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Posts Tagged ‘Azinhaga’

Além de guardá-lo em mim, trago-te neste instante entre minhas mãos.

As palavras correm ligeiras pelas minhas retinas e os sentimentos afloram, as lembranças voltam tão claras e nítidas como se o trem da memória estivesse passando pelas estações, pelas paisagens campestres, sob as mesmas nuvens de um dia de uma viagem interior.

Tu estás comigo e me sorris e eu te agradeço aquele momento exato em que decidiste compartilhar tua alma com a humanidade.

 

Observando tua expressão, teu meigo sorriso, tua personalidade  presente nas curvas de tuas sobrancelhas, o aceno desenhado no ar por tuas mãos, sinto-o ao mesmo tempo que frágil, um gigante a se identificar, sem temor algum, em cada vírgula ausente, em cada aspereza necessária, em cada palavra repleta de verdade.

Sinto o homem coerente e preciso e, logo em outro instante, alguns parágrafos à frente, o menino… aquele a correr pelas ruas de Azinhaga, até chegar a alguma figueira e em sua sombra descansar, sorrindo das imagens desenhadas nas nuvens, a sentir o cheiro do mato misturado ao da saudade.

 

Trago-te em minhas mãos (e sempre estou mais perto de ti  quando se aproxima a data de teu aniversário – tu me atrais) e, em uma página de número qualquer, identifico-me tanto com tuas palavras, essas que fazem meu coração se agitar, como se minhas fossem (perdoe-me a ousadia…)

 

“Sou um camponês que se disfarça suficientemente bem para poder viver na cidade sem olharem muito para mim”.

 

Faz-me lembrar daquela que fui quando um dia da cidade do interior aqui cheguei e da que agora sou, vivendo em um mundo que nunca pensei.

 

Hoje, na véspera de teu aniversário, arrumo minhas malas para resgatar em mim, mais uma vez, essa que encontrei em tuas palavras… mas antes de ir quero aqui deixar a teus pés, aquela parte do meu coração, da minha razão e do meu amor, aquela parte que pulsa somente por aqueles que, como tu, dão sentido à minha vida.

Tu que trazes no nome, o nome de uma planta que serve de alimento para os pobres em tempos difíceis; tal como vivemos agora, digo eu, pobres da verdadeira cultura em tempos de valores distorcidos.

Aqueles poucos, como tu, eternos.

De tua aprendiz,

Isabel

 

 

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