Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘carta de amor’

Amor,

Sento neste canto do mundo, com a brisa a conduzir minha escrita.

Meu corpo flutua em outra dimensão, embora meus pés descansem na areia úmida da praia, como úmidos são teus olhos quando fitam minha alma.

 

Sorrio porque tudo é incrível, porque depois de tantos ventos, tanto tempo, novamente pude encontrá-lo, o que seria impossível há alguns anos atrás, porque perdi teu rumo e tu nunca soubeste do meu.

 

E neste momento em que estou em outro universo, o dos sonhos, geograficamente distante do teu hálito, teu perfume, teu carinho, morro mais um pouco e a cada vez, de saudades de ti.

Uma saudade que não sei; ela simplesmente existe, me agita, me faz pensar, às vezes a sorrir para nada que se possa ver ou tocar.

Apenas sorrir como que em cumplicidade com meus sonhos.

 

Recolho uma conchinha rosa que saiu do mar para me enfeitar.

Mas devolvo-a às águas, porque vivemos em mundos diversos, como diversas são as profundidades que nos habitam.

 

Sorrio para tua imagem que lentamente vai se desenhando à minha frente, enquanto rabisco teu nome na areia.

 

E sinto uma vontade louca de escrever uma carta a ti meu amor desconhecido, para contar da tua eterna presença, do teu carinho infinito que habita a parte mais amorosa de minha alma.

Depois, mandá-la perfumada e beijada e guardada em um pequeno frasco mágico de vidro.

 

Como não sei teu endereço, rogo ao mar que o carregue em seus braços, depositando-o a teus pés.

Somente a teus pés.

 

 

Read Full Post »

 

Naquela tarde de outono Sofia resolveu escrever uma carta de amor para ninguém.

Escolheu um envelope de cor suave.

Fechou-o com um decalque, uma pequena borboleta azul.

Saiu à rua segurando-a nas pontas dos dedos e, num descuido proposital, soltou-a a revelia do vento que começava a soprar.

Quando a ouviu bater no chão sentiu sua alma angustiada, mas também sentiu  esperanças.

Correu para casa, postou-se à janela para observar se alguém a recolhia.

Sofia viu sua carta de amor voar de lá para cá, sujar-se, molhar-se.

Aquela dor lancinante no peito persistia enquanto passantes desatentos a pisavam, rasgando-a, tornando-a pedaços de papel a rolar pela rua.

Sua carta de amor reduzida, cruel verdade, a palavras dilaceradas.

Mas não desistiu.

Na tarde seguinte, ainda outono, Sofia reescreveu sua carta de amor para ninguém.

Na mesma cor suave, fechou o envelope com um decalque, desta vez um delicado e pequeno girassol.

E novamente soltou-a na rua e voltou à janela mais uma vez.

A noite veio, fria, enevoada.

Sua carta, silenciosa.

O dia chegou aos raios de um sol tímido, branco.

A carta, em aflita solidão, ali permanecia.

Sofia, na janela, a confirmar sua desesperança.

Foi quando ele surgiu.

Vinha cabisbaixo, triste, falando sozinho ou cantando, não sei.

Parou de repente e, com um brilho diferente no olhar, ficou por um tempo estagnado como se houvesse encontrado um tesouro.

Com o envelope a brincar entre os dedos, meio surpreso, meio intrigado, sentou-se no meio fio da calçada, abriu-o e leu, primeiro de um fôlego só e depois lentamente, aquela carta de amor.

E chorou.

Chorou por um tempo sem fim, sem que algum passante se importasse com seus soluços e seus gestos tardios.

Ainda com os olhos marejados, tirou um lápis de cor de seu bolso esquerdo e escreveu alguma coisa no envelope, junto ao girassol.

E se foi.

Com a carta de amor em seu bolso, junto ao coração e a outros lápis que costumava carregar sem saber ao certo porquê.

Sofia desceu em desabalada carreira pelas escadas, pegou o envelope do chão, leu-o e, com o coração a sair-lhe pela boca, procurou-o com os olhos em meio à multidão.

Mas ele já havia sumido, com a mesma maestria com que havia aparecido.

O certo é que depois daquela tarde Sofia nunca mais conseguiu permitir a entrada de outro em seu coração.

Tentou, mas aquele momento foi profundo e mágico, foi mais forte que sua simples vontade de querer outro alguém.

Muitos outonos passaram.

Outro inverno chegou.

E o envelope continua, com aquela caligrafia firme e terna, guardado em sua caixa de lembranças, adormecido em seu coração.

Para sempre.

Read Full Post »

 

 

A saudade chega assim

sorrateira

silenciosa

 

Penso em dormir

quando a noite se mostra

e ela chega

e como fere fundo

a foice, a faca

até sangrar

 

Dói tanto

impossível deter

o pranto

 

A tristeza me invade

vontade de tua voz

tuas mãos

teu sorriso ainda que triste

 

E o sono se esvai

a noite avança

o pranto não cessa

completo abandono

 

Depois que te vi

os dias que passo longe

não existem

são abismos escuros

profundos

 

Preciso de teus olhos

nos meus olhos

preciso da tua luz

 

Penso em mandar-te

uma carta de amor

mas não sei como fazê-lo

nem sabes que morro a cada ausência

 

 

Read Full Post »