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Posts Tagged ‘educação’

 

balão de livros

 

 

 

Era um domingo ensolarado e a saudade bateu fundo no coraçãozinho da menina.

Iria ver sua querida Da. Anita somente no dia seguinte, uma demora que duraria mais de 12 horas.

Como não estava fazendo nada mesmo e estava linda no seu vestido de domingo, com fitas nos cabelos que mamãe penteou, pois acabara de chegar da missa das dez, resolveu então ligar para ela.

Pegou da lista telefônica e procurou seu nome e se apercebeu de que esta era a primeira vez, depois de alfabetizada por Da. Anita, que fazia uma pesquisa espontânea e livre, que não fosse obrigações escolares.

Pronto, achou! Cá para nós, não foi tão difícil assim, pois ela morava na mesma rua, General Telles, um quarteirão acima de sua casa; de qualquer forma foi uma atitude individual e, diga-se de passagem, muito feliz!

Olhou pelo vão da porta e viu sua mãe entretida com o almoço, conversando com  seu pai que, sentado à mesa, saboreava algum petisco.

Então discou o número (era a primeira vez, também, que fazia uma ligação sozinha) e ficou com um sorriso ansioso e feliz no rosto, esperando ser atendida.

– Alô?

– Da. Anita? Aqui é sua aluna, Isabel, filha da  Delilah!

– Oi, Isabel, tudo bem com você?

– Mais ou menos, Da. Anita; estou com saudade da senhora.

– Mas amanhã vamos nos ver! – responde ela sorrindo, meio emocionada.

– Da. Anita, a senhora já almoçou?

– Não, querida; ainda estou preparando alguma coisa.

– Então posso ir almoçar com a senhora?

– Claro que pode! – diz ela, completamente surpresa com o imprevisto.

– Então a que horas posso ir? Agora são 11:30 (da altura dos seus seis anos já sabia   ler as horas; o avô havia ensinado) – diz, consultando o grande relógio na sala.

– Uma hora está bem?

– Sim senhora! Até mais.

E, correndo para a cozinha foi, feliz da vida, pulando tal e qual um cabritinho, contar sua proeza aos pais.

– Mamãe, mamãe! Vou almoçar na casa da Da. Anita!

– Como assim?

Então ela conta à mãe a peripécia que fez e esta, aflita, corre à lista telefônica e liga para Da. Anita, desculpando-se pela ousadia da menina.

– Da. Anita me desculpe; não vi a Isabel ligar e não quero, de forma alguma, que ela vá incomodá-la! Imagine só; sei que domingo é dia de reunião familiar e, por isso, estou ligando para me desculpar e para dizer que ela não irá.

– Não, Delilah, deixe que ela venha; fiquei muito feliz com sua ligação e ela não vai me atrapalhar em nada!

O pai ficou de boca aberta, os irmãos ficaram olhando para ela e o avô achou engraçada a atitude da menina (esta também foi a primeira vez que foi almoçar fora de casa sem a companhia dos pais).

Às 12:55 Isabel saiu de casa com um prato de torta de palmito nos braços que a mãe mandava para a mestra, sorrindo e saltitando, feliz, com as recomendações da mãe para se comportar direitinho e para olhar para os dois lados antes de atravessar a rua.

E a mãe ficou olhando do terraço, até ela chegar um pouco mais que o meio do outro quarteirão, no portão da professora.

E ela então parou e, antes de tocar a campainha, ficou olhando aquele jardim encantado, com o qual já havia sonhado muitas vezes; viu a estátua da Branca de Neve e, à medida que seus olhos vagavam de lá para cá, ia citando mentalmente os nomes dos Sete Anões.

Então, prestes a entrar naquele castelo, deu uma ajeitada em seu vestido todo armado, nas fitas de seus cabelos, olhou para seus sapatinhos de verniz preto para ver se continuavam brilhantes e, por fim, tocou a campainha.

