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Posts Tagged ‘corrupção’

Pompéia

 

 

 

A vida às vezes apresenta algumas ironias que não há como não percebê-las.

Nada como um dia após o outro e, por assim ser, pensar a fundo e com muita cautela é o que se torna mais urgente atualmente.

 

Me explico: dia desses, aprontando-me para sair, liguei o rádio para ouvir alguma canção, querendo alegrar meu espírito para o encontro de logo mais.

Como sou apaixonada por música (e por isso sei a letra de muitas) comecei a cantarolar com o compositor; a música tem uma cadência gostosa, mas eu já não podia nem cantar e nem marcar o ritmo com os pés,  porque eu estava na etapa de pintar os olhos (as mulheres, em particular, sabem o que isso significa).

Então passei a fazê-lo com mais cuidado, ao mesmo tempo que também prestava mais atenção à letra que já havia cantado muitas e muitas vezes.

 

E, de repente parei, arregalei os olhos para mim no espelho e por um segundo fiquei atônita.

Essa música foi composta à época da ditadura – falei para meus botões; Se encaixa como uma luva para a situação atual – responderam-me eles; E justo esse compositor que homenageei há pouco tempo, pela importância que teve em minha vida nos idos anos 70/80! – acrescentei.

Eu e meus botões, desconsolados, sentamos na ponta da cama e… de repente comecei a rir, rir, rir sem conseguir me controlar, como se eu tivesse me tornado insana em um passe de mágica.

Bem feito! – desejei ao compositor – Sucumba agora em suas próprias palavras!

E continuei a rir, tanto que borrei o rímel e a sombra dos olhos, o traçado das sobrancelhas, o batom escorregando descontrolado para fora de minha boca…

 

Depois que lavei bem o rosto vi que me enganara, não estava rindo e sim, chorando.

De vergonha, de decepção, arrasada por constatar que a corja do planalto continuará chafurdando e reprimindo, torturando e sufocando cada um de nós dentro de nós mesmos, sem a menor possibilidade de esperanças, muito menos de sonhos (as pessoas estão se isolando cada vez mais, criando seus próprios mundos onde ainda lhes é permitido sonhar).

 

Quase desistindo de sair, lembrei-me de um personagem da mitologia grega, Hefestos, filho de Zeus e Hera, um deus fisicamente defeituoso, baixo e orelhudo, mestre do fogo que se manifesta das entranhas da Terra.

Como sua aparência era grotesca para um deus, só lhe restou montar uma oficina na boca de um vulcão, no caso o Etna, para fabricar armas, escudos, armaduras. Um verdadeiro instigador à guerra, entre seus pares. E assim, sua imagem passou a ser sua própria semelhança.

 

Trocando o Etna pelo Vesúvio à época de 79 d.C., podemos dizer que Hefestos (vamos chamá-lo assim, mesmo porque me nego terminantemente a escrever seu nome) instiga tanto o fogo com suas armas (corrupção, engodo, mentira, desrespeito, prepotência, etc, etc e etc) que acaba provocando a erupção do vulcão que sepultará por completo, com sua chuva de cinzas ácidas, a cidade (leia-se país) e sua população.

 

Trocando Itália por Brasil, eu e meus botões confirmamos, portanto, que continuaremos, todos nós, morando na futura Nova Pompéia.

Hefestos e seus asseclas estão felizes, pagando para ver se o povo reage desta vez. Então verão!- quase que gritando, falaram meus botões.

 

E já que falei em asseclas, pares, companheiros, coniventes e outros que tais, abaixo deixo um trecho da música que eu estava ouvindo e que desencadeou todo este sentimento de inutilidade.

Desde então, continuo tentando me vestir, mas não consigo porque ainda estou rindo, chorando de tanto rir.

Acho que desta vez enlouqueci.

 

 

Homenagem ao Malandro

(Chico Buarque)

 

 Agora já não é normal

O que dá de malandro regular profissional

Malandro com aparato de malandro oficial

Malandro candidato a malandro federal

Malandro com retrato na coluna social

Malandro com contrato, com gravata e capital,

Que nunca se dá mal

 

Mas o malandro prá valer, não espalha

Aposentou a navalha

Tem mulher e filho e coisa e tal

Dizem as más línguas que ele até trabalha

….

