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Posts Tagged ‘amor’

Menino Lindo!

 

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Menino lindo

de cabelos de seda

olhos de estrelas

sorriso sereno

lábios doces

beijo de alma para alma

.

Brinca, dança

sonha

estende as mãos

entrega o riso

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Canta baixinho

uma canção de amor

resolveu ser sonhador

.

Viaja no eterno

traz presentes de outros mares

conta histórias de lugares

onde só ele pode chegar

.

Menino lindo

de cabelos de seda

sabe voar, posto que é anjo,

para depois retornar

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E contar das estrelas que colheu

e dos oceanos permanentes

em seu coração

.

Menino lindo!

 

 

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Dia desses assisti ao filme O Doador de Memórias, baseado no livro de Lois Lowry, com o maravilhoso ator Jeff Bridges, sob a direção de Phillip Noyce.

A sinopse diz que trata-se de um mundo feliz (apenas na aparência) onde, através de um conselho de anciãos, um rapaz que completa 18 anos é escolhido para tornar-se o receptor das memórias de um passado real ocorrido na comunidade em que vivem.

Só o ancião mais sábio, que um dia também foi escolhido por outro, tem condições, como doador, de passar, através de algumas técnicas, as memórias passadas, completamente desconhecidas pelos habitantes atuais.

É quando o rapaz, tomando conhecimento das memórias, entra em conflito com o seu até então aprendizado padrão, confrontando-o com a realidade omissa em que vê acontecer ao seu redor.

Não vou contar o impasse do filme, mas sim, o que me levou a uma profunda reflexão e à necessidade em vê-lo por mais de uma vez.

As cenas são, até certo ponto, em preto e branco e o doador de memórias explica que, em um determinado momento no passado, o conselho assim deliberou, como única alternativa para extirpar de vez a inveja, o orgulho, o ódio, a ambição, a prepotência que predominavam entre as pessoas; tirando a cor de tudo e  criando esse mundo padrão, preto e branco, insípido, de mesmices, onde as pessoas têm sentimentos mascarados, superficialmente educadas umas com as outras, mas completamente desprovidas de emoção e verdade.

Assaltou-me à mente e isso assustou-me bastante (ainda me assusto!) a ideia de que, será essa a solução para recomeçarmos a vida social, política e profissional?

Será que haverá necessidade de se eliminar de vez as “cores” (a vida) das coisas (e emoções) para se zerar as mazelas do mundo?

E como todo “mundo perfeito”, também eliminar de forma fria e prática, bebês indesejados e velhos indefesos?

Será que, em uma inversão de papéis, já não moramos nesse mundo mascarado, onde os corruptos, os violentos, os sem caráter descoloriram nossas vidas, tirando-nos a alegria de viver, de planejar, de descobrir nossos caminhos, vontades, emoções?

Como disse, não quero entrar em mais detalhes,  mas há que se ver esse filme com cuidado, pois são muitas as situações expostas que nós podemos comparar com esta realidade difícil, antes inimaginável, em que estamos vivendo.

Mas, como no filme, há uma palavra chave que cura e curará as feridas abertas, causadas pelo próprio ser humano.

É nela que reside uma profunda reflexão.

 

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União

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O tinir da sineta por nove vezes

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Há um silêncio no coração de quem busca

sussurros ouvidos somente por aqueles

que se entregam ao profundo momento

como a um sublime segredo

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É quando atravesso o espelho

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Levam-me lentamente

num sopro de sons

no perfume das pétalas

e do incenso

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Levam-me a banhar os pés

em respeito ao solo

onde irei tocar

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Trocam-me a veste

de puro e alvo linho

cingida pelo laço da união

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Atravesso mais um espelho

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Quem me guia toca-me o braço

se assim não fosse eu volitaria

diante da Rosa e da Cruz

Luz intensa, intensa emoção

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Atravesso mais um espelho

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Sinto-me fundida àquela chama

sinto-me una

invisível energia

em plena Paz

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De meus olhos

brotam lágrimas de amor

mas ali já não estou

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No mais profundo de meu ser

minha Rosa

minha Seiva, meu Sol do leste

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Penso em reagir, retornar

mas… para quê?

se estou nos braços de Deus!              

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Quando virei a esquina, meio apressada, esbarrei nos três.

