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Posts Tagged ‘estrelas’

pequeno príncipe

 

Um filme em três dimensões.

Me encantei entre as estrelas, entre as delicadezas com as quais sonhei toda a minha vida e, das quais, algumas consegui que não adormecessem em mim.

Verei, pelo menos mais uma vez, para apreciar o desenho em si, a técnica de movimentos e cores, a leveza das vestes e, também mais uma vez, a profundidade dos sentimentos.

Hoje, bem… hoje entreguei-me à magia.

E vi quantos sentimentos profundos e simples ainda habitam minha alma; sentimentos que para tantas pessoas já caíram em desuso ou descrédito, no abismo imenso que se abriu entre os valores que ainda servem a alguns, de pilares de sustentação.

– “O que é cativar? pergunta o principezinho. É uma coisa muito esquecida, disse a raposa – significa criar laços”.

Hoje não quero falar de gente grande; quero falar de crianças como eu que, embora com mais idade , ainda sabem falar de ternura, de sonho, de encantamento, de brilho nos olhos quando se recebe uma doce palavra ou um simples mas poderoso carinho, um beijo gostoso ou um abraço mais demorado!

Meu coração saiu feliz e leve do cinema, confirmando-me que vale a pena lutar pelo que tenho de mais verdadeiro em mim, embora muitas vezes minhas atitudes e palavras gerem rizinhos disfarçados e zombeteiros.

Mas hoje nada disso me importa.

No caminho de volta para casa, lembrei-me de meu pai.

Há 39 anos comprei esse livro de presente para ele.

Quando o desembrulhou e o folheou vendo os desenhos infantis, olhou-me surpreso e espantado.

Mas, do alto de sua discrição e ponderação, disse-me brandamente, Minha filha, você acha que este livro é leitura para seu pai?

Como eu já esperava uma reação parecida, apenas lhe respondi, Leia, papai, depois comentaremos se é apropriado ou não.

E voltei para São Paulo, com a certeza de que ele leria o livro com cuidado, embalado em sua rede que costumava armar debaixo daquele caramanchão, naquele canto do quintal maravilhoso de nossa casa. (Papai demorou dois meses e meio para ler (e entender) O Pequeno Príncipe. Sei disso porque hoje eu o tenho comigo, onde, na última página, ele colocou a data em que terminou sua leitura.)

Quando lá retornei e quando já havíamos conversado sobre trivialidades, perguntei-lhe sobre o livro (senti que ele queria ter tocado no assunto bem antes, mas talvez não soubesse como abordá-lo).

Seus olhos brilharam imediatamente e então entendi que o meu intento havia se realizado; atingi em cheio o coração de poeta de meu pai, daquele pai que poderia ter sido rígido, austero, como todos os homens de sua época assim  criados, mas que tinha coração de mel, como o meu.

“Só se vê com o coração – disse a raposa ao principezinho.”

Olho neste instante para o céu.

Como faço todas as noites de minha vida, não importando como o tempo se apresente.

Vejo as estrelas que são meus amores, mas vejo também meus amores que se tornaram estrelas.

E meu coração sussurra baixinho para o sorriso que elas provocam em meu rosto… “o essencial é invisível!”

E a história desta pequenina e doce criatura se encerra com a conclusão que ele tirou, depois de suas andanças e descobertas, “E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tinha tanta importância.”

Um filme em três dimensões.

Como se eu precisasse disso para sonhar!

 

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.

ondas trazem

lembranças

que se tornam espumas

conchas

risos ao longe

barco à deriva

 

 

ondas trazem

aos pés descalços

toque suave, morno

vento sussurrante

estrelas do mar

 

 

ondas trazem

beijo não roubado

carícia esquecida

silêncio absoluto

por do sol

 

 

ondas trazem

murmúrios distantes

constantes

ausentes

presentes

como um alento

 

 

ondas trazem

o que nunca chegará

 

 

 

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 movimento

 

  

Voar em círculos

circunscritos

pousar no centro

  

Olhar de dentro

reconhecer

em tempo

  

Buscar no silêncio

o espelho das estrelas

centelhas

  

Olhar de fora

sem sobressaltos

o vulto oculto

  

A sombra

O gesto

O desafio

  

No quarto círculo

circunscrito

repousar

 

 

 

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A primeira vez que te vi

tinhas estrelas nas mãos

esperanças nos olhos

mel nos lábios

traçados nos passos

 

Teu coração não batia compassado

quando senti o calor de tuas mãos

em minhas mãos

 

Na estiagem do tempo

perdíamos tempo

mas não os momentos

nos procurando

entre o sorriso e a palavra

ouvindo todos os silêncios

até os impossíveis

 

Não importa se depois

corremos em paralelo na vida

como as chuvas nos jardins

 

O que marcou

marca eterna

foram as estrelas

que perduram ainda

depois de tantas outras vezes

que te vi

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Tudo que vejo à distância parece-me bonito.

