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Posts Tagged ‘desejos’

Paz e Bem!

 

As malas estão quase prontas.

Itinerário traçado.

Ilhas quase desertas, paradisíacas, tombadas.

Estou indo a passeio, mas a sensação é de fuga; dos fogos, do riso maquiado, do abraço frio, dos votos ditos de forma automática.

 

Mas antes de partir quero contar uma história de amor.

Saindo do médico fui até ao Shopping Paulista para ver, mais uma vez, a decoração de Natal.

Foi quando avistei no piso de baixo, Papai Noel sentado no trono e uma pequena fila de crianças que, sentando em seu colo, faziam seus pedidos.

 

Fiquei em pé ali por perto por muito tempo e, quando a fila acabou, olhei para um lado, depois para o outro e corri falar com o Papai Noel.

Sua auxiliar, com uma prancheta na mão para anotar os nomes das crianças e seus desejos, olhou-me sem nada entender e eu também não senti vontade de me explicar.

 

Sentei-me aos pés de Papai Noel, que me fitava meio surpreso e meio triste, quase que adivinhando a razão d’eu ali estar.

Trocamos um olhar demorado, feito meio que de desespero, dor, angústia, mas com uma fagulha de luz que cintilava pela sinceridade, até ingenuidade do meu ato.

Senti que ele não sabia quem estava ali; se era a criança que me habita ou se era a mulher.

 

Depois me sorriu e como eu não dissesse nada, passou suas mãos enluvadas nos meus cabelos e perguntou se podia me ajudar.

Foi quando senti meus olhos marejarem, aquele nó na garganta indo e vindo, impedindo que eu emitisse qualquer som.

Quando senti que realmente chorava, abaixei a cabeça como se, com esse gesto, pudesse amenizar o constrangimento que causei.

 

Novamente senti sua mão enluvada em meu queixo, obrigando-me a olhá-lo de frente e, mais uma vez, nos olhamos profundamente, olhamos nossas almas; eu a dele, ele a minha.

Foi quando notei que de seus olhos também escorriam lágrimas, com a diferença de que Papai Noel necessitava recompor-se e eu não; poderia sair chorando entre as pessoas, que ninguém se incomodaria com isso.

 

Foi só neste momento que vi que algumas crianças formavam nova fila e sorriam entre si por verem um adulto junto a Papai Noel.

 

Mas ele carinhosamente tomou-me pelas mãos e levantou-me, levantando-se, e pediu à sua auxiliar um balão em formato de coração.

Amarrou-o no meu pulso esquerdo com aquela fita vermelha, macia como um carinho eterno que eu jamais esquecerei.

 Abraçou-me demorada e comovidamente.

E bem baixinho, como se temesse quebrar a delicadeza daquele momento, disse-me ao ouvido:  Paz e Bem!

Beijou-me a testa e deixou-me ir.

Enquanto caminhava no meio da multidão, ainda pude ouvir ao longe a risada do Papai Noel divertindo a criançada.

 

 

Até a volta.

 

 

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