Por um  momento pressenti ter passado por algum portal no tempo. Em que século fui parar?

Maravilhada fiquei com suas vestimentas, coroas, jóias e atenta ao que acontecia ao redor, me pareceu que se dirigiam para algum evento, visto que carregavam presentes nas mãos; e minha imaginação viajou entre braceletes, anéis, tecidos de seda, mapas do tesouro!

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Depois do esbarrão, sorriram para mim, os três, e em cada um vi um brilho raro no olhar.

E como eram diferentes entre si… no porte físico, na etnia e seus trajes, na forma de caminhar, de falar, de tão generosamente sorrir.

Mas todos portavam coroas em suas cabeças; sobre um turbante, um véu ou sobre os cabelos.

Foi quando me dei conta de que deveria estar simplesmente na presença de três reis.

E, ao invés de lhes fazer uma reverência, pedi licença, um pouco constrangida, para fazer uma self com eles, mas o tempo que demorei para explicar e para eles entenderem o que isso seria, me fez desistir da ideia.

E assim, ajoelhei-me como um cavaleiro em suas presenças, o que me fizeram levantar de imediato, estendendo-me as mãos, com um sorriso nos lábios.

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O mais alto, de tez cor de jambo e olhos meigos, convidou-me a ir à festa com eles.

Neguei imediatamente; não estava vestida de acordo para acompanhá-los.

Ao que o outro, de tez clara e gestos doce, falou-me que haveria de surgir alguém que andaria descalço pelos caminhos da vida, sem se importar com vestes e adornos.

Por que, então, eles andavam vestidos com tanta pompa? pensei eu.

Foi quando o terceiro, de voz melodiosa, me respondeu que aquela era a vestimenta normal deles, tal como a minha era aquela, na qual me apresentava naquele momento.

Fiquei surpresa e envergonhada ao perceber que podiam ler meus pensamentos… magia?!?

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Mesmo assim, quis arrumar uma desculpa para não caminhar minha pequenez ao lado de seus passos.

Minhas melhores amigas fazem aniversário neste mês e gostaria de dar-lhes algo, como símbolo do laço cada vez mais forte de nossas amizades, disse eu.

Você terá tempo para isso, respondeu-me o de olhos meigos.

Vamos! Não podemos nos atrasar, a distância é grande, continuou ele.

Então perguntei-lhe o endereço e de que forma iriam para lá; a distância era enorme, conforme verifiquei no meu gps!

Caminhando, respondeu-me serenamente o de voz melodiosa.

Impossível! disse eu assustada, achando que não chegariam ao destino; ainda mais com aqueles mantos pesados, arrastando pelas ruas, o trânsito, os curiosos…

Reis têm carruagens, servos, amas, liteiras, ministros; aonde estão seus séquitos? mentalmente interroguei.

Deixamos para trás, em nossos reinos; somos nós os chamados para essa festa, falou o de gestos doce.

Então outra dúvida me assaltou (aliás, era o que eu mais sentia, dúvidas!): se deixaram tudo e todos para trás, inclusive um outro rei que precisou atender às necessidades urgentes de seu povo… por que convidaram à mim para segui-los nessa verdadeira jornada, para chegar a uma festa para a qual também eu não fui convidada?

Nada disseram; apenas me olharam e sorriram, acolhendo-me ainda mais para junto deles.

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Durante o trajeto vi, deslumbrada, outras magias acontecerem; os reis tiravam de seus mantos (de certo, de algum bolso embutido ou usando varinhas mágicas invisíveis) alimentos e água, entregando-os às pessoas que paravam para admirá-los.

A um, um pão; a outro, um carinho; a um, um abraço demorado; a outro, uma erva medicinal para seu ferimento; a um, um beijo; a outro, simplesmente um copo de pura água.

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E à noite, quando acampamos em um lugar muito alto e que eu nunca havia passado antes, ao invés de se alimentarem ou dormirem, ficaram fitando os pirilampos na relva e as estrelas no céu.

Em profundo silêncio.

Imitando-os, também olhei para a mesma direção; mas o que me impressionava mesmo eram suas imagens enormes, desenhadas pela luz da fogueira nas pedras e só então entendi a solenidade daquele sublime momento.