  

Valeu, Chico Buarque; retratou direitinho!!!

 

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Fui criada sob as asas do catolicismo, estudei em colégio de freiras até meus 12 anos, além de seguir os exemplos de um pai de muita fé que pertencia à Ordem Terceira de Francisco de Assis, e também sob os cuidados de um avô que só não se ordenou padre porque ficou perdidamente apaixonado quando viu pela primeira vez a foto de minha avó, na ocasião a nova professora, na mesa de seu mentor espiritual.

Mas essa é outra história, linda e de amor, que um dia contarei.

Como dizia, aprendi cedo a dar importância ao desenvolvimento de minha espiritualidade e, embora hoje eu já não abrace o catolicismo como minha religião, tenho minhas crenças claras e conscientes, os alicerces que trazem o equilíbrio para os prováveis maremotos e terremotos da vida.

Foram esses os meus pensamentos quando deparei, chocada como muitos, com a renúncia de Bento XVI.

Alicerces, pilares, estruturas, qualquer que seja o termo, ali, diante de meus olhos, via a instituição da igreja ruindo, implodindo em seus próprios desmandos, num desespero último.

Era necessário que houvesse uma justificativa a dar ao mundo: uma queda onde o papa bateu a cabeça não sei em que país; a idade avançada, sua precariedade física…

Veio-me à mente a imagem da grave enfermidade de João Paulo II e sua perseverança suprema em levar sua missão até o fim, sem abandonar o barco de Pedro.

Este foi o exemplo que deixou, mas entendido por poucos.

Assustei-me com o que via e ouvia, eu e o mundo.

Devagar algumas razões começaram vir à tona, clareando e dando embasamento ao seu ato extremo.

Tenho acompanhado todo o impasse que essa atitude deflagrou e, surpresa, vejo agora em sua fisionomia, além do cansaço e dor, um certo alívio e serenidade.

Fico estarrecida com a supérfluas preocupações que assolam a imprensa e a curiosidade banal de muitas pessoas.

Bento XVI não está preocupado com a cor de batina  que usará, como será chamado, se terá poder na cúpula da igreja, se seu anel será partido, se quando morrer será sepultado ou não na basílica de Pedro.

Isso só deve aumentar sua angústia, porque nada disso o preocupa e sim, o caminhar da humanidade que busca apenas poder e luxúria, ganância e mediocridade, quase sempre em nome de Deus.

Há que se recolher e rezar muito por todos nós.

O quadro que se mostra acentua o caos.

Se a igreja, como instituição mais sólida assim se nos apresenta, podemos imaginar os outros segmentos, ou seja, a sociedade corrompida, a política corrompida, o ser humano em franca corrupção.

O que restou?

Não registrarei aqui nenhuma exemplificação desses três pilares completamente corroídos, estamos cansados de lê-los e sabê-los.

Também tão pouco não vou me estender sobre títulos e chamadas sensacionalistas de revistas desta semana de, no mínimo, extremo desrespeito e mau gosto.

Ouvi um jovem dizer Io non vedo il Papa vicino a noi, giovanni.

Se eu lá estivesse lhe diria, É porque ele está muito preocupado com as raposas e lobos ora espalhados, ora atocaiados pelo mundo, até dentro do Vaticano.

O sacrifício de Bento XVI me constrange, cega que sou para tão profundos entendimentos.

Sua visão do futuro próximo faz com que renuncie, que se retire, isole-se de um mundo totalmente contaminado; não para não se contaminar, mas para, no seu infinito amor, pedir mais uma vez, como Jesus já o fez há três mil anos atrás, Pai perdoai-os, eles (ainda) não sabem o que fazem.

 

 

 

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Mais um palhaço

 

no picadeiro

 

e o povo

 

no globo da morte

 

 

 

 

 

 

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Quando o governo foi ao paraíso, o povo, que o dotou de asas celestiais através de seus votos, foi banido para as profundezas do inferno.