Eis que surge na porta sua fada, sua mestra, aquela que a ensinou esboçar as primeiras letras naqueles exercícios sem fim no caderno de caligrafia, as tabuadas aritméticas, o primeiro livro e, naquela fração de segundo, ouviu a voz dela e de suas amiguinhas de classe lendo em conjunto: “A pata nada; pata pa; nada na”.

Subiu correndo aquela escada que parecia não ter fim e pondo o prato em cima de uma mesinha, na varanda, voou para os braços de Da. Anita e, nas pontas dos pés, deu-lhe um longo e forte abraço.

E que assunto haveria de ter uma professora com uma aluna de seis anos de idade?

Perguntou do papai, da mamãe, do vovô, dos irmãos, do quintal que tinha tantos pés de frutas, plantas e flores e, por fim, se estava gostando dos estudos.

E ela confessou à mestra que às vezes (não sempre) confundia a ordem das letras de seu nome.

Da. Anita pegou uma folha muito branca (parecia uma nuvem!) e um lápis muito bem apontado e fazendo-a sentar-se à mesa, disse que iria ensiná-la de uma forma que jamais esqueceria.

– Vamos lá: O “I” é como se fosse uma torre alta, assim como eu. O “S” é uma minhoquinha que anda pelo quintal à procura de alimento. O “A” é um telhadinho para se esconder debaixo quando a chuva forte nos pegar pelo caminho. O “B” é igual à barriga da mamãe que está esperando seu irmãozinho. O “E” é uma boca aberta num sorriso muito gostoso. E, por fim, o “L” que é uma poltrona grande e confortável para se descansar.

– Não pode ser um balanço, Da. Anita? – interpela a menina.

– Não, o balanço é a letra “U”.

– Ah…

Havia mais convidados na casa de Da. Anita: sua irmã, de olhos verdes maravilhosos e cabelos que pareciam de ouro e, seu sobrinho, o Francisco, lindo como a mãe e educado como ela e a tia.

Depois do almoço ela e o Fran ficaram lendo revistinhas, enquanto os adultos sumiam por detrás das portas, para fazer não sei o quê.

E a menina estava feliz por se encontrar em um lugar diferente que ninguém de sua casa conhecia.

Foi então que se sobressaltou com um pensamento; saltando da poltrona, foi ter com a professora.

– Da. Anita, alguma aluna já esteve aqui em sua casa?

– Não, Isabel, você é a primeira!

Ufa! Que alívio! Sentiu-se plenamente privilegiada: era a primeira, era a única até o momento que, sentindo tanta saudade da mestra, foi ter com ela, adentrando em seu mundo.

Não se cabia de emoção ao se imaginar contando às amiguinhas do seu domingo maravilhoso e de como Da. Anita a ensinara a memorizar a ordem das letras de seu nome de uma forma especial, diria até carinhosa, tão diferente de como tinha que ensinar no colégio, seguindo a didática do programa por certo determinado pelas freiras.

Assim a tarde foi passando, nada dela pensar se já era tempo de voltar para casa, de tão encantada que ficava (como sempre) ao lado de sua fada, sua mestra, aquela que colocou palavras em seus pensamentos e ensinou a transferi-las para o papel, para que as pessoas pudessem sentir o que ia pela sua emoção.

Até que sua mãe ligou e pediu para que Da. Anita a mandasse de volta, pois já abusara muito do seu tempo, além da prima estar em casa esperando-a chegar.

Antes de pegar aquele prato de empadinhas que eram destinadas à sua mãe, ela pendurou-se no pescoço de Da. Anita, deu-lhe outro forte abraço e, desta vez, já se sentindo íntima dela, deu-lhe um grande e sonoro beijo no rosto, sendo retribuída com o mesmo carinho.

E assim a menina partiu, não tão saltitante como havia chegado, com o prato de empadas nas mãos e um “Até amanhã, Da. Anita e obrigada” nos lábios.

Antes de atravessar a rua, virou na esquina por uns instantes e, longe dos olhos da mestra que a via partir e da mãe que a via chegar, enfiou duas empadas inteiras na boca; na certa não havia comido o suficiente no almoço, de vergonha da professora.

