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Posts Tagged ‘beijo’

Toutchat

Aonde estás

minha alma de anjo?

Pudera afogar esta saudade

em beijos

carícias

aconchego

Partiste para onde

se sempre perto de mim

te sinto…

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Esperei por você a três dias e três noites da data conforme combinamos.

No primeiro dia choveu pela manhã e os carros que passavam rente à calçada respingaram alguma água da poça no meu casaco, aquele que comprei somente para ir encontrá-lo.

Mas não liguei porque estava tão feliz… um pouco ansiosa,  é verdade.

À noite vi na curva daquela rua que não sei por que me parece tão familiar, aquele ônibus antigo, de um verde que não se vê mais.

Parando no ponto, senhoras com chapéus um tanto exagerados desceram e também senhores de bengalas com cabos de prata e anéis de doutor a exibirem nos anulares.

Como sabemos você não veio, senão não estaria escrevendo neste instante, correndo o risco de minha carta não encontrá-lo caso você tivesse resolvido vir ao meu encontro.

 

No segundo dia o céu estava muito limpo e não sei por que me senti mais leve; na verdade senti sua aproximação, como se lá na esquina você já estivesse.

Pedi para um garoto comprar um lanche, receando deixar a parada de ônibus justo no momento em que você pudesse chegar.

Meio penalizado, o garoto me fez companhia enquanto eu comia, contando-me uma história que não entendi muito bem, do irmão que se alistou na marinha sem sequer saber nadar.

À noite abriguei-me debaixo da cobertura do ponto e como movimento não houvesse, pude até deitar-me no banco, esticando minhas pernas um pouco cansadas.

A barra do meu casaco já havia secado, embora tenha ficado suja.

 

No terceiro dia o sol chegou cedo, os trabalhadores também.

Alguns, já me reconhecendo, cumprimentaram-me.

Quando outro ônibus verde e antigo virou a esquina, dei um salto do banco, um jeito nos cabelos, um batom nos lábios e lembrei-me de colocar no rosto o mais doce sorriso que sabia dar.

Desta vez não desceram senhoras, senhoritas ou senhores.

Muitas crianças fazendo algazarra, desenhando gestos rápidos no ar.

Esperei até o último passageiro e nada de você.

Será que me enganei na data, no mês?

Será que aconteceu algo a você que não sei?

Será que no meio da viagem você desceu erroneamente em outra cidade?

Ou será que você desistiu…

As interrogações eram tantas que, para que não me atrapalhassem os passos, foi necessário guardá-las nos bolsos de fora e de dentro do casaco.

As que sobraram guardei-as na bolsa e em meu coração só couberam as reticências.

À noite pensei em dar uma corrida até uma cabine telefônica para ligar para sua casa, mas além de correr novo risco de você chegar e não me encontrar era quase certo que ninguém atenderia.

 

No quarto dia desisti.

Já não me sobravam energias, nem alegrias e nem esperanças.

Mas mesmo assim passei pelo correio para, quem sabe, pegar algum telegrama.

Nada.

Cheguei em casa e, de cansada, deitei no sofá e adormeci de roupa e tudo, e tudo significa de sapatos também, como dormem os mortos.

Depois de despertar meio assustada, tomei um banho demorado como quem lava mais uma vez a alma e resolvi escrever para você, querido meu.

 

Nesta altura dos acontecimentos, já não sei mais se gostaria de ter notícias.

Amanhã levarei meu casaco na lavanderia e quem sabe, por acaso, dê uma passada no ponto de ônibus.

Quem sabe no correio também.

Quem sabe.

Quem sabe eu vá embora, assim como fez você, mas não para tentar encontrá-lo e sim, para continuar a viver, visto que o que me resta é apenas a vida.

Mando-lhe um beijo que já não é mais saudoso; apenas um beijo, querido, que acho que também não posso mais chamá-lo de querido meu.

Mandei o garoto levar seu guarda chuva e deixar lá no ponto do ônibus.

Talvez, caso você venha, possa estar chovendo.

E depois de ler esta carta, na sua vida também.

 

   

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Saudade IV 

 

Parada diante deste mármore negro e gélido, não consigo pensar em nada.

Meus olhos não conseguem desviar-se de teu nome nesta lápide.

Quero olhar para este anjo de bronze que tão bem esculpido foi, mas não consigo.

Imóvel, apenas sinto o vento frio do outono, as folhas correndo pelo chão, como se tempo houvesse para mais algum pedido ou esperança.

Meus olhos se turvam, mas meu coração está em paz.

Teu nome cravado em minha alma tenta mostrar a razão de todos os sentimentos em que me procuro em vão.

 

 

Penso em nada.

Lembro-me de meu mestre que diz, Para se entrar em estado de meditação é preciso que não se pense em nada.

Não consigo; nada, para mim, possui forma, cor, peso, aroma, calor, dor.

Penso em nada.

 

 

Não te trouxe uma flor sequer.

Sei que sempre dizias que flores foram feitas para serem apreciadas, não para serem colhidas e, assim, mortas.

Mas a natureza, generosa, enfeitou este lugar que ainda penso não ser o teu.

Não trouxe nada.

Nenhuma novidade para compartilhar, alguma dúvida a indagar, muitos dos medos a me rondar.

Nada.

 

 

Veio-me um pensamento.

A primeira coisa que nos dão nossos pais ao nascermos é um nome e, depois de trilhado o caminho que nos cabe, tornamo-nos apenas esse nome.

Esculpido em uma pedra.

Acho que é daí que vem aquele adágio, Vamos colocar uma pedra nisso e seguir em frente.

Uma pedra, um nome; será mesmo só isso?

