz, suas cores, sua leveza, seu encantamento, seu voo de paz, e depois poder transformar essa sensação única em gestos que, se traduzidos, significam Renovar.

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A cada ação, a cada sorriso.

Em todos os momentos da vida.

 

 

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Foi assim

 

 

Suzana era perversa.

Invejosa e esnobe.

Não gostava de estudar e procurava em tudo, facilidades.

Muita coisa para uma menina de dez anos.

 

Mariana, ao contrário.

Menina observadora e estudiosa.

Derretia-se diante da doçura dos animais.

Havia entre as duas um suportável convívio mantido pelas tolerâncias de Mariana.

 

Até que um dia se cansou.

Achou necessário soltar seu demônio interior.

Deixou que ele quebrasse tudo à frente, berrasse sua agonia, rasgasse sua aparência.

 

Suzana ficou assustada.

Em um primeiro momento quis encarar aquela Mariana desvairada.

Depois, encolheu-se a um canto esperando a tempestade passar.

Mas não passou.

Mariana veio em sua direção, olhos vermelhos, gargalhando, dedo em riste.

Puxou os cabelos de Suzana até que ela uivasse de dor.

Escancarou a janela, empurrou meio corpo de Suzana para fora, fazendo-a tremer de pavor.

Olhou fundo em seus olhos assustados e disse profunda e lentamente, Nunca mais me aborreça com suas maldades, ouviu bem?

Suzana jurou-lhe obediência e quando por ventura se esquecia, Mariana apenas lhe lançava um olhar aterrador, o suficiente para que ela se redimisse.

 

Papéis trocados.

Mariana não tinha mais tempo para estudar ou pintar. Divertia-se em imaginar como amedrontaria Suzana, criando situações para, por nada, encostá-la na parede.

 

Para distrair-se e nada fazer de errado, Suzana começou a dedicar-se à leitura, aos estudos, à música, qualquer coisa que lhe exigisse concentração, desviando assim seus olhos e seus pensamentos de Mariana.

Foi esse o caminho que Mariana escolheu interpretar para que Suzana deixasse de ser perversa.

 

À noite, já deitada no escuro, Mariana ria baixinho; virava para o canto e, agora sim, conseguia dormir sem medo algum.

 

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