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Posts Tagged ‘espelho’

União

anjo-1

.

.

O tinir da sineta por nove vezes

.

Há um silêncio no coração de quem busca

sussurros ouvidos somente por aqueles

que se entregam ao profundo momento

como a um sublime segredo

.

É quando atravesso o espelho

.

Levam-me lentamente

num sopro de sons

no perfume das pétalas

e do incenso

.

Levam-me a banhar os pés

em respeito ao solo

onde irei tocar

.

Trocam-me a veste

de puro e alvo linho

cingida pelo laço da união

.

Atravesso mais um espelho

.

Quem me guia toca-me o braço

se assim não fosse eu volitaria

diante da Rosa e da Cruz

Luz intensa, intensa emoção

.

Atravesso mais um espelho

.

Sinto-me fundida àquela chama

sinto-me una

invisível energia

em plena Paz

.

De meus olhos

brotam lágrimas de amor

mas ali já não estou

.

No mais profundo de meu ser

minha Rosa

minha Seiva, meu Sol do leste

.

Penso em reagir, retornar

mas… para quê?

se estou nos braços de Deus!              

.

.

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Filosofar

moça e água

 

Rio

porque esta que me olha

me sorri

e eu nem sei quem é

 

Estende-me as mãos

me oferece uma flor singela

e eu me aproximo do rio

para ver

quem é?

 

E por estar assim

rés ao espelho d’água

nele caio como um sopro

 

Rio

porque mergulho no rio

e o rio porque se envolve em mim

 

E rimos os dois

o rio porque corre em mim

eu porque corro com o rio

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 .

Hoje, não.

Hoje não quero pentear tristezas

pintar trêmula boca

roer unhas cansadas

 

Hoje, não.

Hoje não quero objetos perdidos

compasso sem ponta

espinho sem flor

 

Hoje, não.

Hoje não quero morrer instantes

roupas puídas

gestos cortantes

 

Hoje, não.

Hoje não quero ver esta face

corroída no espelho do tempo

eterno inverno

 

Hoje quero cantar

dançar minha alma

escrever cartas

lembranças sem medos

 

Hoje quero me ver

prazer presente

um presente qualquer

prazer

 

Hoje quero encontrar-me

saltando do canto

do encanto do olhar

e do riso que me tece

 

Hoje quero que seja esta a que me despe

 

 

 

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 movimento

 

  

Voar em círculos

circunscritos

pousar no centro

  

Olhar de dentro

reconhecer

em tempo

  

Buscar no silêncio

o espelho das estrelas

centelhas

  

Olhar de fora

sem sobressaltos

o vulto oculto

  

A sombra

O gesto

O desafio

  

No quarto círculo

circunscrito

repousar

 

 

 

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A Menina

 

 

menina pula corda

desce a ladeira em carrinho de rolimã

anda de perna de pau

pula dentro de uma rede

lá de cima de uma árvore

brinca desses brinquedos

mas é menina

 

menina pula amarelinha

embora goste do lilás

pensa que é princesa

mesmo sem coroa

mas de princesa

só carrega o nome

 

menina pula poças passíveis

de água

pisa pedras

levita pensamentos

onde tudo é possível

 

menina chora

o espelho confidenciou

que está crescendo

perdeu as fitas

perdeu o riso

perdeu as roupas

 

menina brinca

que é gente grande

que entende das coisas

no fundo sabe

que é apenas menina

doce

 

 

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Adeus

 

Mas mesmo assim, encontrei-o escondido atrás das árvores.

Quando me viu através do espelho d’água, pelo mesmo espelho vi que se escondia mais e mais, na ilusão de que eu não o notasse.

Continuei lavando minhas mãos, olhos baixos, contrita, pensando que atitude tomar.

Passei levemente a mão na superfície das águas como uma libélula a matar sua sede, rio onde tantas e tantas vezes  juntos nadamos, desfazendo momentaneamente aquele espelho que se apresentara tão nítido.

Enxuguei-as lentamente naquele tecido amarelo e macio como pétalas de girassol, dedo por dedo, as duas mãos.

Quando não tinha mais como prolongar aquele instante, fui levantando os olhos da forma mais singela e delicada que eu poderia lhe dedicar   e, sem me virar, através do espelho já estático no tempo, lhe sorri.

Apesar de estar levemente trêmulo, levemente assustado, olhou-me fixamente, com decisão nos olhos e silêncios nos gestos.

Ficou paralisado, logo percebi sua infinita aflição.

Sentei-me no chão, a seus pés, ali mesmo na terra, no exato tempo em que ele, de súbito, também se sentou e nos abraçamos com profundo carinho, demoradamente, como se último fosse.

Depois tomou-me as mãos em suas mãos, olhando-me na alma como nunca fizera.

Inesperadamente, entre soluços contou-me com que frequência tem se escondido do tempo e das coisas perversas dos homens.

E temendo que eu também causasse algum mal maior pediu, quase que num sussurro inaudível,  para que eu me afastasse para sempre da sua vida.

Beijando-lhe as mãos, os olhos, a boca, aconchegando-o em meu peito para que sentisse o calor da vida a pulsar, pensei que poderia, sim, ter razão, que mais tarde eu o magoaria de alguma forma, em alguma atitude e, o pior, com alguma palavra afiada como cacos de vidro amanhecidos.

Mesmo assim persisti, insisti, tentando mostrar-lhe que, se necessário, poderia permanecer em silêncio ao seu lado, permanência invisível, compartilhando com ele apenas a minha alma por vezes embargada de emoção, quando seus olhos estivessem mergulhados no orvalho denso da madrugada.

Mostrei-lhe também que poderíamos, juntos, aprender a sorrir novamente, como sorriem as árvores quando a brisa as visita no final da tarde.

Ele permitiu então que eu permanecesse por mais algum tempo em sua vida.

Apenas por mais algum tempo.

Nada mais que um tempo.

 

 

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 “Mas mais triste que a demora é saber que não vens mais…”

 

E por não haver mais como contar da tua ternura, desespero-me como a tarde desespera-se em perder o sol para a noite.

Sinto-me louca, inútil e invisível.

Mãos vazias, olhos opacos, lágrimas em vão.

Permaneço assim por horas, por dias, por tanto tempo, sem coragem de perguntar o porquê ao meu coração.

Temo que, em um sobressalto, ele pare de uma vez.

Temor infundado porque, pensando bem, qual seria a diferença…

Procuro no escuro de mim alguma luz que me reste, que me faça buscar, mesmo que na face fria do espelho onde me escondo, um carinho que console e faça adormecer minha alma, como se criança fosse.

Mas tudo o que escuto são soluços profundos e longos como abismos.

Já é noite alta e meu corpo continua lá, caído no meio da sala; não mais espera teus olhos de ternura, aquele olhar molhado e profundo, olhando para os meus.

 

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