Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘escolhas’

Escolhas

cruz-santiago

.

.

.

Há uma lucidez invisível no ar

Passos procuram caminhos diversos

Indicadores apontam luas e sóis diferentes

(sois diferente?)

Moradas das chamas de amor

Não um pelo outro

mas pelo mundo

.

Leste, Oeste

Norte, Sul

Pai, Mãe

Poder e Consciência

.

No centro da Rosa dos Ventos

a Rosa, a lucidez

A consciência invisível

O sopro no ar

O sopro da Vida

 

Read Full Post »

Saudade IV 

 

Parada diante deste mármore negro e gélido, não consigo pensar em nada.

Meus olhos não conseguem desviar-se de teu nome nesta lápide.

Quero olhar para este anjo de bronze que tão bem esculpido foi, mas não consigo.

Imóvel, apenas sinto o vento frio do outono, as folhas correndo pelo chão, como se tempo houvesse para mais algum pedido ou esperança.

Meus olhos se turvam, mas meu coração está em paz.

Teu nome cravado em minha alma tenta mostrar a razão de todos os sentimentos em que me procuro em vão.

 

 

Penso em nada.

Lembro-me de meu mestre que diz, Para se entrar em estado de meditação é preciso que não se pense em nada.

Não consigo; nada, para mim, possui forma, cor, peso, aroma, calor, dor.

Penso em nada.

 

 

Não te trouxe uma flor sequer.

Sei que sempre dizias que flores foram feitas para serem apreciadas, não para serem colhidas e, assim, mortas.

Mas a natureza, generosa, enfeitou este lugar que ainda penso não ser o teu.

Não trouxe nada.

Nenhuma novidade para compartilhar, alguma dúvida a indagar, muitos dos medos a me rondar.

Nada.

 

 

Veio-me um pensamento.

A primeira coisa que nos dão nossos pais ao nascermos é um nome e, depois de trilhado o caminho que nos cabe, tornamo-nos apenas esse nome.

Esculpido em uma pedra.

Acho que é daí que vem aquele adágio, Vamos colocar uma pedra nisso e seguir em frente.

Uma pedra, um nome; será mesmo só isso?

 

 

A tua passagem por minha vida hoje me parece um sonho.

Quando foste embora, adormecemos os dois; tu do lado da tua nova descoberta, eu aqui seguindo ao lado de meus passos, fazendo-me de mansa para brincar de aceitar situações.

Perdas.

Sonhos em vão.

 

 

Tiro a luva da mão direita e atiro um beijo para o teu nome, é apenas o teu nome que ali está, eu sei.

Um beijo de saudade, de carinho, de dor, de vontade de ouvir novamente tua voz, teu riso, tua postura de príncipe que sempre foi.

Deixo que as folhas de outono permaneçam sobre o mármore; já não precisas de adornos porque tu és a própria luz, embora o céu esteja cinzento e comece a chover.

 

 

Abençoe-me, é só o que peço, e olhes sempre e um pouquinho para mim.

Preciso tanto do teu amor para poder prosseguir.

 

 

 

Read Full Post »

 

 

Acabei de ler um texto que diz ser o homem portador de pelo menos uma virtude.

É, virtude, palavra esquecida, enterrada com os sonhos, a delicadeza, a educação.

 

Um dia desses estava eu transitando por uma rua onde havia uma obra em andamento e, de repente, formou-se uma fila imensa encabeçada por mulheres.

Estiquei o olhar para ver o que ocorria: em um lugar onde passava somente uma pessoa por vez, sem riscos de atropelamento, as mulheres tiveram que parar para que uns marmanjões passassem! Não havia um que se dignasse ceder a passagem a uma mulher sequer, que se detivesse para que a fila do outro lado andasse um pouco!

Minha amiga Ademilde ficou com pena de mim por reparar nessas coisas e disse que eu sou da época dos dinossauros; acho que sou mesmo, os dinos eram muito mais educados que os racionais de agora.

 

Fico muito confusa com o que vejo e com o que leio.

O texto diz que a virtude é um elo que une o profano ao divino e que devemos utilizá-lo de forma pura e sublime, fazendo brotar através dessa virtude nossa própria alma.

Haverá alguém, alguns olhos, algum sentido em sintonia com essa energia.

Aí me perdi por completo; aonde, em pleno século XXI, vou encontrar um dinossauro para trocar energias sensíveis, doçura?

 

Há pessoas, continua o texto, que se utilizam de suas virtudes para cortar atalhos, buscar caminhos fáceis, passar por cima dos outros. Elas nunca saberão como é o prazer de pisar na terra, sentir o cheiro do mato, tomar chuva entre as plantas e as flores, conversar com os animais.

Se elas conhecessem esse estado de espírito haveria mais cordialidade, generosidade, carinho.

É uma questão de escolha, de escolher como ser.

 

Quando acabei de ler o texto senti uma saudade tão grande da era paleozóica ou mesozóica, não sei; da era em que os dinos passeavam pelas matas, alimentando-se de folhas e frutos… e à noite, quando a lua brilhava lá na imensidão do espaço, eles emitiam aqueles sons que mais pareciam lamentos; depois, entrelaçados uns aos outros, adormeciam…

 

Lamentos.

Lamento tanto que tenhamos chegado neste século sem poder compartilhar nossas sonoridades escritas em partituras de emoções e delicadezas.

Por isso lamento tanto a solidão interior de cada um.

Lamento tanto que a tecnologia esteja dando saltos velozes e mortais à frente do homem em anos, décadas, e o próprio homem esteja marcando passo, arraigado que está à pobreza de espírito, à mesquinharia, ao egocentrismo.

Lamento tanto tudo o que passou e não foi aprendido e muito menos apreendido e  que não voltará jamais.

 

 

Read Full Post »