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Posts Tagged ‘dor’

 .

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Antes de encontrá-lo pela última vez é necessário

que eu chore o que me resta

para eu secar por dentro

 

Então estarei pronta

hirta e ausente,

para ouvir sua voz de palavras escolhidas,

mas opacas, vazias como seu coração

 

Para eu ver seu riso frisado, gelado

em um esforço supremo de emoção

como se carinho se encontrasse à venda

em qualquer gesto

 

Para eu sentir suas mãos frias

no meu rosto ardente…

de dor e despedida

 

Para que tanto cuidado em não me ferir

se já me apunhalou…

 

Não faltarei a esse encontro,

digo ao meu coração tão calado

 

É preciso que eu morra para renascer

no canto da boca de um outro sorriso

sentir o calor de outras mãos em profundo aconchego

morar no brilho de um olhar sereno, cuidadoso,

intenso, de desejo

 

E não haverá necessidade de palavras

 

O silêncio é mágico, é portal para outros pulsares

é linguagem de eternidade

 

É preciso que eu morra mais um pouco

um pouco mais, só mais um pouco

 

Falta tão pouco…

 

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Dúvida

Equador 1

 

 

 

O Equador é uma linha imaginária

desenhada com um compasso

passa por terras e oceanos

cruza seus meridianos

sempre convexos

.

E faz nexo

quando minha imaginação,

em uma só linha e reta,

torna-se a concepção

do Universo

 

E qual dor há nisso?

 

 

 

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.

” Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante”.

Antoine de Saint-Exupéry

.

.

Sem pedir licença, esta lembrança vai me pondo em sobressaltos, impregnada de  emoção e pranto.

 

Um dia tornaste-me tua rosa.

Fui tua rosa.

Regaste-me mais do que eu a ti, muito mais.

Plantaste-me, definindo com cuidado os tons das pétalas, a sustentação do caule, as folhas farfalhantes ao vento  e meu perfume suave, porém marcante.

Espinhos também, para que eu pudesse me defender caso tu adormecesse.

 

Um dia veio a vontade de libertar-me.

Tudo parecia triste, pequeno, solitário.

No meio da noite imóvel talhei meu caule sem vacilar.

Fugi do teu canteiro que meu também era.

Mas tu, jardineiro de minha alma, me encontrando mesmo assim, continuaste visitando-me e regando-me, agora com o silêncio da tua dor.

Não me perguntaste sequer se eu havia sido roubada e replantada neste outro canteiro ou se sozinha fugi.

Deste-me vida e nada pediste; em troca, nada te dei.

 

Depois de chuvas e sóis, no antigo canteiro outra flor nasceu.

Outra rosa, uma rosa que você plantou, não sei bem se com o mesmo cuidado, o mesmo riso matinal, o mesmo beijo carinhoso, cantando os mesmos versos de amor.

Outra rosa… lembra-te?

 

Embora eu soubesse da nova vida em teu jardim, quando passavas por perto da minha contínua solidão (de nada adiantou-me fugir), eu apenas sorria e perguntava se estavas bem.

Mas meu coração gritava sufocado, perguntando se por ventura brotara alguma folhinha, alguma florzinha de meu pé esquecido lá no canteiro, ou se ele havia morrido de vez.

 

Hoje resta o orvalho em mim.

Cresci, é verdade; hoje meço dez pétalas, cinco folhas e uma haste.

Os espinhos, perdi a conta.

para meu primeiro amor

1.971

 

 

 

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Secret_Garden.

Diana queria tanto trazê-lo à sua vida ensolarada.

Principalmente quando via os olhos de Antonio turvados e sua face inescrutável, como sombra perdida na escuridão.

 

Diana sabia que lhe  doía a alma, mas mesmo sendo profunda essa cicatriz, mesmo sendo essa a profunda tristeza, Antonio não conseguia roubar a vontade que Diana sentia em vê-lo em pleno dia de muita luz.

Antonio sorriria um pouco, ainda que não fosse para ela, mas se a visse sorrir, Diana apostava que Antonio sentaria entre as flores no canteiro do jardim e cantaria uma de suas canções prediletas, aquela que só os pássaros cantam e que só os anjos entendem.

 

Ainda sorrindo, mesmo que silenciosa, Diana o pegaria pelas mãos e o levaria até a soleira da porta da casa onde ela deixara seu coração, daquela onde sempre está a pular corda e amarelinha, no compasso dos passos de Antonio.

 E lá Diana o entregaria definitivamente ao sol, talvez compreendendo  que o que já havia vivido bastasse para que, mesmo sozinha, sua vida continuasse sendo plenamente ensolarada pela lembrança de Antonio.

Afinal, não é assim que as imagens são guardadas dentro de cada um de nós, perguntou Diana a si mesma, enquanto virava a esquina, sem antes deixar de ver Antonio conversando com um esquilo de olhos brilhantes que lhe oferecia uma noz.

 

E Diana seguiu mais sozinha que nunca, levando em seu peito um vazio frio, calado, profundamente molhado de emoções tão fortes, de adeus.

Seguia quase que em transe, trôpega, com palavras costuradas na boca, porém com uma leveza assustadora no corpo e tudo porque, com seu gesto, estendeu a Antonio o pouco de paz que ainda havia dentro de seu coração.

A dor, a dor, ah! dor…

  

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h e m.

Porque choras, criança?

carregas em teus gestos

uma porção de coisas cheias de dor

 

Deixa que eu te embale em meus braços

nestes braços que nunca estreitou um filho

mas que sabem se fazer de carinhos

 

Olha para mim, criança

vês que mesmo tendo os olhos marejados

coração flechado

é possível se sonhar

 

Deixa que eu toque em teu corpo

beije teus cabelos

afague tua alma

 

Se preciso for, choro contigo

se preciso for, morro contigo

se preciso for, sempre contigo

 

Deixa que seja preciso, criança

prometo depois de amá-lo

adormecê-lo em paz

 

 

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Trapos

 

 .

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.

Se as dores miúdas da vida

vão sendo costuradas pelo tempo

é por isso que se morre toda enrugada?

 

E a falta de movimentos

quando falta

a falta de dentes

quando falta

e a falta de brilho nos olhos

quando falta

significam cortes

impossíveis de cerzimento?

 

E o que é um último aceno

senão a provocação da pequena brisa

espantando sombras desamores

e filhos inexistentes

que te rondaram por toda uma vida?

 

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Liberto-os

nas ondas límpidas

assustadoramente calmas

da vida,

tu e ele

navegador e nau

 

Vendo-te partir feliz

a flutuar em águas silenciosas,

acaricio tua imagem

com minha partida

mas consciente razão

 

A vê-lo preso em torturas

e pranto

em minhas mãos

em meus beijos ardentes e irreais,

prefiro senti-lo livre

maravilhando-se com o mar

pássaros, peixes e céu sem fim

 

Liberto-te

de qualquer dor

inclusive das dores vãs

por nada haver

entre meu desejo e o teu

para que possas escolher

e não ser escolhido

por tudo e pelo nada

que nos cerca

 

Não hás de naufragar, eu sei

porque a ti acompanha meu coração

a protegê-lo mesmo à distância

em fracos pulsares

sem não mais detê-lo

 

Já não suporto a idéia

de senti-lo a se debater

entre meus dedos

 

Quero-te livre, pássaro do amor

 

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