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Posts Tagged ‘comemoração’

Filho Meu

mãe e bebe1

 

Teus olhos insistentes nos meus me fazem chorar de emoção, pequena criança.

Enquanto brincas com as pontas de meus cabelos, enquanto acaricias meu rosto, enquanto tentas colocar teus pequenos e macios dedos dentro de meus olhos, sinto-te todo e cada vez mais em mim.

O calor de teu corpinho afaga minha alma, faz de mim a mãe que não pude ser, embora, diante de tanta ternura, sinto-te filho meu.

Às vezes ficas tão sério como se estivesse a encontrar no fundo de meus olhos algum momento secreto que guardo em mim e dele só sabe meu anjo guardião, para, no momento seguinte, voltares a brincar com os olhos meus.

Teu riso doce inunda esta sala e minha vida, como raios de sol invadem a manhã!

É por isso que te amo, pequeno, porque me roubas o ar vendo o movimento de teus pezinhos, como que querendo, de um salto, sair andando pela minha felicidade.

E hoje, minha criança linda, é teu aniversário e se eu pudesse, colheria estrelas como se colhe flores, para te fazer um ramalhete de luzes e amor, somente para prolongar o riso teu em minha alma…

Como presente, posso te dar o mais profundo carinho, o mais doce sorriso, a mais melodiosa palavra.

Posso também suavemente escovar teus cabelos em cachos de seda, enquanto sorris para os pássaros que, cantantes, enfeitam tua manhã.

Beijo-te os olhos, as mãos, os pezinhos, a teus pés, levando-te a passear nos jardins deste dia, para que sintas o riso das rosas e os acenos das margaridas à tua passagem.

Saímos, então, os dois, a rodopiar entre os canteiros, erguendo-te ao alto e pedindo a Deus que nos abençoe pela luz, pela vida e pelo amor que faz de nossos dias o sentido verdadeiro de ser.

É quando agarras nas rendas de minha blusa que juro-te permanecer a teu lado por todos os dias possíveis de minha existência.

E como sei que nunca vais crescer, a ti então posso pegar pelas mãos, conduzindo-te ao canteiro silencioso e profundo onde, no princípio dos tempos, minha rosa foi plantada, tratada e cultivada e onde hoje cresce, lentamente, mas cresce.

Sei que a conheces mais que eu, mas quero, eu, mostrá-la a ti, meu pequenino.

A rosa que me conta segredos, que me fala de amor e respeito, coisas que agora raramente encontramos no mundo de fora.

Mas hoje é teu aniversário e vendo-o assim a bater palminhas, a sorrir, a pular em meus braços, esqueço de tudo, de toda a maldade, estupidez e mazelas dos homens, simplesmente porque não quero que chores, não quero que teu dia se perca no escuro, embora eu saiba que tu sabes de tudo que ocorre fora deste jardim.

Quando ficas repentinamente quieto, olhando a chama da vela da comemoração de teus anos, nesse segundo que passa em teus olhos, meu coração estremece porque te sinto conciso, preocupado e grave; mas, em seguida, voltas a ser o meu menino.

E quando a noite chega, deito-te dentro de mim, cantando para te ninar uma canção que fale dos rios, dos bosques, dos anjos e dos homens de bem que ainda habitam este planeta e que não são cativos da escuridão.

Te amo tanto, filho meu, que mesmo quando adormeces, sinto-te a caminhar entre as nuvens e as flores dos meus sonhos, pulsando em minhas veias, a cada batida de meu coração.

Durma, meu pequeno; amanhã e em todos os dias de nossa existência comemoraremos, sempre e a todo instante, o teu aniversário.

Vendo-te deitadinho na manjedoura de meu presépio, aflora em minha pele a certeza de que, mais que nunca, somos Um.

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Feliz Natal!

 

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Lei nº 3.353  de 13 de Maio de 1888

Declara extinta a escravidão no Brasil

Brasil sem escravos

O que machuca mais, o chicote de um feitor ou a instituição de cotas nas universidades, senão de outra forma os negros nunca conseguiriam, em pleno século XXI, cursar um nível superior.

O que é que faz mal, comer angu (componente da lavagem de porcos) ou consumir drogas, descriminalizadas ou não.

O que é mais desconfortável, dormir no chão duro e frio, correndo o risco de pegar pneumonia e até morrer ou deitar à sombra dos corruptos poderosos defendendo somente o seu.

 

Brasil sem escravos

O que pensar dos que se intitulam deuses, esses que querem invadir os lares vomitando (perdão da palavra) regras de bem educar os filhos, se não conseguem sequer levar a julgamento crimes passionais hediondos, fazendo valer a justiça.

Uma dúvida: a lei da palmada vale para os que consomem drogas em casa?

 

Brasil sem escravos

Onde a imprensa vive ameaçada por um cala a boca dos demagogos que se dizem democráticos, livres pensadores.

 

Se alguém souber, por favor me diga aonde fica esse Brasil que zela pela  liberdade dos negros, dos homens honestos,das mulheres,dos  trabalhadores identificados e valorizados por seus trabalhos e não simplesmente por sigla partidária.

 Onde fica esse tal de Brasil liberto, esse reino encantado onde é possível se sair a pé ou de vidros do carro abaixados, a qualquer hora do dia ou da noite, sem risco algum de ser assaltado, baleado e morto?

Onde fica esse país que não aprisiona seus cidadãos em seus próprios lares, onde ninguém é espancado e queimado nas ruas mal iluminadas e sem policiamento, em completo abandono?

 

E tantas outras indagações que poderiam figurar neste texto…

 

Estendendo a extinção da escravidão ao âmbito mundial, vivo me questionando em que momento a humanidade perdeu sua liberdade, no sentido mais elevado de sua expressão, ceifando o rumo da sua própria história; em que século, em que milênio.

Em que momento perdeu sua excelência, tornando-se um anjo caído a querer resolver tudo na ponta de uma lança de fogo?

Será que foi na purificação da raça ariana executada por Hitler e seus pares?

Será que foi no dia 13 de maio de 1981 quando o papa João Paulo II comemorava a visão de Nossa Senhora pelos três pastorinhos na Cova da Iria, perto de Fátima-Portugal (13 de maio de 1917) e sofreu aquele atentado na Praça de São Pedro, no Vaticano?

Será que foi no momento em que prenderam e torturaram Mandela?

Será que foi no momento em que detonaram as torres gêmeas?

Ou será que nós humanos, ditos racionais, sucumbimos lá bem atrás e estamos apenas brincando de sobreviventes quando, na dura e fria verdade, estamos mais enterrados e apodrecidos do que fósseis pré-históricos?

Apesar do documento ilustrativo acima ser a prova cabal da sanção da abolição no Brasil, prefiro não comemorar nada, ou melhor, não há razão para esta comemoração.

Como um náufrago querendo  apoiar-se em alguma tábua para não sucumbir, guardo como lembrança nesta data apenas o nascimento do poeta Raimundo Corrêa, nada mais.

Prefiro ignorar o resto, porque esse país que se mostra agrilhoado a mazelas e perversidades morais não é o país que eu amo; esse que se vê está moldado em uma máscara de horror, fazendo com que sua imagem seja a de um pobre, mesquinho, mentiroso, vil e escravo Brasil.

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