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Posts Tagged ‘divindade’

Levei um puxão de orelhas do meu amigo José Henrique.

Pô, Isabel, pensei encontrar um texto sobre os dois anos de seu blog e nada!?!

Querido amigo, respondi, não fique zangado; é que cheguei ontem de viagem e até “levantar” a casa novamente leva um tempo.

Além disso, estou meio desanimada e completamente sem voz.

Ao que ele retrucou, Está sem voz, mas não está sem palavras!

Fiquei sem graça e prometi deixar meus sentimentos sobre esta data.

Não a data do segundo aniversário do blog, mas a do Dia de Reis.

 

Fui até a janela ver a noite chegar.

Até aonde minha vista alcança, não há mais luzinhas acesas, com exceção de três apartamentos defronte ao meu e o meu.

Os jardins dos prédios anteriormente iluminados com renas, árvores, bolas coloridas e lagos já estão apagados.

 

Meu presépio brilha, todo iluminado e colorido, na minha sala de luzes apagadas.

Ajoelho-me diante dele.

Lá está uma Criança a me sorrir.

E eu, meio sem jeito, quase que pedindo desculpas pela falta de carinho das pessoas que nem sequer sabem do simbolismo desta data, também sorrio para ela.

Seu riso é doce, é calmo, é leve, é suave… seus bracinhos estendidos me convidam para um abraço…

Anjos cantam, tocam suas flautas e harpas, incensam o berço.

Os casais de corujinhas, coelhinhos e cachorrinhos se aconchegam mais para escutar os sons que vão se espalhando por toda a minha casa.

 

Ouvindo esta canção de Natal, vou fazendo chegar perto do Menino os Sábios e seus presentes, estes que a maioria sequer sabe seus significados.

Até que se aproximam com dignidade e respeito, o suficiente para depositá-los a seus pés,num instante de reflexão e reconhecimento, divindade, fé e imortalidade.

 

Lembro-me novamente de meus pais.

Lembro-me novamente desta data, quando a passei num cerimonial executado na praia.

Lembro-me de meu avô firmando em meu pensamento as dádivas que preciso, a qualquer custo, guardar em meu coração, como diamantes que retêm a luz verdadeira.

 

Meio acanhada, peço desculpas ao Menino pelas lágrimas que teimam em se fazer visíveis.

Digo a Ele que não entendo mais das coisas e pessoas, que tudo me assusta e que já não sei se sou capaz de promover o bem.

 

Em um aceno, Ele pede que eu espere os Reis se retirarem.

Abrindo novamente seus bracinhos, convida-me a sentar a seu lado, Vou contar uma historinha para você dormir, me diz.

E passando suas mãozinhas em meus cabelos, joga em meus olhos o pozinho mágico da serenidade para que eu durma em paz.

 

Há vários motivos pelos quais escolhi esta data para iniciar meu blog.

Este passou a ser mais um.

 

Que os Reis se façam presentes em seus dias, através das dádivas que a vida sempre está a oferecer a todos nós.

 

 

 

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Literalmente o mundo está expirando.

Desabamentos.

Alagamentos.

Incêndios.

Terremotos.

Tsunamis.

Vulcões em erupção.

Fenômenos da natureza?

Sim, da natureza humana que a tudo devasta, consome, corrompe, transgride, manipula, devora.

 

Política corrupta.

Violência física e moral.

Miséria física e mental.

Fome física e cultural.

Tráfico de drogas, de mulheres, de órgãos, de armas, de crianças, de ideologias.

Também fenômenos da natureza humana.

Enquanto algumas casas vão se tornando gaiolas de ouro, as ruas vão de transformando em montes de lixo de embalagens, de acidentes, de garrafas, de assaltos, de papéis, de corpos.

 

Desespero, fúria, ira são alguns dos sentimentos que afloram.

Aí se lembram de um deus e em cima dele descarregam seu ódio, suas incompetências, suas mazelas, sua condição de espécime ignorante, tão mais inferior que muitos animais ditos irracionais.

Como pensar nos atributos da alma humana, na dimensão divina do homem, se nem da parte mais objetiva e prática e consciente se é capaz de levar a contento quando, ao contrário, são promovidas guerras registradas nos tempos e nas mentes doentias de lunáticos fantasmas que perambulam pelo planeta se intitulando deuses?

 

Torre de Babel, diz a passagem alegórica da bíblia.

Torre de papel.

Que vai se desintegrando no ar, no fogo, na água, na lama da ganância, do egoísmo, da luxúria.

 

Onde, então, buscar um pouco de luz?

Onde encontrar uma palavra que traduza verdadeira confiança?

Onde compartilhar um doce olhar se as pessoas não mais se enxergam, afogadas que estão em suas angústias e medos?

 

Se alguém tem uma resposta, uma que seja, gostaria de ouví-la; preciso respirar e pensar que, numa virada de esquina, ainda existe a possibilidade de se encontrar um Oasis que não tenha sido atingido pela mão do homem de valores corrompidos, estraçalhados, jogados no poço das misérias, onde soterrou seu amor próprio, sua dignidade e caráter; onde ele mesmo enterrou sua verdadeira divindade.

 

É verdade; não há apenas uma torre de babel; são várias as torres de babel e são gêmeas, embora de aparências díspares.

São gêmeas, espalhadas por todo o mundo, feitas do mesmo cimento, da mesma massa; por isso, o mesmo tombo, o mesmo rombo, o mesmo abismo.

 

Logo os pólos descongelarão, as estrelas cairão e o amor… ah! o amor… bem, o amor não passará de pura fantasia que um dia os poetas enalteceram em suas loucuras.

Nada mais.

 

Na verdade, bem sabemos que quem está dando seu último suspiro não é o mundo.

 

 

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