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Posts Tagged ‘cegueira’

Jose Saramago

 

 

Já fiz essa colocação em outras ocasiões, mas como sempre fico surpresa com o fato a repetir-se todos os anos, aqui estou eu novamente, na data de teu aniversário, a procurar nas estantes uma obra para eu reler.

Teu aniversário José Saramago, Mestre querido, que debalde tento seguir mais de perto suas lições, mas ainda sou limitada, pequena, aprendiz…

Tenho relido ultimamente o Ensaio sobre a Cegueira que para mim retrata os absurdos desta dura realidade em que estamos vivendo.

É mais um sinal de alerta, diria até que uma premonição desta época aterradora pela qual a humanidade se auto-flagela, olvidando seus valores morais, sociais, humanitários.

Há trechos em que me assusto, de tão igual a miséria, o descaso, o desalento, a escuridão.

Para me refazer (como se possível fosse) leio de um só fôlego O Conto da Ilha Desconhecida, onde também há poder, discórdias e outras mesquinharias, mas existe algo diferente chamado objetividade de busca, profunda, interior.

Sinto que as duas obras fundem-se em vários trechos, como este que me chamou a atenção, “… é necessário sair da ilha para ver a ilha, … não nos vemos se não sairmos de nós,…”, com um pensamento da primeira obra que citei que diz, “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

O Conto da Ilha Desconhecida, como nos situa o texto, transcorre na época medieval, em um país fictício e, como tal, há de se dizer que não é possível comparações com a época em que vivemos; mas, com mais vagar, é possível entender o quanto estamos retrocedendo em termos de valores e de como é bem possível que já estejamos esbarrando nesse período de brutalidades, posses, poder, obscurantismo.

Mestre Saramago, paro por aqui; minha intenção inicial era a de apenas lembrar-me da data de teu aniversário, mas, me perdoe, com estas obras nas mãos me é impossível não pensar (e me arrepiar) nas sombras que hoje se apossam do inconsciente coletivo, nos cegando da verdade.

Vejo nos traços do teu rosto quanto a vida te deu e também te tirou e quanto de ti existe em meu pensar, em minha busca para desvendar o que existe de real em mim, qual o meu caminho diante de tudo, de todos e de mim mesma.

Como disseste e tão bem citado por Arthur Nestrovski, “Dentro de nós (como no livro da Ilha) há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”, tal e qual o último pensamento expresso nO Conto da Ilha Desconhecida, “Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma.”

Será que essa é a única saída para tudo, Mestre? uma saída individual, uma busca solitária, quase sem esperanças? Se não sonhamos, não vivemos… mas, como sonhar em meio a tantos pesadelos?

Não sei como sobreviver à dor de tão desolado desamor entre as criaturas, mas… aqui estou eu novamente, Mestre, a falar da tristeza do mundo, no dia de teu renascimento em mim…

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cara_fantasma11

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Fugi para o sítio.

Queria ficar longe desta lama que cada vez mais se avoluma debaixo de nossos pés.

Pensei que se lá eu passasse alguns dias, conseguiria ouvir meu coração falando sentimentos que, no meio desta borbulhante loucura, não consigo mais ouvir.

Mas foi pura ilusão, ingenuidade, bobagens da minha cabeça.

A lama também foi grudada nos pneus do carro, nos sapatos, nos assombros, na pele.

Na primeira noite desmaiei quando me deitei, de tão estressada que estava.

Da segunda noite em diante, não dormi mais.

Como me entregar ao voo dos pássaros, ao som da mata, à serenidade do rio, ao namoro dos sapos à noite na beira da lagoa repleta de pirilampos, ao encantamento de um céu estrelado como sorrisos de mil anjos, ao perfume das flores… como?

O que invade minha mente é o cheiro da lama, são as faces de gestos corruptos que constroem esta fétida podridão.

Os fantasmas me assaltam, são mais fortes que a própria Natureza que me cerca.

O fantasma blindado de Rosemary Noronha, que mostra em seu sorriso o orgulho desavergonhado de ter sido o que nunca será: uma rainha de verdadeira classe, educação, delicadeza e dignidade.

O fantasma em prisão domiciliar de Sérgio Gadelha, pego em flagrante pelo assassinato brutal de Hiromi Sato.

O fantasma do homem de Goiás, que deu dois tiros (um na cabeça e outro na perna) de uma menina de onze anos que correu em defesa do pai (ambos com passagens na polícia) e que, depois de ter alegado legítima defesa, foi posto em liberdade.

Os fantasmas dos delinquentes, vândalos que atearam fogo à dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, só porque essa mulher batalhadora tinha apenas trinta reais em sua conta bancária.

Os fantasmas dos réus e componentes (não posso escrever o substantivo que acho cabível) do PT, querendo passar por cima da Constituição, pretendendo um poder maior que o do Supremo Tribunal da Justiça; acho que desconhecem o significado de tudo o que diz respeito à ética, moral e honra.

Penso que, se convocado, nem Odin daria conta de tanta prepotência divinizada, sim, pelos fanáticos que ainda não conseguiram enxergar um palmo à frente de seus narizes.

O fantasma do imposto de renda que nunca vemos sua aplicabilidade, como com todos os outros impostos.

Meu afilhadinho convidou-me para assistir O Home de Ferro 3, em 3D, mas fiquei com medo de identificar algumas figuras blindadas vindo em minha direção, como acontece todos os dias, todos os dias, todos os dias, sem falhar um.

Assim encerramos o mês de abril, um mês que guardo como especial para mim, em que me sinto em completa comunhão com a Natureza.

E me pergunto, O que nos aguarda o mês de maio?

Faço apenas um apelo, Por favor, encarcerem-me em algum lugar possível; não quero mais ficar chafurdando nesta lama.

Preciso de sol e alguns sonhos, senão sei que meu coração vai desistir.

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Solidão II

 

 

 

 

daqui te vejo

  daqui te amo

 daqui te chamo

 e aqui me engano

 

  

 

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