 

Com o que se apresenta no momento, ainda é possível se resgatar a moralidade, a ética, a saúde física, intelectual, cultural e política neste e deste país?

 

Fico penalizada quando consigo vislumbrar nosso futuro, só quando consigo e geralmente não consigo.

Mas como náufragos agarrados a uma única tábua de salvação, podemos tentar (mais uma vez?) dar um passo em direção à esperança.

 

Enquanto a democracia existir, devemos exercê-la sem nos amarrarmos às migalhas ou a tapa bocas como a bolsa família, bolsa escola, vale gás e, que bela novidade!, o Brasil Carinhoso (fico  tão comovida…).

A meu ver, aliciar as classes sociais menos favorecidas é um ato indecente, mesquinho, imoral e pobre demais para um governo que se diz O governo, que de ético e digno fica a desejar a todos nós.

 

Será que ainda nos sobra coragem para rompermos esse laço que existe somente em nossas mentes e não mais (há muito tempo, mesmo) nos atos desses pobres poderosos que nos abandonam à revelia da sorte?

Digo pobres porque o retorno há de vir; a impunidade é apenas um artifício podre de que se valem os corruptos.

 

Sejamos conscientes, olhando ao redor com olhos de enxergar (e não apenas de ver) para sentirmos profundamente a miséria tomando um vulto já incontrolável, acompanhada da total deseducação e da violência irrefreada.

 

Temos uma pequena chance de não permanecermos estudante e estudantA na vida e sim, cidadãos dignos, íntegros e humanos, no sentido mais elevado da palavra.

 

 Diga não aos corruptos.

 

 

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Estou chocada (ou será que não deveria estar?)

Minha mente nega-se em acreditar no que meus olhos viram.

Vândalos, predadores, destruindo a festa mais bonita e mais popular do país.

O susto ainda não havia passado quando o incêndio começou.

Material inflamável.

Aliás, o incêndio já havia começado naquela reunião de última hora.

Quando os dirigentes das escolas começaram a dar entrevistas para TVs e rádios, falei comigo mesma, Vai dar complicação! (para não dizer outra coisa)

Senti nas palavras de muitos deles a confusão anunciada, a politicagem podre que proliferou em absolutamente todos os segmentos deste país (do mundo?); por que o carnaval ficaria de fora, não é?

Material altamente inflamável.

Não me refiro aos carros alegóricos em chamas, mas à mente insana dessa massa oportunista que não sabe (nunca soube) o que é civilidade.

Não vou enumerar aqui os vandalismos praticados por verdadeiras gangues, decorrentes do primeiro sinal de violência dado; todos nós vimos.

Praça de guerra, todo o policiamento nas ruas e no ar.

Tropas de choque, cavalaria, bombeiros.

Para esclarecer: existe um regulamento da Liga com normas/regras a serem cumpridas pelos carnavalescos, ou isso também é outra de minhas alucinações?

Material inflamável corroído.

Lamentável o retrocesso do ser humano.

Lamentável a falta de conhecimento e maturidade, onde tudo é absolutamente resolvido na porrada, Ou eu ganho ou eu te dou porrada, meu!

Atos… eu ia dizer animalescos, mas peço mil perdões aos animais.

Atos dantescos? não, são amenos demais para serem comparados aos do momento.

Fico me perguntando a razão de ter nascido nesta época; sinto-me uma ET que, dormindo, caiu da cama e numa queda vertiginosa parou aqui, com todos os sonhos sendo pisados de forma cruelmente lenta, até que nada sobre.

Sinceramente, amedronto-me com tudo, com qualquer barulho ou um movimento mais brusco; acho que fiquei neurótica.

Tranco-me em casa e quando preciso sair, nunca sei se voltarei, ou melhor, nunca sei se chegarei até a esquina, enquanto que os vândalos e politiqueiros passam uma noite tranquila e segura entre as grades para, no dia seguinte, verem o sol nascer como todas as demais pessoas de bem.