Foi quando vi uma estrela cadente riscar o negro céu e, sem querer, em uma alegria infantil, quase eufórica, falei alto e depressa, Faça um pedido para o seu coração!

Mais uma vez, os três entreolharam-se e também para mim, e sorriram.

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E aqui estou agora, com meus anjos e protetores Gaspar, Baltazar e Melchior, diante do Menino que nos envolve em cristalina alegria, que sorri como a cantar um hino, que agita e estende seus bracinhos…

E eu, num ímpeto de amor materno, sem pedir licença a alguém, tomo-O em meus braços, embalando-O e cantando para que permaneça sempre em meu coração!

Seus dedinhos macios agarram um dos meus e, assim, aconchegado ao meu calor, sorrindo adormece.

E este é o presente que trouxe a ti, pequeno Menino: minha eterna Gratidão!

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Este é um dos motivos que escolhi o Dia de Reis para inaugurar meu blog.

Este ano, a data, dentro da simbologia numérica, torna-se ainda mais especial: três reis magos mais sete anos de blog somados é igual a dez, ou seja, igual a UM.

 

 

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“Saiba Vossa Majestade que, haver, havemos cada vez menos, e dever, havemos cada vez mais”

( da obra “Memorial do Convento” – 1.982)

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Aqui estou novamente, Mestre, na tua presença.

É quando me é permitido encontrá-lo aonde estás e não aonde estou.

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Observo demoradamente tua imagem e no canto direito de tua boca pressinto um desalento contido; teus cabelos, quando longos e em constante desalinho, esvoaçavam como teus pensamentos pássaros, sempre em movimento; em tuas mãos de dedos longos, a serenidade interior e, por vezes, a resposta enfática, incisiva, que muitos ainda confundem com frieza, sarcasmo, ceticismo.

Mas como te conheço um pouco e te amo muito, isso já não me assusta; apenas o espanto de outros é que ainda me surpreende, depois de tantos ventos, tempestades, raras calmarias.

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Porém o que mais me atrai, sempre, é o teu olhar.

Essa fagulha de intensa luz e lucidez que vibra em todo o teu semblante.

Seria o mesmo olhar de quando o jornalista perguntou, na última entrevista,  Por que o senhor tornou-se escritor tardiamente? e, com paciência, respondeste Isso ninguém sabe, nem eu, nem eu! Mas isso ainda é preocupante? – como se não houvesse algo mais importante a ser dito.

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Teu olhar… com certeza tão diferente de quando, no teu exílio, navegava distâncias e saudades agora adormecidas.

E sempre que me lembro do teu exílio, me vem à mente O Conto da Ilha Desconhecida.

Não me canso de ler essa obra e fico a me perguntar se também não foste tu, Mestre querido, que aguçou-me a busca de mim mesma, porque tuas palavras em minha consciência reverberam sempre… Quero saber quem sou eu quando estiver na ilha; se não sais de ti, não chegas a saber quem és… que é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não saímos de nós.

Será que não foste tu que me ajudaste a pintar, como no livro, as letras que faltavam na minha caravela, para que eu pudesse me lançar ao mar, no início temerosa, mas com o coração aberto em busca do novo, do desconhecido, do que muitos chamam de irreal?

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À tua frente sinto-me diante do mar, ora em turbulência, por vezes tranquilo, mas raramente ensolarado porque, mesmo agora não estando mais entre nós, ainda te pesam os rótulos atribuídos pelos ignorantes de tua vida, que nunca se propuseram a conhecer tua alma; apenas boiam na superfície das ondas, achando (sempre os achismos!) tua escrita salgada como o mar, nada mais.

Mas, como o mar, tens riquezas e belezas para quem se aventurar nas profundezas de tuas águas.

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Eu, no entanto, sentindo-o como o mar em eterno movimento, fico feliz em vê-lo ora verde, ora azul, dependendo do mar onde te encontras no momento deste nosso diálogo de almas e, te olhando assim tão de perto e silenciosa, continuo admirando tua coragem de não te esconderes, nunca, atrás de um remo, no fundo do porão de tua caravela, mas sim, sempre no leme de tuas verdades.

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Com certeza, aprendi contigo, Mestre, o hábito de carregar nas mãos uma bússola e atirar-me ao mar à procura de mim mesma.

