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Posts Tagged ‘ausência’

Devanear

 

 

Ah! se eu pudesse

abraçar tua obra

junto ao peito

a sugar-lhe toda a essência…

 

Seria indecência

ou sinal de tua ausência

nas pontas dos meus dedos?

 

 

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 .

 

Foi então que Raquel resolveu definitivamente fugir.

Digo definitivamente porque já havia ameaçado fazê-lo por diversas vezes, faltando-lhe a atitude final.

Agora não, era para valer.

 

Para que não percebessem de imediato sua ausência, levou apenas uma pequena bolsa onde guardou aquele livro inseparável de poemas, uma fita para amarrar seus cabelos, um óculos de sol, outro de leitura e, uma hortênsia do seu jardim que insistia em fazer-lhe companhia.

 

Fora isso, os sapatos nos pés, as roupas no corpo e um enorme chapéu na cabeça para, caso chovesse, dar abrigo aos passarinhos.

Na mão direita um bloco e uma caneta de tinta violeta: na esquerda, um mapa que, a bem da verdade, de nada ser-lhe-ia útil, porque a ideia era a de não traçar mais rumos algum.

 

Raquel não deixou bilhete a ninguém, mas fez uma anotação bem falsa na agenda que deixou aberta em cima da cama, para enganar a quem lesse, do destino que tomou.

 

Não apagou a luz; já bastava ter vivido no escuro por tanto tempo.

Não levou nada para o trajeto porque pretendia continuar alimentando-se somente de sonhos.

 

Antes de sumir de vista, Raquel virou-se para trás e fez seu primeiro e último gesto grosseiro a tudo e a todos, mesmo sem que a vissem.

Depois virou a esquina e, num salto mortal, pulou para fora do planeta para nunca mais.

 

 

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Trapos

 

 .

.

.

Se as dores miúdas da vida

vão sendo costuradas pelo tempo

é por isso que se morre toda enrugada?

 

E a falta de movimentos

quando falta

a falta de dentes

quando falta

e a falta de brilho nos olhos

quando falta

significam cortes

impossíveis de cerzimento?

 

E o que é um último aceno

senão a provocação da pequena brisa

espantando sombras desamores

e filhos inexistentes

que te rondaram por toda uma vida?

 

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Saudade III

Não demores tanto

Morro-me um pouco a cada instante

                                                                                                 

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Cena I

No mês passado revi um filme que, com o decorrer do tempo, muito me faz pensar. Sempre.

E por se tratar de um filme americano, surpreende-me pelo seu conteúdo, parecendo na verdade um daqueles filmes ingleses que muita gente não tem paciência de assistir.

Não que eu tenha alguma coisa contra filmes americanos; até que existem alguns bons mesmo.

 

São diálogos (às vezes monólogos) que parecem ter saído de minha boca, de minha alma, de meu estado de espírito que teima em aparentar-se sereno.

Em cada trecho do filme vem-me à mente o sentimento que teço por pessoas queridas, visíveis ou invisíveis; às vezes as duas.

 

O que deixo hoje aqui transcrito é para aquele que desde a minha adolescência deixei entrar por minha porta, tão especial já era, e que até hoje peço para que não saia, simplesmente porque o amo.

“Você me faz pensar na vida.

Você me faz lembrar o que perdemos.

Não é comum ver pessoas sorrindo, só quando sonham e é isso que você faz: pessoas sonharem com o que distante se encontra, levado pelas asas de um tempo que não voltará.

O momento, este sim voltará e se não estiveres presente, tornarei a perdê-lo na escuridão dos tempos.

E a consciência deste instante virá no exato momento em que for tarde demais.”

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Involução

 

enquanto houver ostentação

enquanto houver inveja

enquanto houver violência

enquanto houver egoísmo

enquanto houver calúnia

enquanto houver vaidade

enquanto houver mesquinharia

enquanto houver escuridão

nunca haverá poesia nas palavras

nunca haverá lugar para o Amor

nesta Terra

 

 

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Sinto morrer-me quando te calas

Ouço o grito do silêncio teu

 

Tua mão fria me alcança e meu coração, em pedra e gelo, envelhece da aurora ao anoitecer

Meu corpo, chama viva, não mais reconhece o teu

 

Se sentisse vida em teus olhos talvez esperasse o gesto de rever o amanhã, o orvalho, a grama, as flores, os pinheirais, o sol embalando esperanças

 

Mas teu olhar ausente, disperso, incerto, ao certo já está aonde existe vida

A vida que procuras, que não a minha

 

 

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