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Posts Tagged ‘ensino’

Eu Truce

 

 

O diálogo seria mais ou menos assim, entre duas pessoas no ponto de ônibus:

– A gente vamos de ônibus mesmo; se tiver cheio a gente vai di a pé.

– É, o chefe fico loco na 2ª-feira porque eu tinha chego atrasada de novo.

– Eu vi ele co rosto todo vermelho. Ele tava  olhando torto prá você.

– To falano! Mas me deu uma dó dele, que acabou fazendo uns trabalho que era prá mim fazer. Mas hoje eu vou ponhá tudo arrumado e amanhã vou ter menas coisa prá fazer.

– É isso aí! Seje organizada e deixe tudo arrumado.

– Nem que seje prá mim esmagrecer 2 quilos, eu arrumo tudo, num dia só, você vai ver. Ele vai ficar contente e vai passar a acreditar ne mim, apesar que pode até mudar o diretor, mas não muda eu.

– Ué, você não deu sinal pro ônibus? As porta não abriu.

– Eu pensei que as porta já tivesse abrido prá nós subir.

– Ta vendo? O tempo ele tá mudando, vai chover! Ainda bem que eu truce meu guarda chuva…

Na semana passada a revista Época trouxe uma matéria sobre a exposição no Museu da Língua Portuguesa, intitulada “Menas – O certo do errado, o errado do certo”, com curadoria do linguista Ataliba Teixeira de Castilho e Eduardo Calbucci.

 Tudo bem que Calbucci seja professor de cursinho e que Castilho, professor titular da USP, seja um estudioso da área há mais de cinco décadas, mas daí a dizer que “na sala de aula é preciso que se reflita sobre a língua, e não ensinar o português – isso o aluno já sabe. Se o aluno que domina a variante popular voltar para o ambiente familiar falando a norma culta, haverá uma ruptura da identidade linguística.”

Então a minha pergunta  é a mesma que a do professor Evanildo Bechara, um dos mais importantes gramáticos do Brasil, que diz nessa mesma matéria: “É como dizer: se todo mundo está usando o crack, por que eu não vou usar? Se o aluno aprende a língua que ele já sabe, ou a escola está errada, ou o aluno não precisa da escola”.

Confesso que, quando saí do Museu com uma garotada à minha frente, fiquei arrasada ao ouvir os comentários; eles sentiam-se enaltecidos com a exposição, dizendo que sabem tudo e nem precisam estudar mais, confirmando que a linguagem que usam cotidianamente é  “maior legal”.

Já tinha conhecimento de como o ensino está cada vez mais fraco, mas não sabia que existem propostas de nivelá-lo por baixo, bem por baixo, baixo mesmo.

 

 

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