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Posts Tagged ‘desencontro’

Encontro Marcado

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Entre amigos que a todo instante se esbarram, mas que dificilmente se reúnem  em um só momento.

Já se conhecem há tanto tempo que sabem quem chegará primeiro e quem o último será.

 

Seg, o extremado, chega todo atrapalhado, tropeçando nos próprios pés, dizendo para si, Se os outros demorarem mais um pouco, irei embora.

Escolheu uma mesa acolhedora e sentou-se, tamborilando freneticamente na mesa.

Não pediu nada para beber ao gentil e solícito garçom.

 

Min veio cantando, mas disse que o fazia por pura preocupação; não poderia muito ficar, Outros compromissos, você sabe.

Conversaram, trocaram algumas idéias rápidas e Seg de repente se levantou, nervoso, Para mim não dá mais, dê um abraço nos outros.

 

Min ficou sozinho, aceitou a sugestão do garçom quanto aos petiscos e algo refrescante para beber.

Começou a olhar para o relógio e, nada! Será que entenderam certo o local? E justo hoje fui me esquecer do celular…

 

Depois de longos momentos, Hor chegou, tranquila, com seus afazeres encaminhados, sorrindo para todos e dando um longo abraço em Min, que já estava alimentado, bebido e completamente desestabilizado.

E assim, pediu mil desculpas à amiga, contando meio por cima da sua necessidade de partir.

Hor também se desculpou pelo atraso, mas não adiantou, o amigo se foi.

 

O mesmo garçom se aproximou, E a senhora, vai tomar o quê?

Hor escolheu algo na carta de vinhos e aguardou pacientemente pelo último amigo.

Pediu uma segunda rodada, resolveu degustar uns queijinhos e nada do amigo chegar.

Pagou a conta e quando deixava a mesa, surgiu Tem lá na entrada.

 

Tem, com seu ar sereno, sorriso largo, passo cadenciado, foi a seu encontro.

Hor foi abraçada demoradamente, beijada nas mãos e convidada a ficar mais um pouquinho que fosse.

Ela ficou meio constrangida, mas se desculpou e, deixando no ar seu perfume suave de lembranças, se foi.

 

Tem sentou-se, pediu tudo o que tinha direito e depois de atendido no capricho pediu um charuto ao garçom, que o atendeu satisfeito porque, Pelo menos um deles consumiu o suficiente para uma boa gorjeta! pensou o rapaz entusiasmado.

Ousou ainda fazer um comentário, Se os outros o tivessem esperado, teriam aproveitado melhor o seu gosto requintado, não é?

Depois de seu delicioso cafezinho, Tem tirou uma bela caneta do bolso e escreveu em  um fino guardanapo, que propositalmente deixou sobre a mesa: Hoje, em um dia de qualquer mês de qualquer ano imaginário, tentaram aqui se reunir o Segundo, o Minuto, a Hora e eu, o Tempo.

E dando uma longa baforada em seu charuto, falou para si mesmo, Não adianta nada correrem, nunca se libertarão de mim!

 

 

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Correr, para Onde

 Como falar de amor em tempos de ódio.

Como dirigir uma palavra de afeto num tempo de total desentendimento.

Como se solidarizar num tempo de corrupção.

Sinto-me estranha em falar de amor enquanto lá fora as pessoas morrem como moscas.

Sinto-me estranha de mim mesma; procuro-me nos objetos, nos sentimentos, nos valores e já não me encontro em absolutamente nada do que eu pensava verdadeiro, sólido, equilibrado, digno.

E pior fico se falo do meu mundo, este em que vivo, sem o qual não sobrevivo.

Saio dele e deixo-me ser devorada pelos insaciáveis predadores?

Corro para seu interior mais profundo, preservando-me mas, ao mesmo tempo, alienando-me?

Como demonstrar que não é mais possível provocar ondas monstruosas para os barcos em movimento, porque quem afundará desta vez é a grande nau, o mundo.

Como falar de sonhos e esperanças se é preciso que se acorde antes que o despertador seja acionado, como uma bomba a devastar o que estiver a seu alcance.

Há como sair deste labirinto?

Se há, por favor,  diga-me, porque estou achando que já não me reconheço, que já me perdi de tudo há muito tempo,  quando ainda havia um por do sol para que o dia seguinte  pudesse amanhecer.

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