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Posts Tagged ‘beijo’

 

Todo Natal sinto uma tristeza que me aperta o coração.

Mas não é, como muitos pensam, de saudades de meus queridos que hoje são estrelas; eles continuam me habitando e os vejo brilhar, a qualquer momento que eu queira, no céu de minha Alma.

Sinto-me assim porque, apesar da palavra do momento ser “crise”, as lojas e ruas se apresentam como um tsunami de pessoas que correm desvairadas, ansiosas e desesperadas atrás de presentes, comidas e bebidas.

 

Minha sorte, meu privilégio, meu merecimento, não sei, foi me encontrar em uma noite dessas com um anjo. É, um anjo!

E sabe o que mais? Mandou-lhe um beijo!

Não se espante, é para você, sim, que me lê neste instante!

Um beijo simplesmente.

 

Depois de expressar seu pedido, ou seja, de que eu fosse a portadora desse seu desejo, ficou a me sorrir.

Procurei desvendar em seu sorriso um motivo, mas ele só me devolveu outro sorriso.

Perscrutei seus olhos em busca de uma razão mais profunda …

E ele, meio que se divertindo com esse meu interrogatório silencioso, da mesma forma me olhava e sorria.

Não procure o que não existe, disse-me ele.

Mesmo assim fitei-o por mais um pouco e não senti em seu olhar nada que justificasse uma emergência, uma necessidade maior do que a vontade de enviar-lhe um beijo, lembrando, à você que me lê.

Tudo bem, pensei, darei o recado, mas… e eu não ganho nada? interroguei com o olhar, habituada que estou, como todo mortal, de sempre querer ganhar alguma coisa.

Você já indagou um anjo? se não, saiba que a resposta vem de imediato!

 

Sentados a uma mesa, frente a frente, tomou-me as mãos entre as suas e eu pude sentir com que intensidade fluía nesse toque, toda a ternura de sua imagem etérea, a sua alegria, o seu cuidado reverente com os momentos.

Depois, levantou-se e lentamente veio em minha direção.

Tomou-me o rosto entre suas mãos tão suaves ao mesmo tempo que firmes.

E deu-me um doce e longo beijo, primeiro nos olhos, depois na boca.

Senti por todo o meu corpo uma corrente de energia em intenso movimento, roubando-me os sentidos.

 

Depois que essa eternidade passou em mim, abri os olhos como que ainda encantada…

Ele continuava a sorrir.

Este é para você, disse-me num sussurro.

E se foi, lentamente, jardim a dentro, este que cultivo em meu coração.

 

Bem… acho que você deveria estar feliz por eu estar contando que um anjo mandou um beijo à você, mas você deve estar se perguntando como sei que era um anjo, não é isso? por isso é que às vezes perdemos os melhores presentes, porque nos preocupamos com o menos importante…

 

Mas vou te contar; pelo simples motivo de ver estrelas brilhando em seus olhos, melodia em seu sorriso, luz intensa cingindo sua cabeça, parecendo-me até, por segundos, vislumbrar asas em lugar de seus braços.

E seu beijo…Ah! seu beijo… é um beijo que somente um anjo saberia dar!

 

Espero que você não seja uma dessas pessoas que diz, Mas quanta fantasia, quanto devaneio ou mesmo quanta bobagem! e saem por aí preocupadas com comidas e bebidas, apenas brincando de ser feliz, sem se importar com o presente que acabou de ganhar!

 

 

Nascer é reviver, é renovar, é renascer em si mesmo através de novas oportunidades, de sonhos, de esperanças.

 

 

 

 

 

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Menino Lindo!

 

.

Menino lindo

de cabelos de seda

olhos de estrelas

sorriso sereno

lábios doces

beijo de alma para alma

.

Brinca, dança

sonha

estende as mãos

entrega o riso

.

Canta baixinho

uma canção de amor

resolveu ser sonhador

.

Viaja no eterno

traz presentes de outros mares

conta histórias de lugares

onde só ele pode chegar

.

Menino lindo

de cabelos de seda

sabe voar, posto que é anjo,

para depois retornar

.

E contar das estrelas que colheu

e dos oceanos permanentes

em seu coração

.

Menino lindo!

 

 

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Mãe

hortensia2

 

 

 

Mãe querida

Me abraça neste silêncio

que me impregna e emudece

 

Beija meus olhos

penteia meus cabelos

e conta-me uma história

para que eu pare de chorar

de saudades de você

 .