Essa massa de altíssima combustão deixou sua marca, marca vergonhosa e inacreditável, na história do carnaval de São Paulo.

Quando este for mencionado, não se lembrarão dos sambas enredos, dos casais de mestre sala e porta bandeiras, das fantasias e alegorias e muito menos dos fundadores e compositores das escolas.

Será lembrado somente o carnaval de 2012, onde o vandalismo explícito e a politicagem enrustida correram de mãos dadas, em devastação, pela avenida do samba.

E pensávamos que já havíamos visto tudo…

Com certeza, essa foi a mais adequada forma que São Paulo utilizou para mostrar ao mundo de como está preparada para receber jogadores e turistas do mundo inteiro.

Será que a escola vencedora terá coragem de fazer seu desfile apoteótico no sábado?

Será que haverá segurança policial adequada para essa apresentação?

Quantos “serás” ainda precisaremos dizer até que sejam tomadas medidas sérias, respeitosas e íntegras para que se possa sentir um pouco de tranquilidade nesta cidade?

Meus pêsames São Paulo, pela sua comprovada desestrutura.

Meus pêsames São Paulo, por esses delinquentes, aliás os mesmos que no final do ano estarão elegendo seus representantes; os mesmos que daqui vinte anos estarão administrando este país.

Deus me ajude que eu já não esteja mais aqui.

 

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Literalmente o mundo está expirando.

Desabamentos.

Alagamentos.

Incêndios.

Terremotos.

Tsunamis.

Vulcões em erupção.

Fenômenos da natureza?

Sim, da natureza humana que a tudo devasta, consome, corrompe, transgride, manipula, devora.

 

Política corrupta.

Violência física e moral.

Miséria física e mental.

Fome física e cultural.

Tráfico de drogas, de mulheres, de órgãos, de armas, de crianças, de ideologias.

Também fenômenos da natureza humana.

Enquanto algumas casas vão se tornando gaiolas de ouro, as ruas vão de transformando em montes de lixo de embalagens, de acidentes, de garrafas, de assaltos, de papéis, de corpos.

 

Desespero, fúria, ira são alguns dos sentimentos que afloram.

Aí se lembram de um deus e em cima dele descarregam seu ódio, suas incompetências, suas mazelas, sua condição de espécime ignorante, tão mais inferior que muitos animais ditos irracionais.

Como pensar nos atributos da alma humana, na dimensão divina do homem, se nem da parte mais objetiva e prática e consciente se é capaz de levar a contento quando, ao contrário, são promovidas guerras registradas nos tempos e nas mentes doentias de lunáticos fantasmas que perambulam pelo planeta se intitulando deuses?

 

Torre de Babel, diz a passagem alegórica da bíblia.

Torre de papel.

Que vai se desintegrando no ar, no fogo, na água, na lama da ganância, do egoísmo, da luxúria.

 

Onde, então, buscar um pouco de luz?

Onde encontrar uma palavra que traduza verdadeira confiança?

Onde compartilhar um doce olhar se as pessoas não mais se enxergam, afogadas que estão em suas angústias e medos?

 

Se alguém tem uma resposta, uma que seja, gostaria de ouví-la; preciso respirar e pensar que, numa virada de esquina, ainda existe a possibilidade de se encontrar um Oasis que não tenha sido atingido pela mão do homem de valores corrompidos, estraçalhados, jogados no poço das misérias, onde soterrou seu amor próprio, sua dignidade e caráter; onde ele mesmo enterrou sua verdadeira divindade.

 

É verdade; não há apenas uma torre de babel; são várias as torres de babel e são gêmeas, embora de aparências díspares.

São gêmeas, espalhadas por todo o mundo, feitas do mesmo cimento, da mesma massa; por isso, o mesmo tombo, o mesmo rombo, o mesmo abismo.

 

Logo os pólos descongelarão, as estrelas cairão e o amor… ah! o amor… bem, o amor não passará de pura fantasia que um dia os poetas enalteceram em suas loucuras.

Nada mais.

 

Na verdade, bem sabemos que quem está dando seu último suspiro não é o mundo.

 

 

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