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Posts Tagged ‘esquecimento’

 

Lendo notas escondidas no canto de uma página de um jornal, tomei conhecimento de que 14 de Março é o Dia Internacional da Poesia.

Recorri a compêndios para certificar-me desta informação, o que confirmei um pouco surpresa.

Olhando a mesma data em anos e até em séculos passados, procurei uma razão para tal, envergonhada comigo mesma por não me lembrar desta homenagem.

 

O fruto de minha pesquisa para esta data:

1.492 –  A rainha Isabel de Castela ordenou a seus súditos que se convertessem ao cristianismo, sob pena de serem banidos do país

1.653 – Ocorreu a Primeira Guerra Anglo-Holandesa

1.939 – As tropas nazistas ocuparam totalmente as províncias tchecoslovacas da Boêmia e da Morávia

1.978 – As forças de defesa de Israel invadiram e ocuparam o sul do Líbano, na Operação Litani

 

Fiquei me perguntando por que comemorar dia 14 de março como o Dia Internacional da Poesia.

Onde há poesia em toda essa miséria humana, em todas essas atitudes dantescas para com seus próprios semelhantes?

Nessa data deveria ser comemorado o dia da estupidez humana, isto sim, mas depois me lembrei que essa comemoração é feita todos os dias, a cada gesto corrupto e traiçoeiro que se registra nos anais da história mundial.

 

Indignada, continuei minha pesquisa e meu coração se aquietou um pouco à medida que fui descobrindo que também essa data é o marco do nascimento de pessoas incríveis, ligadas não só à poesia, mas à arte em geral, à inteligência aplicada e expandida em função da evolução real e sensível do ser humano.

Dentre eles destaco alguns como Johann Strauss (1804), José Maria do Amaral (1.812), Théodore de Banville (1.823), Alexandre Braga (1.829), Castro Alves (1.847), Clodomiro Amazonas e Karl Marx (1.883) Benedito Lacerda (1.903),  Synval Silva (1.911),  Geraldo de Aquino (1.912),  Celeste Rodrigues ( 1.923), Ismael Silva (1.978).

 

Também nesta data é comemorado no Japão o White Day, um feriado semelhante ao nosso dia dos namorados.

Feriado… em meio a escombros, mortes, miséria, desolação.

Mas talvez exista um casal, pelo menos um, que esteja de mãos dadas celebrando a vida, a vida que lhes restou após a passagem desse tsunami avassalador.

Da mesma forma que pode haver uma pessoa, pelo menos uma, sentada confortavelmente com um livro de poesias nas mãos, imaginando o que o seu poeta predileto de fato sentiu quando escreveu esse seu poema de amor e dor.

 

O resto é esquecimento.

 

 

 

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Quero morrer esquecida

da política tirana que precisei engolir

quando se jurava igualdade

 

Quero morrer esquecida

dos preconceitos porque passei

por ser apenas uma mulher

entre burgueses engravatados

 

Dos desamores porque sofri

dos amores que sufoquei

do último despojado

de sua condição de primeiro

 

Quero morrer esquecida

das palavras que cortavam

como canivetes afiados

meus sonhos

 

Da mesquinhez

mascarada de verdade

a dizer sobre mim

o que nada sabia

 

Quero morrer esquecida

me pensar uma borboleta

um grilo da mata

uma criança

 

Sorrindo para as pontas

de meus dedos

arrastando um lençol leve e branco

como se fosse um anjo

a me acompanhar

 

Esquecida

de que um dia

lembrei de esquecer

 

 

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