.

.

 

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Segredo

casal 1

 

 

 

Guardo-te em mim

serenamente

com a certeza

de que faço de meu coração

teu abrigo permanente

 

Aqui podes tudo

ancorar, alçar vôos sem fim

ou ficar em repouso

mesmo quando morres um pouco

em momentos de escuridão

 

Quando a noite chega, cativo

essa criança que brincou o dia,

afagando teus cabelos, pele macia

beijo de boa noite

que pela madrugada se estenderá

 

Vais reconhecendo aos poucos meus recantos

que vibram com tua magia

fazes de meu corpo tua plenitude

tuas descobertas, meus anseios

 

Não preciso dizer teu nome

meu segredo

para quê?

se estás tão bem assim

guardado em mim

.

.

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.

ondas trazem

lembranças

que se tornam espumas

conchas

risos ao longe

barco à deriva

 

 

ondas trazem

aos pés descalços

toque suave, morno

vento sussurrante

estrelas do mar

 

 

ondas trazem

beijo não roubado

carícia esquecida

silêncio absoluto

por do sol

 

 

ondas trazem

murmúrios distantes

constantes

ausentes

presentes

como um alento

 

 

ondas trazem

o que nunca chegará

 

 

 

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Pintura

pintura 4

.

Brota de minhas mãos

como águas brotam de fontes

uma boca vermelha

a falar de beijos ardentes

 

Brotam olhos sensuais

riso meio doce

o outro meio, meio ausente

cabelos fartos

jogados para trás dos ventos

 

Pinto em minhas mãos

teu nome

que rabisco na pele

para que eu possa senti-lo

mais presente

 

E também um ai! de saudade

junto a um sol de fim de tarde

mina um aceno de esperança

aceno de minhas mãos

 

Só não sei pintar o amor

porque este não quer sair

do meu corpo para a tela

quer morar em mim

não nela

 

  

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.

.

.

Me encontravas, mãe querida, quando ainda pequena, de joelhos aos pés de minha cama a rezar.

Achavas bonito e terno, eu sei, e corrias a chamar e a pegar meu pai pelas mãos, para que ele visse também.

E juntos, à entrada do quarto, abraçavam-se enternecidos pelo meu gesto.

Quem sabe até agradeciam por aquele momento sublime, intimista, de elevação espiritual.

 

Mas o que não sabias, minha mãe, é que todas as noites eu pedia a Deus para morrer antes da senhora e meu pai, porque eu não suportaria, não suportaria tanta ausência.

 

Um dia, agoniada com essa possibilidade, fui me aconchegando ao vovô e contei-lhe da minha aflição, Estou errada, vovô, estou?

Ele olhou-me nos olhos com olhos de doçura e, com serenidade na voz e nos gestos, falou-me, O que você acha que é pior, um filho perder seus pais que já viveram uma parte de suas vidas,  ou os pais perderem esse filho que mamãe sentiu no ventre e que, junto, papai viu nascer e crescer a cada momento de sua vidinha?

A partir desse dia, minha mãe, não fiz mais meu pedido a Deus, embora deixasse claro a minha incapacidade de sobreviver.

 

Hoje, para mim, continua sendo a data de teu aniversário e com certeza, minha mãe, aonde eu estivesse, correria para teus braços, teu calor, teu beijo doce, teu riso contagiante, tua voz a dizer meu nome com carinho (ainda guardo em mim o timbre de tua voz…), para entregar-te esta flor da cor que tanto gostavas.

Com a mesma certeza, escreveria um cartão repleto de palavras de eterno amor, colocando dentro dele, mais uma vez, o que já era tua: minha razão de viver!

 

Deus não me ouviu, eu sei.

Talvez, enquanto eu ainda pedia, naquele horário já estivesse dormindo ou contando histórias para os anjos.

Sei também que hoje és um de seus anjos a me proteger e a todos os seus filhos, mas… o que faço, minha mãe, assim de mãos vazias, sentindo essa insuportável e insustentável saudade?