Quando chegou em casa, entregou o prato à mãe, com recomendações de Da. Anita, olhou para a prima e para os irmãos com ar de superioridade e foi ter com o avô em seu quarto.

Este lhe deu um beijo na testa e perguntou-lhe como havia sido seu passeio.

– Torre, minhoca, telhadinho, barriga, boca sorrindo e poltrona!

– O que é isso?

– É a ordem das letras do meu nome, vovô! I de torre, S de minhoca, A de telhadinho, B de barriga com bebê, E de boca sorrindo e L de poltrona!!!

– Muito bem, parabéns! – disse o avô, sem entender direito a associação que havia com as letras, dando umas “palmadinhas” carinhosas e de leve no rosto de sua netinha, como costumava fazer.

E Isabel, com um sorriso luminoso nos olhos, sentou em uma cadeira ao lado dele e, enquanto o avô escrevia, ela começou a pensar por onde iria começar a contar seu dia inesquecível a seus irmãos e às suas amiguinhas.

Obrigada, Da. Anita Ramos,

por ter sido a primeira a ter aberto algumas portas para mim, passagens que até hoje as utilizo.

Na verdade a senhora não só foi minha fada, minha mestra, mas um anjo que me ensinou a colocar no papel meus sonhos e fantasias, minhas emoções, minhas dores e meus amores, enfim, minha estrada.

Hoje em que se comemora o Dia do Professor, deixo aqui mais um pedacinho do meu coração cheiinho de saudade para a senhora, Da. Anita, minha doce Estrela Guia!

 

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Não há muito que falar porque, na verdade, não consigo raciocinar.

E eu que pensei (quanta ingenuidade!) que não aconteceria nada igual ou pior ao ocorrido a Isabela Nardoni.

E aqui está um quadro horrível, repulsivo, retratando mais uma vez os  vários segmentos da sociedade e da constituição familiar falidos.

Não vou entrar em detalhes, esse assunto já se esgotou e nada é feito.

 

É preciso que se peça proteção a Deus para sair de casa, para voltar para casa, para ficar em casa.

Não há como confiar na proteção do homem, no cuidado, atenção e carinho que ele deveria dedicar à sua própria raça, porque isso simplesmente não mais existe.

 

Gostaria de deixar registrada uma palavra de alento aos familiares dessas crianças que acreditavam que, aprendendo, conseguiriam um lugar ao sol, quem sabe retribuir a seus pais toda a dedicação em um futuro não muito distante.

O que dizer a esses pais que se esforçavam para que seus filhos tivessem um preparo melhor, achando um tempo em suas vidas corridas e sofridas para deixá-los na escola e para que seus filhos, um dia, não lhes dissessem que há várias autoridades neste país que mal aprenderam a escrever seus nomes e lá estão como majestades.

 

A pergunta que não me abandona desde o momento que tomei conhecimento dessa tragédia, desse massacre no colégio do Rio: aonde esse rapaz conseguiu tanta munição e armas? Aonde aprendeu a atirar com tanto requinte de perversidade e precisão?

E o que dizer então à família desse rapaz… e aqui fica, em uma derradeira tentativa, um convite à reflexão ao tipo de educação familiar que vem sendo direcionado aos filhos.

 

Não sei o que dizer a eles, nada teria sentido, nada abrandaria seus corações, nada apagaria esse quadro de horror da mente das crianças que sobreviveram.

Deixo aqui, mentalmente, meu abraço afetuoso a cada uma dessas famílias, desejando que neste gesto chegue a eles todo o meu amor e pesar.

 

Isabela querida, pedi muito em minhas preces para que você pudesse  receber esses outros anjinhos; só você sabe a extensão dessa dor.

 

 

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Acabei de ler um texto que diz ser o homem portador de pelo menos uma virtude.

É, virtude, palavra esquecida, enterrada com os sonhos, a delicadeza, a educação.

 

Um dia desses estava eu transitando por uma rua onde havia uma obra em andamento e, de repente, formou-se uma fila imensa encabeçada por mulheres.