Mágico.

Como agora.

Vejo o dia findar nesse tempo marcado por relógios silenciosos.

O sol a despedir-se deste lado do planeta, o das pessoas que não se acham mais, deixa no espaço seu rastro rosa, suave de início, mais forte à medida que se esconde atrás de meus olhos.

E a cidade aos poucos vai se iluminando como se fosse uma imensa árvore de estrelas, como se uma porção delas tivesse caído do céu de uma só vez.

Uma torre se acende, como um indicador divino apontando para coisas do tempo que ainda não sou capaz de enxergar.

Os holofotes do helicóptero que voa sua urgência parecem-me anjos de luz a procurar pelo espaço anjos perdidos.

Entrego-me às sensações, ao perfume que a noite vem trazendo na ponta de seus dedos, distribuindo-o entre as flores do meu pequeno jardim.

Em cada estrela dessa imensa árvore, por trás de cada luz existe pelo menos uma vida, diz meu coração num pulsar esperançoso.

Quem sabe um sonho.

Quem sabe uma brincadeira de criança.

Quem sabe um sono de sonhos.

Quem sabe o aconchego de um abraço.

Quem sabe um doce e ardente beijo.

Quem sabe um poema de amor.

Quem sabe alguém que desesperadamente acredite como eu que, apesar de tantos desatinos irracionais disseminados milimetricamente entre seres racionais,  ainda haja uma chance para recomeçar.

Como o sol que amanhecerá.

Ele sempre retorna.

Somos nós que em dias amargos não conseguimos enxergá-lo, mas ele está lá, sempre estará.

Majestoso e vivo!

 

Quando o devaneio devolve-me à Terra, a noite já se mostra profunda e estranhamente quieta.

Vejo então, acima de minha cabeça, uma lua linda a me sorrir, invadindo e acalentando  esta minha alma.

Cheia e luminosa.

Mágica!

Como agora.

 

 

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Final de tarde.

Sol de outono.

Escuto músicas do passado tão presentes na minha pele.

É como se o teu olhar ainda pairasse no ar, diante do meu olhar, embora não saibas que já me olhou dessa maneira…

Mergulhando no invisível, toco teu rosto.

Como a retribuir o carinho, de uma forma doce sinto tua boca a beijar minha boca, embora também não saibas que um dia me beijou assim…

Não sabes tantas coisas que sonho…

E as palavras da canção vão entrando por meus poros, meus nervos e nos sonhos que só acontecem em mim.

E vou me lembrando de como eu era quando a ouvia há tempos atrás.

O que mudou, pergunto a mim.

Mudaram algumas marcas no rosto, alguns sinais onde havia um riso largo na boca, mudou a intensidade da luz que ainda me habita.

Mas os sentimentos são os mesmos.

E o inatingível continua sendo atingido apenas em sonho.

A canção te trouxe mais uma vez em suas asas de sons e, sentindo-o tão presente, é necessário que eu me tranque em meus sonhos para te sentir mais perto, bem perto, bem mais perto, para ouvir tua respiração, sentir teu calor, habitar o teu silêncio.

Quando acordo já é noite.

Está frio, preciso entrar.

Mas… como preciso entrar se até agora estava caminhando dentro de mim mesma?

E Joanna canta “aonde foi que eu perdi o teu sorriso e trouxe pros meus dias a saudade… o que será que posso mas não faço e deixo me morrer em agonia…” 

Em um derradeiro aceno, olho para as poucas estrelas visíveis no céu e confio um segredo ao meu coração: os sentimentos ainda são os mesmos.

Amo-te!

 

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Não me faças lembrar

que tiveste outras

antes de mim

 

Peço-te, acolhe-me

como se eu fosse a primeira

e a única

a invadir tuas noites

insones

convidando-te a dançar

 

Brinca comigo

de colar em meu corpo

estrelas brilhantes

que eu colarei em teus cabelos

os beijos que sempre quis te dar

 

Não me faças lembrar

que enquanto sonhava contigo

tu elegias outra para guardar

com carinho e calor

a tua vida

 

Não me faças lembrar

que depois do dia vem a noite

a noite que sangra

porque depois do amor

vem o adeus

mãos vazias num tempo

de carinhos esquecidos

 

Não me faças mais uma

apenas brinca comigo

como brincam aqueles que se amam

pela primeira vez

 

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