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Posts Tagged ‘espada’

Vida Animal

 

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Homens lutam como animais

espadas tinem

por terras, luxúria

poder, vingança

punhais em riste

olho no olho

fúria, ira

cheiro de morte

 .

E o cavalo, como se humano fosse,

em toda a sua alvura

sereno e silencioso

continua mastigando

lenta e calmamente

a relva fresca

e úmida de orvalho

 . 

O agressor de seu dono cai

sem vida

Seu dono cai

de cansaço

 .

E o cavalo apenas bate sua pata esquerda

na grama

e sacode seu dorso, sua crina

para espantar possível incômodo

nada mais

 

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Luz!

 

miguel8

 

 

Sinto tua presença.

Ali, nos três degraus à minha frente, a nos observar.

Tua veste branca ofusca meus olhos, mas consigo ver teu sorriso apesar de tua fisionomia contrita, preocupada e eu não sei porquê.

 

Na tua bainha, tua espada, mas é em teu gesto que a chama flamejante arde.

É no teu abraço etéreo que sinto os laços do teu cordão a nos unir em harmonia e gratidão.

 

E eu emudeço enquanto os presentes esperam que eu murmure as palavras doces que uma mãe costuma dizer a seus filhos.

As lágrimas chegam como alívio mas a voz calou-se em meu coração; não há como dizê-las.

 

Desculpar-me pelo silêncio… mas como fazê-lo se este momento é de uma sublimidade única, se te vejo abençoando nossos passos, ungindo nossos olhos invisíveis que a tudo vêem?

 

Apenas espero.

Que a emoção se abrande, que os olhos se sequem, que a palavra retorne.

Enquanto embebida por tua presença, apenas sigo com os demais.

 

Sei que um dia farás uso de tua espada e, depositando-a sobre minha cabeça, lerás em meu coração se faço por merecer esta veste branca como a tua.

Firmarás então os laços que um dia nos prometemos, naquele momento distante no tempo, quando nos vimos na Criação.

 

Miguel, meu protetor, não permita que eu me esqueça desse momento de Amor e de Luz.

 

 

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A vista à esquerda é uma imensa montanha petrificada.

Cinza chumbo.

Dela a água escorre constantemente, fora a chuva intermitente.

É pouca a chance de desmoronamento, não consegue imaginar toda essa massa rolando.

Seu tamanho, como um animal pré histórico rochoso, não permitiria que isso acontecesse.

Mesmo assim, pensa, sente nesse momento que, caso isso ocorresse, nada lhe restaria senão a assistir ao início de sua inexistência terrena.

Não há como observar essa rocha de uma outra forma, diante desse temporal.

Mas lá está, imponente, presente, agressiva.

Quase pode sentir o cheiro da chuva.

Mas as janelas estão lacradas, o ar condicionado sustenta a oxigenação de seus pulmões.

 

O monitor marca 150 bpm

80 de oxigenação

pressão 16 / 7

 

Tenta rever o jardim de sua infância, os girassóis crescendo, lá no interior.

Mas as imagens lhe assombram.

Os pais, o irmão, o avô; amigos queridos que transpuseram seus umbrais, sem ao menos lhe indagar se conseguiria sobreviver a essas perdas.

Se seria suficientemente forte para levantar sozinha, mais uma vez, seu escudo e desembainhar sua espada, lutando contra sombras que lhe amedrontam.

Recorre à lembrança dos irmãos, de amigos que sempre estão presentes em sua vida, de seu amor eterno, procurando em seus semblantes uma luz, um sinal.

 

160 bpm

75 de oxigenação

pressão 20 / 9

 

Maca.

Corredor.

Luzes velozes acima de sua cabeça.

Isolamento.

Monitoramento.

Silêncio absoluto.

  

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