Estiquei o olhar para ver o que ocorria: em um lugar onde passava somente uma pessoa por vez, sem riscos de atropelamento, as mulheres tiveram que parar para que uns marmanjões passassem! Não havia um que se dignasse ceder a passagem a uma mulher sequer, que se detivesse para que a fila do outro lado andasse um pouco!

Minha amiga Ademilde ficou com pena de mim por reparar nessas coisas e disse que eu sou da época dos dinossauros; acho que sou mesmo, os dinos eram muito mais educados que os racionais de agora.

 

Fico muito confusa com o que vejo e com o que leio.

O texto diz que a virtude é um elo que une o profano ao divino e que devemos utilizá-lo de forma pura e sublime, fazendo brotar através dessa virtude nossa própria alma.

Haverá alguém, alguns olhos, algum sentido em sintonia com essa energia.

Aí me perdi por completo; aonde, em pleno século XXI, vou encontrar um dinossauro para trocar energias sensíveis, doçura?

 

Há pessoas, continua o texto, que se utilizam de suas virtudes para cortar atalhos, buscar caminhos fáceis, passar por cima dos outros. Elas nunca saberão como é o prazer de pisar na terra, sentir o cheiro do mato, tomar chuva entre as plantas e as flores, conversar com os animais.

Se elas conhecessem esse estado de espírito haveria mais cordialidade, generosidade, carinho.

É uma questão de escolha, de escolher como ser.

 

Quando acabei de ler o texto senti uma saudade tão grande da era paleozóica ou mesozóica, não sei; da era em que os dinos passeavam pelas matas, alimentando-se de folhas e frutos… e à noite, quando a lua brilhava lá na imensidão do espaço, eles emitiam aqueles sons que mais pareciam lamentos; depois, entrelaçados uns aos outros, adormeciam…

 

Lamentos.

Lamento tanto que tenhamos chegado neste século sem poder compartilhar nossas sonoridades escritas em partituras de emoções e delicadezas.

Por isso lamento tanto a solidão interior de cada um.

Lamento tanto que a tecnologia esteja dando saltos velozes e mortais à frente do homem em anos, décadas, e o próprio homem esteja marcando passo, arraigado que está à pobreza de espírito, à mesquinharia, ao egocentrismo.

Lamento tanto tudo o que passou e não foi aprendido e muito menos apreendido e  que não voltará jamais.

 

 

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Bandeiras nas janelas.
Prédios enfeitados com balões e bandeirolas de festa junina em verde e amarelo.
Calçadas e ruas pintadas.
Entristeço-me.
Acho que essa é a única ocasião em que a maioria dos cidadãos entra em contato mais estreito com a bandeira de sua pátria.
Pergunto ao rapaz se não vai escrever “Ordem e Progresso” na faixa branca. Não, diz ele, todo mundo sabe que é a bandeira do Brasil, moça!
É, sem os dizeres talvez retrate melhor o país.

 

 Outro rapaz desenha e pinta, no meio da rua, as caricaturas dos jogadores mais famosos.
Pergunto se ele conhece alguma técnica, desenha tão bem!
Não, não conheço, diz ele; é um dom a serviço dos outros.
Me animei.
Pergunto se ensina, se faz alguma atividade voluntária.
Só na copa, moça, ou em decisões finais de campeonatos.
Entristeço-me.
Ando muito sensível, entristeço-me à toa.

 

 Vejo o cuidado com que pintam a rua, a gentileza com que pedem aos motoristas para que desviem seus carros das pinturas…
Fico feliz, moça, fico eufórica em estar cooperando, diz uma garota.
Entristeço-me ainda mais. 
Há tanto o que fazer, modificar…

 

Fico imaginando toda essa energia pairando no ar, onde tudo o que querem realiza-se, basta que queiram.
A vontade é a senhora das realizações, não é assim?
Fico imaginando todos eles reunidos, ajudando a pintar uma escola, a jogar o lixo nas latas ao invés de sujar as ruas, a doar um agasalho, um prato de sopa, um pedaço de pão.
Fico imaginando-os gentis no trânsito, em casa com seus familiares, tratando com educação os porteiros e moradores de seus prédios, desejando um bom dia a seus colegas de trabalho, em qualquer ambiente que seja, no dia a dia.
Fico imaginando… já sei, já sei! Estou sonhando, ou melhor, delirando; melhor ainda, estou em grave estado febril.
 Perdoem-me esta alucinação momentânea.