 

 

A tua passagem por minha vida hoje me parece um sonho.

Quando foste embora, adormecemos os dois; tu do lado da tua nova descoberta, eu aqui seguindo ao lado de meus passos, fazendo-me de mansa para brincar de aceitar situações.

Perdas.

Sonhos em vão.

 

 

Tiro a luva da mão direita e atiro um beijo para o teu nome, é apenas o teu nome que ali está, eu sei.

Um beijo de saudade, de carinho, de dor, de vontade de ouvir novamente tua voz, teu riso, tua postura de príncipe que sempre foi.

Deixo que as folhas de outono permaneçam sobre o mármore; já não precisas de adornos porque tu és a própria luz, embora o céu esteja cinzento e comece a chover.

 

 

Abençoe-me, é só o que peço, e olhes sempre e um pouquinho para mim.

Preciso tanto do teu amor para poder prosseguir.

 

 

 

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Final de tarde.

Sol de outono.

Escuto músicas do passado tão presentes na minha pele.

É como se o teu olhar ainda pairasse no ar, diante do meu olhar, embora não saibas que já me olhou dessa maneira…

Mergulhando no invisível, toco teu rosto.

Como a retribuir o carinho, de uma forma doce sinto tua boca a beijar minha boca, embora também não saibas que um dia me beijou assim…

Não sabes tantas coisas que sonho…

E as palavras da canção vão entrando por meus poros, meus nervos e nos sonhos que só acontecem em mim.

E vou me lembrando de como eu era quando a ouvia há tempos atrás.

O que mudou, pergunto a mim.

Mudaram algumas marcas no rosto, alguns sinais onde havia um riso largo na boca, mudou a intensidade da luz que ainda me habita.

Mas os sentimentos são os mesmos.

E o inatingível continua sendo atingido apenas em sonho.

A canção te trouxe mais uma vez em suas asas de sons e, sentindo-o tão presente, é necessário que eu me tranque em meus sonhos para te sentir mais perto, bem perto, bem mais perto, para ouvir tua respiração, sentir teu calor, habitar o teu silêncio.

Quando acordo já é noite.

Está frio, preciso entrar.

Mas… como preciso entrar se até agora estava caminhando dentro de mim mesma?

E Joanna canta “aonde foi que eu perdi o teu sorriso e trouxe pros meus dias a saudade… o que será que posso mas não faço e deixo me morrer em agonia…” 

Em um derradeiro aceno, olho para as poucas estrelas visíveis no céu e confio um segredo ao meu coração: os sentimentos ainda são os mesmos.

Amo-te!

 

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Palavras que o vento traz com as folhas de outono

incessantes

 

Sussurram invernos em meus cabelos

e saudades de acenos

que lamentam lembranças

 

Contam segredos de silêncios

de abraços inacabados

de beijos invisíveis

 

Cravam lágrimas no olhar

que se atira distante

como pedra no lago

 

Vibram na água do tempo

como carícias

depois submergem

e se esquecem

 murmúrios…

 

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Um dia, depois da chuva, encontrei você no meu jardim.

A princípio olhamo-nos desconfiados, você com medo de mim, eu com medo de você.

Fiz menção em me aproximar e você recuou.

Eu tinha certeza que a qualquer momento você pularia em mim.

Por isso, entrei correndo para dentro de casa.

Fiquei espiando você da janela, atrás do vidro.

Você, imóvel, só me olhava com aqueles olhos de jabuticaba.

Tomei coragem e voltei para o jardim.

Desta vez você não se afastou.

Abaixei-me e continuamos a nos olhar.

Abaixei-me ainda mais e coloquei minha mão esquerda estendida à sua frente, com a palma para cima, para mostrar-lhe que não trazia nada que pudesse feri-lo.

E você entendeu que eu estava completamente desarmada.

Então você pulou na minha mão e eu pude trazê-lo bem perto do meu rosto.

Mostrando que na outra mão também não havia nada de ameaçador, ousei um carinho.

E você gostou.

Olhei para um lado, olhei para outro.

Ninguém à vista.

Dei-lhe um beijo.

Não foi tão rápido, mas também não muito molhado.

Foi um toque sutil, um toque que traz memória.

Você continuou sapo.

Eu continuei menina.

E hoje somos o que somos.

Até aprendi a coaxar.

 

 

Fiz esta redação escolar aos 14 anos de idade, deixando as freiras do colégio preocupadas, ao mesmo tempo que surpresas.

Relendo-a constato que já àquela época sentia-me desiludida por não encontrar o príncipe dos meus devaneios.

Depois de tanto tempo ele deve ter passado pelo meu caminho, mas não pelos meus olhos porque, com receio de me despertar, seguiu para as suas lutas e conquistas.

Talvez tenha preferido permanecer apenas como um sonho em minha vida.

Se alguém encontrá-lo diga-lhe que continuo completamente desarmada e ainda adormecida, esperando por um beijo doce e demorado.

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Não me faças lembrar

que tiveste outras

antes de mim

 

Peço-te, acolhe-me

como se eu fosse a primeira

e a única

a invadir tuas noites

insones

convidando-te a dançar

 

Brinca comigo

de colar em meu corpo

estrelas brilhantes

que eu colarei em teus cabelos

os beijos que sempre quis te dar

 

Não me faças lembrar

que enquanto sonhava contigo

tu elegias outra para guardar

com carinho e calor

a tua vida

 

Não me faças lembrar

que depois do dia vem a noite

a noite que sangra

porque depois do amor

vem o adeus

mãos vazias num tempo

de carinhos esquecidos

 

Não me faças mais uma

apenas brinca comigo

como brincam aqueles que se amam

pela primeira vez

 

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