O mar é UM, o começo do caminhar pra beira de outro lugar, como diz outro poeta.

 

Hoje comemora-se a data de teu aniversário, mas quem continua ganhando o presente sou eu.

Sempre.

 

 

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Sabes quem é?

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As visitas só podem ser feitas às terças feiras.

Mas a cada terça, a menina a encontra com uma lembrança diferente, de pessoas diferentes, de momentos que já não sabe mais em que espaço adormeceram.

 

Desta vez encontrou-a com uma foto nas mãos, de alguém que não havia mencionado sequer a existência.

Seu rosto estava iluminado e a menina se surpreendeu com essa quase felicidade que não havia notado em nenhum momento, até então.

As mãos da senhora tremiam e, assim, dava impressão à menina de que a pessoa na foto se mexia enquanto sorria.

 

Sabes quem é? – pergunta a senhora, arrumando a gola de sua blusa, como se quem estivesse na foto pudesse vê-la – e a menina negou com a cabeça, esperando um nome, uma data, uma história.

Mas o que viu foi apenas os olhos da senhora pousarem novamente naquele sorriso e com os dedos ainda trêmulos acariciar o rosto, os olhos, a boca, os cabelos daquele que lhe sorria.

 

Por algum tempo assim permaneceu a fitar aquela expressão serena, tranquila, suave.

E a menina, a seu lado, apenas acompanhava o caminhar daquele instante.

 

Até que a senhora se apercebeu novamente de sua presença e, passando-lhe as mãos delicadamente em seus cabelos sedosos, perguntou novamente – Sabes quem é? É o grande amor de minha vida! – e a menina novamente se calou, intrigada com a surpresa que notou na voz da senhora, como se ela tivesse o dever de saber a quem se referia.

 

No instante seguinte, a senhora guardou a foto na caixa de lembranças e retirou-se novamente para o mundo que construiu, onde sempre era feliz, onde sempre sorria como criança para seu amor.

 

E o horário da visita terminou.

E a menina saiu da mesma forma que entrou, sem sequer saber um nome, um lugar no tempo, embora com a certeza de que havia escutado, no silêncio daquele mundo mágico, uma história de amor.

 

 

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sabia

 

 

O pássaro da primavera voltou.

Sempre chega antes, anunciando a estação que está por vir.

Como um relógio, começa seu canto às quatro horas da manhã; como um relógio, desperta-me com sua canção.

Todos os dias, mesmo nos frios ou chuvosos.

Seu trinado preenche todo o meu quarto, como se estivesse tão próximo, em alguma planta do meu terraço.

Fico quietinha, ouvindo-o e imaginando sua alegria pulando de árvore em árvore, de galho em galho, como que presenteando a todos com essa madrugada musical.

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Na primavera passada alguém reclamou para mim de seu canto intermitente (mas não tão repetitivo, repleto de solfejos diferentes) e eu fico a pensar como é possível eu sentir prazer com um mesmo fato onde outro sente desalento, irritação…

Quem não gosta da música da natureza está mal consigo mesmo, penso eu.

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Abrindo aqui um parênteses, lembrei-me de uma situação ocorrida ainda esta semana.

Liguei para meu porteiro informando que precisaria viajar e se eu poderia, mais uma vez, deixar meu periquitinho na portaria para eles cuidarem (e, claro, quando volto, sempre os recompenso por isso, nada mais justo!)

Meu Plingo canta o dia todo, só pára para comer, beber e dormir.

Ele é tão feliz, que dá gosto de observar!

Pois não é que “alguém” reclamou que ele não pára de cantar e, por isso, torna-se irritante?

Fechando parênteses.

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Vou até a janela da sala e, além de ver um céu todo estrelado e a lua, majestosa, crescendo a cada noite, me apercebo que o pássaro deixa a árvore do meu prédio e vai se afastando para outras árvores.

Volto para a cama e ouço seu cantar se distanciando, distanciando, distanciando… e assim acabo dormindo outra vez.

Com o coração repleto de música, de doçura, de amor, mesmo que de meus olhos esteja rolando uma lágrima de saudade daquela que fui e não serei mais.

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A Primavera, como o sabiá, enfeitará e perfumará meu coração novamente.

E isso me basta.

 

 

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