 

Vou tomar um comprimido na farmácia e depois achar uma loja para comprar uma vuvuzela bem potente, para fazer muito barulho.
Quem sabe assim esqueço-me do potencial que habita cada ser humano e que está sendo jogado no lixo, a cada dia, a cada instante, por ele mesmo, quando se fecha, se tranca e vive só para si.
E quando se comunica com o exterior, geralmente o faz da forma mais agressiva ou irônica ou prepotente.

 

Paro no meio fio da calçada para descansar um pouco, constatando mais uma vez do quanto podemos e pouco fazemos… Dá licença, moça, preciso pintar aí; será que você me faz o favor de mudar de lugar?
A educação, a confraternização da copa… ou seja, a mesma do Natal, a mesma do final de ano: gentileza com data marcada.

 

A cidadania está para bater um penalti mas já sabemos o resultado.

 

Alguém de sabedoria secular disse uma vez que o resultado do que fazemos nos espera mais adiante.

                                                                     

  

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“Oi!”

 

Atrás de um queijo especial, fui um dia desses a um mercado digamos que um pouco mais sofisticado mas, já lá dentro,  parei com minha busca para observar o tratamento dispensado a duas senhoras já com idades bem avançadas.

Não enxergavam direito e tudo perguntavam a quem quer que por elas passasse.

Alguns mostravam-se prestativos, outros um pouco menos.

As maçãs estavam lindas, brilhantes e consistentes, naquele cesto grande, colocado em evidência.

Mas entre elas observei uma já meio passada, podendo contaminar as demais.

E num piscar de olhos o tratamento mudou.

As senhorinhas foram ostensivamente maltratadas pelo funcionário do mercado.

Precisei segurar meu queixo porque não acreditava no que meus ouvidos contavam.

“Gente da sua idade não pode sair sozinha! Só dá trabalho, só atrapalha!”

A maçã já não estava passada; havia apodrecido mesmo.

Olhei penalizada para elas, no momento em que uma delas humildemente abaixou a cabeça e puxou pela outra, rumo à saída.

Alcancei-as e enquanto fazia queixa  ao gerente, minha memória trouxe, quase que instantaneamente, uma cena da adolescência.

Minha mãe, minha tia e eu estávamos conversando na cozinha, quando chega minha irmã Margarida, toda sapeca, olhos brilhando e feliz! Sabe, mamãe, a Ana Luíza (a vizinha) é minha amiga! É mesmo, minha filha? É, mamãe. E posso saber por quê? Porque ela disse “oi” prá mim!

Até hoje rimos daquela alegria pura e tão afetiva, que a fazia sentir-se tão próxima a outra pessoa  por causa de um simples aceno.

Talvez por isso eu ainda fique chocada quando presencio certas cenas.

Sou de um tempo em que amizade se fazia com a demonstração de um carinho e aproximação, apenas com um sorriso.

Hoje, nem com educação e simpatia conseguimos conquistar a atenção e gentileza de quem está ali unicamente para bem atender às pessoas.

Foi essa lembrança que contei enquanto, no meio delas, de braços dados, atravessávamos a rua, como que querendo me desculpar pelo desrespeito do funcionário.

Já na outra calçada, ganhei um beijo de cada uma e uma delas disse-me, dando tapinhas no meu rosto, Não se preocupe, filhinha, as maçãs podres acabam no lixo.

Quando voltei para a outra calçada, elas me chamaram; virei-me e elas, sorrindo, disseram juntas “Oi!”

“Oi!” respondi e acenei feliz.

Está vendo, minha irmã, hoje ganhei duas amigas; a Dolores e a Vilma disseram “oi” prá mim!

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