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Posts Tagged ‘emoções’

pablo neruda

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Perscruto o tempo e parece-me ouvir tua voz que me faz voar entre poemas, buscando teus sentimentos, verso a verso, nos caminhos e descaminhos, na ausência, na saudade, na busca, na solidão.

E triste fico ao sentir a falta de poesia nesta atualidade, onde ela é trocada por nada, nada mesmo, por pompas exacerbadas, atos ilícitos, brutalidades que tornam os seres insensíveis, roubando o sonho de quem tem o direito e a precisão de sonhar.

 

Para ti, Mestre Neruda, nada disto é novidade se relembrarmos de tudo porque passaste, até que, de decepção e dor, te isolaste das coisas mundanas para poder mais um pouco sobreviver, para viver, quem sabe, um último sonho.

Mas nem isso te foi permitido, teus dias de sonhos últimos e de contemplação que ainda buscavas foram ceifados.

De tristeza morreste, é verdade, mas como se não bastasse fizeram-te morrer inúmeras vezes e, na derradeira, pelas mãos que manchadas para sempre estarão das palavras que não tiveram tempo de serem ditas, dos poemas que voaram contigo pelo caminho do invisível.

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Hoje, data em que te obrigaram a tomar outros rumos, permito que minha alma volite entre tuas palavras, tuas emoções e esperanças; a primavera que não teve a seu favor o tempo de existir.

 

Quando olho o mar, procuro entre o movimento das ondas o teu silencioso e distante olhar.

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 18

 Aqui te amo

Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento

A lua fosforece nas águas errantes

Andam dias iguais e perseguir-me.

Às vezes amanheço e minha alma está úmida

Soa, ressoa o mar distante

Isto é um porto

Aqui te amo.

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Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte

Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas

Às vezes vão meus beijos nesses pesados barcos

Que correm pelo mar rumo onde não chegam.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores

E ainda porque te amo, os pinheiros, no vento,

querem cantar teu nome, com suas folhas de cobre.

 

 (Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada)

 

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oferenda

Com uma guirlanda de flores do campo nos cabelos e um cesto repleto de plumerias, mais conhecidas como jasmins-mangas, entrei nas águas do rio até onde me foi possível.

Nesse ponto depositei-o com cuidado e assim começou a navegar junto à correnteza, de início lentamente, depois rápido como se sentisse a urgência de logo chegar.

 

Saí do rio e pela margem fui acompanhando seu trajeto; para tanto era necessário às vezes subir morros, descer, andar rente à margem, sem perdê-lo de vista.

Assim caminhava, reforçando em minha mente a oferenda que ali depositei: a melhor parte de mim.

Como se me fosse permitido ser o quinto rei mago de uma história bastante conhecida por todos, onde dizem que na verdade eram quatro, mas três à manjedoura chegaram.

 

E vendo o cesto a rodopiar nas águas como que acenando para as outras flores e plantas e árvores e céu e aves, tudo que compõe aquele paraíso, ousei fazer um pedido ao Jesus menino:  renovação.

Da ternura, da serenidade, dos sonhos, da sensatez, da amizade, da alegria, da dignidade e da solidariedade entre todos os Homens, não somente os de bem.

 

No trajeto havia uma pequena queda d’água, mas o cesto resistiu e minha oferenda seguiu rio a dentro: um riso ingênuo, um soluço silencioso, algumas alegrias, muita saudade, pequenos planos, agradecimentos às pessoas que de uma forma o outra me ensinaram algo de importante, enfim tudo o que venho guardando nesta pequena caixa de veludo vermelho e sem chave dentro de mim, à esquerda de meu peito e que sempre lá estará a pulsar, não por toda a minha vida e sim, por toda a minha existência.

 

Permiti-me a mais um desejo, já que me sinto tão próxima e amiga desse Menino: uma vontade imensa de poder viver tempos melhores, mesmo que os caminhos se me apresentem ainda  pedregosos e silenciosos.

 

A curva do rio levou minha oferenda e meu pedido à Criança renascida; não pude mais acompanhá-los com os olhos, apenas com a alma.

 

Não pude deixar de lembrar os três anos que este blog completou, este espaço onde conto de meus sentimentos e emoções. Uma oferenda que faço durante o ano todo para aqueles que ainda acreditam no amor.

 

 

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