 

 

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Metaforicamente

Sabes que te amo

eu sei que tu sabes

 

Sabes que quero

tocar-te o riso

sorrir tua alma

sentir teus passos

 

Sabes que enquanto falas

quero beijar tua boca

beber tuas palavras

taça de cristal

 

Sabes que depois

quero adormecer em teus braços

cantar sonhos

sonhar esperanças

 

 

Sabes tudo

a cada instante

 

Que sou Clara e tu Francisco

és sol e eu lua

a tremer de amor e fogo

debaixo deste hábito

desta aparência que me veste

 

 

 

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Toutchat

Aonde estás

minha alma de anjo?

Pudera afogar esta saudade

em beijos

carícias

aconchego

Partiste para onde

se sempre perto de mim

te sinto…

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Esperei por você a três dias e três noites da data conforme combinamos.

No primeiro dia choveu pela manhã e os carros que passavam rente à calçada respingaram alguma água da poça no meu casaco, aquele que comprei somente para ir encontrá-lo.

Mas não liguei porque estava tão feliz… um pouco ansiosa,  é verdade.

À noite vi na curva daquela rua que não sei por que me parece tão familiar, aquele ônibus antigo, de um verde que não se vê mais.

Parando no ponto, senhoras com chapéus um tanto exagerados desceram e também senhores de bengalas com cabos de prata e anéis de doutor a exibirem nos anulares.

Como sabemos você não veio, senão não estaria escrevendo neste instante, correndo o risco de minha carta não encontrá-lo caso você tivesse resolvido vir ao meu encontro.

 

No segundo dia o céu estava muito limpo e não sei por que me senti mais leve; na verdade senti sua aproximação, como se lá na esquina você já estivesse.

Pedi para um garoto comprar um lanche, receando deixar a parada de ônibus justo no momento em que você pudesse chegar.

Meio penalizado, o garoto me fez companhia enquanto eu comia, contando-me uma história que não entendi muito bem, do irmão que se alistou na marinha sem sequer saber nadar.

À noite abriguei-me debaixo da cobertura do ponto e como movimento não houvesse, pude até deitar-me no banco, esticando minhas pernas um pouco cansadas.

A barra do meu casaco já havia secado, embora tenha ficado suja.

 

No terceiro dia o sol chegou cedo, os trabalhadores também.

Alguns, já me reconhecendo, cumprimentaram-me.

Quando outro ônibus verde e antigo virou a esquina, dei um salto do banco, um jeito nos cabelos, um batom nos lábios e lembrei-me de colocar no rosto o mais doce sorriso que sabia dar.

Desta vez não desceram senhoras, senhoritas ou senhores.

Muitas crianças fazendo algazarra, desenhando gestos rápidos no ar.

Esperei até o último passageiro e nada de você.

Será que me enganei na data, no mês?

Será que aconteceu algo a você que não sei?

Será que no meio da viagem você desceu erroneamente em outra cidade?

Ou será que você desistiu…

As interrogações eram tantas que, para que não me atrapalhassem os passos, foi necessário guardá-las nos bolsos de fora e de dentro do casaco.

As que sobraram guardei-as na bolsa e em meu coração só couberam as reticências.

À noite pensei em dar uma corrida até uma cabine telefônica para ligar para sua casa, mas além de correr novo risco de você chegar e não me encontrar era quase certo que ninguém atenderia.

 

No quarto dia desisti.

Já não me sobravam energias, nem alegrias e nem esperanças.

Mas mesmo assim passei pelo correio para, quem sabe, pegar algum telegrama.

Nada.

Cheguei em casa e, de cansada, deitei no sofá e adormeci de roupa e tudo, e tudo significa de sapatos também, como dormem os mortos.

Depois de despertar meio assustada, tomei um banho demorado como quem lava mais uma vez a alma e resolvi escrever para você, querido meu.

 

Nesta altura dos acontecimentos, já não sei mais se gostaria de ter notícias.

Amanhã levarei meu casaco na lavanderia e quem sabe, por acaso, dê uma passada no ponto de ônibus.

Quem sabe no correio também.

Quem sabe.

Quem sabe eu vá embora, assim como fez você, mas não para tentar encontrá-lo e sim, para continuar a viver, visto que o que me resta é apenas a vida.

Mando-lhe um beijo que já não é mais saudoso; apenas um beijo, querido, que acho que também não posso mais chamá-lo de querido meu.

Mandei o garoto levar seu guarda chuva e deixar lá no ponto do ônibus.

Talvez, caso você venha, possa estar chovendo.

E depois de ler esta carta, na sua vida também.

 

   

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